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Terça-feira, 08 de julho de 2008

Sopa Thai

Sopa Thai

Acabo de chegar de Paraty. Mas a Flip não será o assunto hoje. Nem os borrachudos, que tanto, tanto me amam. E, mesmo antes de começar o post, quero que fique claro: não tenho nada contra alemães. Nada. Mas uma alemã que não consegue organizar uma fila é algo curioso. Principalmente quando a fila é a da porta do restaurante dela. (Não, eu não descolei um lugarzinho para comer de joelhos porco com chucrute à beira-mar.) Thai Brasil é o nome do local.

Uma alemã fazendo comida thai em Paraty, por si só, já renderia um bom caldo. Mas o assunto também não é esse. Foi o atendimento de lá que achei realmente peculiar. Estávamos num grupo de dez pessoas. E não havíamos feito reserva, pois o restaurante não aceita. “É só chegar e sentar”, disse a voz do outro lado da linha. Será? Em plena Flip, quando até boteco meia-boca tem espera? Sim, é só chegar e sentar, depois de esperar na porta.

A muvuca era digna. Nada de gente com cara feia. Todo mundo educado, literatos à espera de alguém para escrever seus nomes numa lista de restaurante. Até que um freguês resolveu perguntar ao outro que parecia estar ali há mais tempo: “Quem está anotando a ordem de chegada?” O cliente antigo explicou: “Ninguém. Fique na fila; se vir alguém se levantando, corra, sente e a mesa é sua.”

Não, o sujeito devia estar brincando. Lá fui eu falar com uma garçonête ar-rrentina. Ela confirmou: “É, a chente até tentou organissar a espêra, mas nunca deu certo; quem sentar priméiro é o dono da messa. Vocês podem se organissar lá fora.”

Opa! Daqui para dentro eu organizo, daqui para fora, vocês é que se virem? Resolvido. A cotoveladas, fomos eliminando a freguesia que aguardava na porta. Um por um. Claro que não. Apenas esperamos confiantes. E os outros foram desistindo. Dez minutos depois, uma mesa vagou. Fomos andando até lá e nos sentamos, os dez, numa mesa para quatro. Em pouco tempo, junto com as bebidas, outra mesa e mais algumas cadeiras surgiram para acomodar com conforto o grupo. Afinal, dali para dentro, eles organizavam!

A garçonête ar-rrentina tirou o pedido. Foi fácil. Um prato de cada do cardápio. Salvo a sopinha thai, que parecia ser a favorita de todos. Mas decidimos que apenas três seriam suficientes. Aquele esquema: tudo no centro da mesa, e cada um come um pouquinho. A chente é freguês mas também sabe se organissar.

Tudo gostoso, fresquinho, com direito a ervas plantadas na horta da chef alemã. Curry verde de peixe, curry vermelho de camarão, arroz de jasmim, pad thai, o típico macarrão tailandês. E a clássica sopinha de leite de coco, capim-santo e frango. Como ainda não falei dela aqui? Era sobre a sopa que eu queria falar!

Há tempos não a preparo em casa. No meu extinto restaurante era um hit. Dia sim, dia não, tomava a sopinha. Mesmo assim, continuo achando a combinação de sabores dela surpreendente. É uma dessas receitas que, à primeira vista, podem parecer estranhas. Especialmente para alguém sem intimidade com comida tailandesa. Vale a pena experimentar. É uma excelente opção de entrada num jantarzinho entre amigos. Vamos à receita.

Sopa Thai

Para quatro pessoas você vai usar:

600 ml de caldo de galinha
2 saquinhos de chá de erva-cidreira (melhor ainda se usar capim-santo fresco)
400 ml de leite de coco
200 g de filé de frango cortado em cubinhos
1/2 xícara (chá) de cogumelos-de-paris cortados em fatias
1 pimenta dedo-de-moça
1 colher (sopa) de gengibre picado ou ralado
1/4 xícara (chá) de suco de limão
1 colher (sopa) de nampla (molho de peixe)
1 talo de cebolinha cortado em rodelinhas
10 folhas de coentro rasgadas com as mãos

Modo de preparo

1. Leve ao fogo alto uma panela média com o caldo de galinha (se for em cubinho, use apenas um). Quando ferver, junte os saquinhos de chá, ou a erva fresca, desligue o fogo e tampe a panela.

2. Corte os ingredientes conforme pedidos na receita. Frango em cubinhos, cogumelos em fatias etc. Atenção para a pimenta: corte na metade, no sentido do comprimento; com a ponta da faca, raspe as sementes e descarte; corte as metades em tirinhas finas, na diagonal. (As sementinhas em contato com a pele podem causar queimaduras, por isso, em seguida, lave bem as mãos e os utensílios usados.)

3. Retire os saquinhos de chá da panela, acrescente o leite de coco, o gengibre e ligue o fogo alto. Assim que ferver, abaixe o fogo para médio, junte os cubinhos de frango, os cogumelos, a pimenta, e deixe cozinhar por 5 minutos. Por último, acrescente o nampla. O suco de limão e as ervas frescas (cebolinha e coentro) são acrescentados na hora de servir. Sirva bem quente.

Sobre o nampla

É um molho de peixe fermentado, de aroma forte. Resultante do cozimento de anchovas e temperos diversos, o nampla está para a cozinha tailandesa como o shoyu está para a japonesa. Usado em praticamente todos os pratos, ele substitui o sal. É encontrado em lojas especializadas em produtos orientais.

A pergunta óbvia: dá para fazer a sopa sem nampla? Claro que dá, mas não fica a mesma coisa. Mas, pelo menos, você não será atacado por borrachudos nem vai ficar esperando em pé na porta da cozinha até a mesa vagar!

>> Postado por Rita Lobo 01:34

Segunda-feira, 05 de maio de 2008

Sabores da fazenda

Sabores da fazenda

Minha avó Maria Rita nasceu numa fazenda em Queluz, cidade na divisa do Estado de São Paulo com o Rio de Janeiro. Por sorte, veio para a capital paulista ainda pequena. (Sorte porque, se não tivesse vindo para cá, ela não teria conhecido meu avô Lobo, e meu pai não teria nascido, logo, eu também não.) Por outro lado, junto com a mudança da família Nogueira Garcez (este é o sobrenome da minha avó) veio para a cidade a minha única chance de ter alguma ligação com a terra.

Pensando bem, talvez seja exatamente este o motivo pelo qual eu goste tanto de fazenda, como se brotasse em mim uma saudade de algo que eu não vivi. Para mim, o campo é sempre mágico, inspirador. A mente corre solta. “Avoa”. Os dias ficam com gosto de sonho. Sabe aquela pergunta típica de começo de namoro: “você gosta mais de praia ou de campo?” Pois é, mesmo gostando de praia, eu sou “de campo”. (Tenho uma tia que vive dizendo que adora cheiro de cocô de cavalo. Eu não chego a tanto.)

Fui passar o feriado numa fazenda próxima à Fazenda Pinhal. Há anos a Sofia, herdeira do local, me fala para visitá-la. A propriedade foi tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional e, depois de muita restauração, aliás, primorosa, foi transformada em um pequeno hotel, que faz parte da Associação Roteiros do Charme. Resolvi almoçar lá.

Quase caí para trás. Há tempos não via um lugar tão esplendoroso. Os jardins, o pomar, as ruas de musgo, as alamedas de jabuticabeiras, o túnel de primaveras. Uma cidade utópica esculpida na mata nativa, há mais de um século, pela Condessa do Pinhal, tataravó da Sofia. A arquitetura cafeeira, os móveis de época, os quadros do Império, há tanto para falar sobre a Fazenda. Mas é sobre o livro que eu quero contar. Ou melhor, sobre as receitas dele.

Não sei muito bem o que eu estava fazendo em 2005 que não comprei, logo no lançamento, Fazenda do Pinhal, Caderno de receitas e histórias de família. Mas, de certa forma, foi bom. A leitura fica ainda mais saborosa depois de ter conhecido o lugar. “Num grande caderno, escrito à mão, os amigos foram deixando as suas receitas preferidas”, conta Helena Carvalhosa, autora do livro, mãe da Sofia e bisneta da Condessa do Pinhal.

Confesso que, para mim, é um exercício ler receitas sem ir formatando na cabeça. Faço isso há mais de uma década! “Bata todos os ingredientes e leve para assar.” Penso: bata como? Na batedeira, à mão, com fouet, com colher, com garfo? Qual a assadeira? Retangular, uma fôrma redonda, com furo, sem, untada, polvilhada? Sempre me coloco no lugar de quem não sabe cozinhar. Mas, neste caso, exatamente por não ter um padrão – dá para ouvir cada um dando a sua receita – o livro ficou tão interessante. Não é um livro para aprender a cozinhar. É um livro para quem gosta de cozinhar.

São umas duzentas receitas. Tem de tudo. Clássicos, invenções, comida de dia-a-dia, pratos especiais. Tudo parece saboroso. Comida com bom gosto. E cada um dá a receita do seu jeito. Na sopa de beterraba, deixada no caderno por Melanie Farkas, não há a quantidade dos ingredientes. Mas tem o preparo e dicas ótimas: “na hora de servir, colocar duas gemas cruas; sem a carne (músculo), juntar creme de leite azedo; em vez de ralar a beterraba, peneirar tudo e colocar dill (endro) e creme na hora de servir.”

Arroz à moda árabe, asa de galinha chinesa, bitel tonel, camarões grelhados, carne assada com molho ferrugem, ceviche, coalhada, frango com maracujá, guacamole, pão sueco, pesto, peixe assado, picadinho, picanha, vaca atolada, vatapá, caldo verde, sopa de abacate, rocambole de chocolate, rosquinhas... Fiquei tão animada com as receitas que acabei nem falando que o livro é um capricho só: papel, formato, fotos, ilustrações, projeto gráfico. Mas, na minha opinião, este “caderno de receitas” da Fazenda Pinhal tem a maior qualidade que um livro de receitas pode ter: dá vontade de ir para a cozinha. Se bem que, fiquei mesmo é com vontade de passar uma longa temporada na Fazenda. Quem sabe nas férias.

>> Postado por Rita Lobo 09:39

Segunda-feira, 03 de março de 2008

Break

Break

Uns dias antes da minha viagem de férias ao Atacama, a mãe de um coleguinha do meu filho, na porta da escola, me disse que queria ter um trabalho como o meu.

Fiquei imaginado que ela estava querendo dizer que também gostava de comida (de cozinhar, de comer, de pesquisar, de falar, de escrever...). Mas antes que eu tivesse tempo de concluir o que, exatamente, no meu trabalho ela gostava, a moça foi logo dizendo: “Eu também queria ter um trabalho que não precisasse trabalhar muito”. Na hora, ou melhor, às 7 horas da manhã, não entendi muito bem, dei um sorrisinho e me despedi.

Pensei comigo mesma: Mas será que ela acha que o Panelinha brotou de uma árvore? Ou que as receitas surgiram como num passe de mágica? Na cabeça dela, os livros e e-livros devem ficam prontos num piscar de olhos. Os blogs, então, pulam para dentro do site! Sem falar nos projetos comerciais, nos anunciantes, nas parcerias, nos contratos de patrocínio... Ela deve imaginar que sejam firmados num papo na fila do supermercado.

Fui tomar o meu café e a imagem dela ficou me perturbando. Comecei a sentir um pouco de raiva. Raivinha. Tá bom, fiquei irritadíssima. Será que, por me ver diariamente na porta da escola, ela acha que eu não trabalho muito? Ou será que para ela “essa coisa de internet” é muito fácil? Já sei: culinária é “coisa de mulher” e, por isso, não dá trabalho. Vai saber.

Mentalmente, fiquei dando uma série de respostinhas para ela. Só para você saber, não é por acaso que o meu escritório, o meu estúdio, a escola dos meus filhos e a minha casa ficam no mesmo bairro. É por isso, minha senhora, que posso levar e buscar as crianças e almoçar com elas todos os dias. Mais tarde, já em casa, eu ainda resmungava em silêncio, eu nunca consigo voltar para casa antes das 19 horas, e quando as crianças vão dormir, eu volto para o computador!

Durante a viagem, confesso que nem lembrei da mãe do coleguinha do meu filho. Mas foi só eu chegar que dei de cara com ela na escola, já toda arrumada para o trabalho. Depois de uns dias de férias, dei risada de mim mesma pensando que, de um jeito meio sem jeito, ela estava tentando fazer um elogio. Talvez quisesse dizer que, no site, tudo parece tão fácil que não deve dar muito trabalho para fazer. Não sei o que ela faz, mas imagino que, como eu, ela também tenha uma rotina puxada.

A verdade é que, para nós, mulheres, mães, que trabalham, em casa ou fora, sobra pouco tempo. E não estou falando de ir ao cabeleireiro ou de fazer massagem. É tempo para não fazer nada, sem ter que se preocupar com o que vai ter para o jantar, tempo para pensar, para deixar a mente ousar outras soluções. É tempo para dormir, passar o dia na piscina, relaxar o corpo, ou cansá-lo num longo passeio de bicicleta pelo parque, numa caminhada sem destino ou atravessando um deserto a cavalo.

Cada vez mais, acredito que todas as mulheres, vez ou outra, deveriam tirar umas férias de tudo. Trabalho, claro, mas filhos e maridos também. Férias com uma amiga, ou com um grupo de amigas. Mesmo que seja apenas por um fim de semana.

Gostaria de pensar que este fosse o intuito do Dia Internacional da Mulher: um dia para nos lembrarmos que temos que cuidar de nós mesmas.

Esta semana, a mãe do coleguinha do meu filho vai amar a programação do Panelinha. A pauta é valorizar os momentos que dedicamos a nós mesmas. Entre as atrações, o nosso novo e-livro, SPA EM CASA, que marca a estréia da série Cadernos Femininos, composta por seis volumes.

Em SPA EM CASA, a equipe do site passou um dia inteiro testando receitas caseiras de beleza, comendo lanchinhos funcionais, falando pelos cotovelos e dando muita risada. Tudo foi devidamente fotografado e anotado e o resultado é um guia para você transformar a sua casa em um spa. E sábado que vem, Dia Internacional da Mulher, vai ser o dia ideal para isso. E fique tranqüila, não dá muito trabalho!

>> Postado por Rita Lobo 17:51

Quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

e-mail da Clarissa

e-mail da Clarissa

Olá Rita,

Acompanho assiduamente seu blog, inclusive, toda atualização é exibida nas manchetes do meu feed na telinha do computador. Adoro a forma como escreve e estou sempre me aventurando na cozinha inspirada pelas receitas do Panelinha.

Acabei de dar muita risada com a história do Pinocchio... Estive no Atacama em 2006 e amei o Salar. Dessa viagem para o Chile, trouxe de presente para o Brasil meu filho Enrico, que já vai completar 1 ano no próximo dia três. Não deixe de conhecer e entrar na Laguna Cejar. Os Geisers El Tatio e as Termas de Puritama também são imperdíveis! Gostei muito da gastronomia do Atacama. Eu recomendo o restaurante Tierra Todo Natural, especializado em comida vegetariana.

Essa semana, passei a acompanhar o blog Aprendiz de Cozinheiro. Fiquei feliz com a coincidência, pois vou começar um curso para chef de cozinha em março e também estou escrevendo um blog sobre esta e outras experiências relativas ao prazer de cozinhar e comer bem! Quando tiver um tempinho dá uma olhadinha: http://pimenta-rosa.spaces.live.com

Um beijo e aproveite o Atacama!

Clarissa De Lorenzi Fondevila

Clarissa,

Que delícia de e-mail! Não sei se você já viajou sem o seu filho, mas se ainda não, vai descobrir que, depois que eles invadem a nossa vida, as viagens têm dois melhores momentos, e um deles é a hora de voltar para casa. É engraçado como, depois do nascimento dos meus, nunca mais fiquei triste de ter que voltar de Paris, ou tive vontade de me mudar para aquela cidadezinha italiana, ou essas coisas que, quando a gente não tem filhos, pensa em fazer. Passou.

Por outro lado, nos primeiros anos, a gente fica tão, mas tão grudada neles, que chega uma hora que um pouquinho de espaço, só para você, se faz necessário. As pessoas falam muito da importância de criar tempo para o casal, mas esquecem que individualmente também temos que nos cuidar. E é basicamente isso que vim fazer.

Não estava muito preocupada com a gastronomia local. Mas também fiquei impressionadíssima com a comida. No hotel onde estou, opa, estoy, o café da manhã não poderia ser mais gostoso e saudável. Um bufê com suco de framboesa, suco de laranja, frutas em pedaços, muesli, granola, iogurte, ameixa em calda (deveria ser obrigatório em cafés da manhã de hotéis!). Ovos feitos ali mesmo no bufê, mexidos, omeletes, com queijo, presunto, cubinhos de tomate. E os pães. Ah, os pães. Feitos no hotel, do jeito que eu gosto: integrais, com nozes, passas. Manteiga, claro. Mas uma opção mais saudável à manteiga é oferecida aos “exploradores”: abacate amassado com limão. Acho que vou transformar isso em hábito, abacate para passar no pão no café da manhã.

O suco de framboesa também é delicioso. Já estou imaginando que, no fim de tarde, depois de horas sob o sol do deserto, esse suco com um pouco de vodca vai ficar uma delícia! Mas os vinhos chilenos são tão bons... Vou deixar para decidir na hora. Essa é uma das maravilhas de estar de férias, não é? E antes mesmo de eu ter que decidir, ele apareceu em versão sorbet, que, como você pode ver, eu resolvi fotografar.

>> Postado por Rita Lobo 18:36

Terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Sal do Atacama

Sal do Atacama

Há tempos, fiz um jantar na minha casa e um dos convidados disse que iria levar uma amiga. Para a minha alegria, era a Iná (uma das nossas aprendizes de cozinheira). Os dois trouxeram um pote de sal, mais precisamente de Fleur de Sel de Guérande, um vaso de ervas plantadas e um bilhetinho escrito pela Iná: “De doce basta a vida!”

Pois bem, agora que Iná, Silvia, Marcia e Andrea dominaram o Panelinha, resolvi tirar uns dias de férias e vim parar no meio do deserto. Aliás, um deserto de sal.

São Paulo e San Pedro de Atacama, no Chile, estão praticamente na mesma latitude. Para chegar até aqui, porém, é necessário pegar um vôo até Santiago, umas 4 horas em direção ao sul do Chile, depois outro até Calama, mais 2 horas para o norte, sem contar as 2 horas de espera no aeroporto. São muitas horas (desnecessárias) de viagem e, depois, mais 1 hora de carro, deserto adentro. Já era quase hora do jantar quando cheguei ao hotel, mas decidi tomar apenas uma taça de vinho, chileno, por supuesto. Bem cedinho, no dia seguinte, iria a cavalo até o Vale da Morte. E fui. Rapidamente descobri a razão do nome do local: voltei muerta! Duas horas a cavalo sob o sol do deserto requer um pouco mais de treino. À tarde, resolvi fazer um passeio mais light: uma volta no Salar do Atacama.

Antes de continuar, quero pedir a sua permissão para hablar en portuñol. Ou mejor, hablar, djá estoy hablando, quiero escribir. Com todo o respeito aos nossos vizinhos de América del Sur, mas parte da diversão da viagem és hablar en portuñol.

Nada a ver: quando eu era pequena, meu pai adorava colocar um LP com a história do Pinocchio para meus irmãos e eu ouvirmos; o detalhe é que era em espanhol. Pinocchio no quiere estudiar, y ademas miente. E essa maldita frase está cravada na minha mente. Basta alguém perguntar qualquer coisa que tenho vontade de responder: Pinocchio no quiere estudiar, y ademas miente.

Mas volviendo ao sal, apesar de toda a moda em torno dele, os atacamenhos não voltaram atrás: eles deixaram de extrair e de comercializar o sal daqui há quase duas décadas. O processo era muito caro. E, hoje, quem quiser experimentar o exótico sal do Atacama tem que fazer como djo. Afinal, de dulce, djá basta a bida, berdá?

>> Postado por Rita Lobo 17:35

Quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A gastronomia na arte

A gastronomia na arte

Estou com água na boca. Suspeito que meus olhos estejam brilhando. Até a respiração ficou um pouco mais ligeira. Tenho em mãos um catálogo. Mas não é um catálogo qualquer. É um presente da minha amiga W., que acaba de chegar de Paris. Foi à exposição La Gastronomie dans l’art, pensou em mim e trouxe o recuerdo.

“Da pintura flamenga à Andy Warhol”, a exposição reúne obras de artistas como Pablo Picasso, Jeff Koons, Henri Matisse. O único artista brasileiro, como não poderia deixar de ser, por sua Marylin de chocolate e seu monstro de caviar, é Vik Muniz. Mas a beleza do catálogo, ou melhor, da exposição, não é apenas a escolha das obras. A curadoria pode até ser considerada óbvia, mas realizada ficou surpreendente. O que liga uma obra à outra não é a cronologia ou a escola ou a origem do artista. É a etapa do preparo do prato e a ordem de serviço da refeição.

A exposição é dividida em seis fases. Ela se inicia em O Mercado, onde começa o preparo de uma refeição, depois vai para A Cozinha, de onde sai A Entrada, que é seguida por O Prato principal e, como mandam os costumes franceses, surgem As Frutas e os Queijos e, para finalizar, A Sobremesa.

Ou seja, uma tela de Lucas Von Valckenborch e George Flegel, que retrata o mercado de rua na Frankfurt de 1594, tem tudo a ver com o carrinho de supermercado dourado que, nas mãos da artista suíça Sylvie Fleury, virou escultura. E o homem que carrega as compras sem carrinho no supermercado virou objeto da fotógrafa Véronique Ellena, que também apresenta sua obra na primeira parte da exposição.

Quando o tema é A Cozinha, a geladeira da década de 1950 pintada por Jean Cocteau está ao lado da tela do século 17, de Erasmus Quellinus II e Adrian Van Utrecht, que retrata a cozinha escura de Marta, que prepara o almoço e ouve a conversa de Jesus e Maria. Desde aquele tempo tinha papo de cozinha! Em A Entrada, tem um arenque de Guido Mocafico, ostras de Bianca Sforni, mais ostras de Osias Beert, o caviar de Vik Muniz, um drink de Peter Stampfli, mais ostras de Henri-Charles Manguin e duas fotos de Natacha Lesueur.

Em O Prato principal, aparecem Keith Haring e Matisse. A banana da foto acima é uma escultura em bronze exposta entre As Frutas e os Queijos. E para A Sobremesa, Nutella espalhada na mulher nua, um filme de uma torta explodindo, um bolo de crochê, uma foto intitulada “Casamento”, com noivos e um bolo de quatro andares, tudo vermelho, e a Marylin de chocolate, de Vik Muniz. É de dar água na boca, mas a exposição acaba amanhã.

>> Postado por Rita Lobo 22:35

Quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Atacama

Atacama

Patrícia Li era minha sócia no nosso extinto restaurante Oriental. Foram três anos trabalhando lado a lado, não sei quantas horas por dia. (O restaurante ficava num flat e o funcionamento era do café da manhã até o jantar. Se, por um lado, isso significava uma boa receita, por outro, trabalhávamos muitas horas.) O Panelinha nasceu, a Patrícia começou a fazer catering e o restaurante acabou. Mas a amizade não. Nós ficamos ainda mais próximas. Se eu acreditasse em reencarnação, diria que fomos parentes em outras vidas. Irmãs, mãe e filha, filha e mãe. Mas desde que um astrólogo doidão me disse que eu tinha sido um camelo (e não uma rainha da França ou da Hungria), passei a desacreditar. E essa história eu já contei em outro post. O fato é que a Patrícia e eu somos unha e carne, mesmo não nos vendo diariamente. Mas não é por isso que considero o bufê dela dos melhores da cidade. Explico: a comida é deliciosa, a apresentação é um capricho só, o serviço impecável e o jantar fica com a cara do dono da festa. Ela não está nem aí se as pessoas vão ficar sabendo ou não quem fez o bufê. Ela não distribui cartãozinho para os convidados, é a discrição em forma de pessoa. Mas acho que ela não vai se incomodar por eu publicar aqui este e-mail que ela acaba de me mandar sobre a viagem que fez, semana passada, para o Atacama. As fotos confirmam o que ela diz: parece outro mundo!

Rita,

Passar alguns dias no deserto faz a gente ver a vida de uma maneira diferente. Em alguns momentos, eu me obrigava a lembrar que estava na América do Sul, no Chile, pois a paisagem leva você a pensar que está num lugar muito distante (até fora da Terra!). Mas não é sobre o deserto que quero contar. Fiquei num hotel incrível, não é o Explora que todo mundo conhece, mas um daqueles lugares especiais, chamado AWASI (casa de lagartixa), na cidade de San Pedro de Atacama.

Neste hotel que acomoda somente 16 pessoas tudo é incrível. A comida é um capítulo à parte. Eles oferecem sempre dois vinhos: um para entrada, quase sempre branco, e um tinto com o prato principal. Eles variam os Valles, como Casablanca, Rapel, Leyda, Limarí, Maipú, tudo para que se possa conhecer mais sobre os vinhos do Chile, o que é muito legal. E é claro, os vinhos sempre combinam com o prato.

Comi bastante abacate em sanduíches e em pratos frios; milho em purês, sopas e souflés, e peixes e frutos do mar (salmão, marisco, etc.).

ADOREI a sopa "En temperaturas" (hot e cold) com milho (mais quente) e abacate (mais fria), nos tons verde e amarelo e separadas por uma camada de amêndoas crocantes.

Na “cebiche” (ceviche) de tilápia com polvo, a cebola roxa foi cortada bem fininha e estava bastante suave.

Nos pratos principais, o fettuccini com "Rica Rica" (uma erva do deserto, que também faz um chá delicioso) e umas chuletas de cordeiro da Patagônia com uma salsa de vinho Carmenére. O Cliff amou (eu não como cordeiro...).

Uma sobremesa diferente foi o parfait de "lúcuma" (um fruto aromático chileno e de polpa pastosa) com chocolate branco e licor de laranja.

O serviço foi sempre perfeito e muito atencioso, tudo muito delicado e aromático.

E, para finalizar, no último dia, fiz uma massagem (andamos e escalamos algumas dunas, eu estava quebrada) que foi inesquecível. A massagista Karem tirou, como ela disse, “uma grande mochila” de minhas costas. Você iria adorar!

>> Postado por Rita Lobo 15:56

Sexta-feira, 13 de julho de 2007

Nina em NY

Nina em NY

Não faz muito tempo, a Nina Loscalzo, editora de culinária aqui do Panelinha, tirou uma semaninha de férias e se mandou para Nova York. Pedi a ela que anotasse tudo de gostoso que comesse para colocar aqui no Blog. Aí vai o relato cheio de dicas para quem vai aproveitar as férias escolares para viajar para lá. Se quiser se comunicar com a Nina, mande um e-mail para cozinha@panelinha.com.br.

Rita,

Fiz um tour gastronômico por restaurantes nada metidos e com comidas incríveis. No Le Bateau Ivre, ou barco bêbado, bistrozinho francês supercharmoso, comi um steak tartar espetacular. O Basso 56 é um italiano perto dos teatros da Broadway e lá experimentei um prato divino: escalopinhos de peixe branco na chapa com shimeji picadinho ao vinho branco e azeite trufado. Fico com água na boca só de lembrar! Outra sensação foram os moules (mariscos) com vinho branco e açafrão de um restaurante pequenino, no Meatpacking District, que é aquele bairro moderno, onde, até algum tempo atrás, só havia frigoríficos e matadouros. Legal, né? Ah, as batatas fritas do La bonne soup também precisam ser lembradas, as legítimas french fries! Definitivamente, as melhores que já comi na vida.

O Balthazar, no Soho, também valeu pela comida e pelo ambiente bonito e descolado. Lá, comi um ravióli de massa bem fininha, recheado com um creme delicioso de espinafre e nozes. Ai, ai...

O Chelsea Market, um mercado só de comida construído numa fábrica desativada, é o máximo! Esculturas modernas contrastam com o cenário de fábrica antiga e o mercado é um grande corredor com lojas de comida, empórios e restaurantes. A loja italiana quase me levou à falência. Eu queria trazer pinole, queijos e todas aquelas pastas maravilhosas com sálvia, açafrão, cogumelo. A loja de frutos do mar também era fora de série. Nos balcões, ficavam expostas as mais variadas espécies: atum, salmão, robalo, peixe-espada, siris, ostras, mariscos, ovas, camarões gigantes, lulas e polvinhos. Um colorido tão lindo que é de encher os olhos! No final da loja, para encher a barriga, três japoneses cortavam habilmente sashimis e preparavam sushis para a clientela.

Bem ao lado fica o restaurante Thai. Quis sair correndo em busca de uma máquina descartável, a digital resolveu dar “pobrema” bem nessa hora. Da janela, dava para ver o trabalho dos funcionários cozinhando legumes e noodles nas woks acopladas sobre as chamas enormes do fogão. Um espetáculo visual!

Para mim, o mais incrível disso tudo é pensar que todos os ingredientes que abastecem os restaurantes e os mercados vêm de fora da ilha. Todos viajam um bocado até o seu destino final e, mesmo assim, tudo é tão fresco, colorido e saboroso que parece que foram colhidos na hora. Ainda bem que foi só uma semana de orgia alimentar, senão acho que eu teria engordado uns 20 quilos num piscar de olhos. Mas eu já estou pensando em quando poderei voltar, hahahaha.

Bom, é isso Rituska...

Beijocas!

Nina

>> Postado por Rita Lobo 14:36

Segunda-feira, 09 de julho de 2007

Canibais literários

Canibais literários

Os índios tupinambás eram canibais. Mas a carne humana não era apenas alimento para o corpo. Na época de desova das tainhas, os índios pescavam aos milhares o peixe que migrava das águas frias do mar do sul para os manguezais do litoral norte. Depois, secavam a carne de tainha ao sol e, socando, faziam dela uma farinha que serviria de alimento para um exército de índios, durante os três dias de viagem até São Vicente. Lá, atacavam os tupiniquins, a tribo inimiga. Os índios capturados eram o prato principal da viagem de volta. Era o alimento do corpo. Mas não somente. Eles acreditavam comer também a força e a valentia do inimigo.

Borrachudos que vivem entre Ubatuba e Parati, ora terra exclusiva dos tupinambás, também são canibais. Digo isso sentindo na pele. Acham que pele branca é pele inimiga. Ou gostam de cheirinho de leite. Uma vez, no Japão, comentei com uma amiga que eu sentia cheiro de peixe no metrô lotado. Ela respondeu que para eles, japoneses, um ambiente fechado cheio de ocidentais cheira a leite. Somos o que comemos. E cheiramos ao que comemos. Não sei bem o que os borrachudos querem de mim, além do sangue com cheiro de leite. Vim passar uns dias na praia justamente porque estava sem forças. Mas eles não perceberam e continuam me picando.

Na sexta-feira à noite, fui me alimentar na Flip, a Festa Literária Internacional de Parati, que tem no nome a sua essência: é mesmo uma festa. E lotada! Na Tenda dos Autores, à mesa, Nadine Gordimer e Amós Oz. Ela, sul-africana; ele, israelense. Ambos vozes importantes dos conflitos de seus paises. Ele diz que a comédia e a tragédia são janelas da mesma paisagem. Está falando sobre a questão dos judeus e dos palestinos em Israel. Mas faço um mergulho rápido em busca da graça nas minhas pequenas tragédias imediatas. O mediador do debate conta que Amós lutou em duas guerras, mas nunca escreveu sobre o campo de batalha. O autor diz que já tentou – e promete continuar tentando –, mas não garante que um dia irá conseguir colocar em palavras algo que não há nada de familiar, para ninguém, nem mesmo para quem já esteve em uma guerra. Mas comprova a sua teoria das janelas, contando uma historinha. Na primeira vez que ficou frente a frente com uma tropa inimiga, e viu as armas apontadas em sua direção e na de seus homens, sua reação não foi a de atirar, ou de sair correndo, mas a de chamar a polícia. A platéia ri e aplaude. Ele conta que mora a 5 minutos do deserto. Às seis da manhã, começa o dia com uma caminhada. Andar pelo deserto o faz refletir sobre a importância das coisas e ajuda a colocar tudo em perspectiva. Quando chega em casa, ele liga o rádio e ouve no noticiário políticos dizendo palavras, como nunca, jamais, nunca mais e pensa: as pedras do deserto devem estar rindo deles! Volto para a minha viagem e avalio: talvez, colocadas em perspectiva, as pequenas ou até as grandes tragédias pessoais possam mesmo ganhar uma versão cômica. Olho ao redor e suspeito que, como eu, aquelas 799 outras pessoas da platéia são ali tupinambás, tentando extrair dos autores um pouco de força e de valentia para enfrentar os próprios conflitos. Ou simplesmente gostam de cheirinho de leite.

>> Postado por Rita Lobo 18:15

Quarta-feira, 04 de julho de 2007

A avó de Amós Oz

A avó de Amós Oz

Há alguns anos, fiquei com um pouco de preguiça dos livros infantis que lia noite após noite para o meu filho Gabriel. Fiz um teste: peguei o livro que estava na minha cabeceira e comecei a ler em voz alta. Não era um livro para criança, mas justamente naquele trecho, o autor contava sobre o foguete que, aos 8 anos, construiu com “peças de uma geladeira abandonada e restos de uma velha motocicleta.” Gabriel ficou em êxtase. Que idéia maravilhosa a daquele garoto de Israel! O foguete serviria para atingir o palácio de Buckingham, caso “sua majestade o rei da Inglaterra, o rei George VI, da Casa de Windsor” não saísse de Israel em seis meses: “o nosso Dia do Perdão se tornará o dia do Juízo final da Grã-Bretanha”.

O mesmo menino, anos depois, criou o movimento israelense Paz Agora.

De amor e trevas foi o único livro de Amós Oz que Gabriel e eu lemos – quando fui para Israel, ele quis saber se eu iria me encontrar com o menino do foguete. Hoje, contei para ele que o garoto de Israel, agora com 68 anos, estava em Parati. Gabriel está mais interessado no foguete. Eu estou ansiosa para assistir ao debate do autor com a escritora Nadime Gordimer que acontecerá na sexta-feira. Dei uma folheada no livro e achei um trecho de que não me lembrava. Fiquei com vontade de ler para você.

“Muitas vezes os fatos ameaçam a verdade. Escrevi uma ocasião sobre o verdadeiro motivo da morte de minha avó: minha avó Shlomit chegou a Jerusalém diretamente de Vilna, num dia quente de verão do ano de 1933. Lançou um olhar atônito aos mercados suarentos, às barracas multicoloridas, às ruelas fervilhando de gente, de gritos de vendedores, de zurrar de burros, de balidos de bodes, de cacarejar de galinhas amarradas pelos pés, de pescoços mudos e sangrentos de aves agonizantes, olhou para os ombros e braços dos homens orientais e para o escândalo das cores berrantes das frutas e verduras, olhou para as montanhas em volta e para as rochas solitárias nas encostas, e proferiu a sentença implacável: “O Levante é cheio de micróbios”.

(...)Como parte de sua inflexível guerra cotidiana contra os micróbios, vovó manteve, sem concessões, a rotina de ferver frutas e verduras. O pão era esfregado uma ou duas vezes com uma toalhinha umedecida em uma solução de desinfetante químico de cor rosada, chamado Káli. Depois de cada refeição, vovó não lavava os talheres, mas, como se tratasse dos preparativos para o Pessach, submetia-os a prolongada fervura, e fazia o mesmo com ela própria: cozinhava-se três vezes ao dia. Fosse inverno ou verão costumava tomar três banhos de imersão quase fervendo, como parte do seu combate diário aos micróbios. Ela foi muito longeva, os micróbios e os vírus a reconheciam de longe e se apressavam em mudar de calçada. Quando ela tinha mais de oitenta anos de idade, depois de dois ou três ataques cardíacos, o Dr. Krumholtz a advertiu: Minha cara senhora, se não desistir desses banhos escaldantes, não me responsabilizo pelo que poderá, Deus não permita, lhe acontecer.

Mas vovó não podia abrir mão de seus banhos. O horror aos micróbios era soberano. Morreu no banho.

De fato, teve um infarto.

Mas a verdade é que minha avó morreu por excesso de limpeza, e não de um ataque cardíaco. Os fatos têm o péssimo hábito de ocultar a verdade aos nossos olhos. A limpeza a matou. Talvez o lema da sua vida em Jerusalém, “O Levante é cheio de micróbios”, aponte para uma verdade anterior, mais essencial que o demônio da limpeza, uma verdade sufocada e escondida dos olhares, pois, afinal, vovó Shlomit viera para Jerusalém do norte da Europa Oriental, lugar não menos hospitaleiro aos micróbios do que Jerusalém, sem falar de todos os outros tipos de agressores.

(...)A verdade é que não era para se proteger das ameaças do Levante que minha avó mortificara e purificara o corpo em banhos escaldantes nas manhãs, tardes e noites de todos os dias de sua vida em Jerusalém, mas sim, ao contrário, pelo fascínio que seus encantos sensuais exerciam sobre ela, pela voluptuosidade de seu próprio corpo, pela atração poderosa dos mercados que transbordavam e fluíam e ondulavam impetuosos a sua volta deixando a quase sem respirar, com uma vertigem na boca do estômago e um incontrolável tremor nos joelhos pela abundância de verduras, frutas e queijos tentadores e pelos perfumes penetrantes, entorpecentes de todas essas comidas estrangeiras e estranhas que a excitavam, e as mãos gulosas e insaciáveis que apalpavam - penetravam até o mais recôndito das montanhas de frutas e verduras e os pimentões vermelhos, e as azeitonas temperadas, e toda nudez daquelas carnes polpudas sangrentas, sem pele e sem vergonha que balançavam nos ganchos das feiras, e todos os temperos, e os pós, e as especiarias, até o dissolver dos sentidos, até quase o desmaio, toda sorte de tentações lascivas que lhe lançava esse mundo amargo, azedo e salgado, e também a fragrância pungente do café que a penetrava até o fundo do ventre, e as grandes jarras de vidro cheias de bebidas de mil cores, e nelas pedaços de gelo e limão, e os carregadores do mercado, robustos, bronzeados, peludos, nus da cintura para cima, com todos os músculos das costas tremendo pelo esforço sob a pele quente, reluzindo ao sol, ensopada de suor. Quem sabe se o culto à limpeza de minha avó não passava de um traje de astronauta, hermético e esterilizado? Ou de um anti-séptico cinto de castidade com que ela cingira voluntariamente a cintura para se resguardar das seduções desde o primeiro dia em Israel? E que trancara a sete chaves, jogando-as fora depois?

Por fim, sofreu um ataque cardíaco que a matou. Um ataque de fato. Mas não foi o coração que a matou, e sim o excesso de limpeza. Ou antes, nem foi a limpeza, mas seus desejos ardentes e secretos a mataram. Ou melhor, nem foram os desejos, mas o pavor de vir a ser tentada pelos desejos. Ou – nem a limpeza, nem os desejos, nem o pavor dos desejos, mas a raiva inconfessa e permanente que tinha desse pavor, uma raiva sufocada, maligna, inesgotável, raiva de seu próprio corpo, raiva do seu desejo, e também outra raiva, ainda mais profunda, a raiva de fugir de seus próprios desejos, raiva opaca, venenosa, raiva da prisioneira e da carcereira, anos e anos de luto secreto pelo tempo vazio que passa e repassa sobre o corpo encolhido pela voracidade sufocada desse mesmo corpo. Foram esses os desejos, lavados milhares de vezes e ensaboados até a náusea, e desinfetados, e esfregados, e fervidos, esse o desejo do Levante, malcheiroso, suado, animalesco, delicioso até o desmaio, mas cheio de micróbios.

>> Postado por Rita Lobo 17:41

Quarta-feira, 04 de julho de 2007

Festa da Mandioca

Festa da Mandioca

Hoje começa a 5ª edição da Flip, a Festa Literária Internacional de Parati. E a cerca de 30 km dali, no sertão de Ubatumirim, acontece a 7ª Festa da Mandioca. Muito antes de autores consagrados, leitores engajados, de caiçaras ou até dos portugueses chegarem à região, os tupinambás já faziam da raiz seu principal alimento. Em “Duas viagens ao Brasil”, clássico livro de Hans Staden, publicado pela primeira vez em 1556, o autor descreve os usos e modos de preparo da farinha de mandioca, que basicamente permanecem os mesmos. Naquela época, os índios já tinham o tipiti, uma espécie de peneira fina de palha usada até hoje para extrair da mandioca o líquido, que serve para fazer a tapioca, e a massa, que, depois de torrada, vira a saborosa farinha da região.

A Festa da Mandioca é armada bem no meio do sertão, num campo cercado por árvores e riachos. Até o ano passado, tudo era bem rústico, mas, para a tristeza dos visitantes, as barracas de bambu foram substituídas por compensado. As receitas servidas, porém, continuam as mesmas. São dezenas de pratos salgados e doces preparados com mandioca. Vaca atolada, bolinhos recheados de carne-seca ou de carne moída ou de camarão, bolos bem molhadinhos e até mesmo um curioso brigadeiro de mandioca. Ubatumirim fica no km 16 da Rodovia Rio-Santos, entre Ubatuba e Parati.

>> Postado por Rita Lobo 16:27

Segunda-feira, 14 de maio de 2007

NYC num piscar de olhos

NYC num piscar de olhos

A Nina, Ninuska, essa moça compenetrada aí da foto, é quem testa as receitas, produz os pratos, escolhe as fotos e toca o dia-a-dia do Estúdio Panelinha. Mas esta semana ela está em Nova York. Foi passar uns dias de férias. E eu estou feliz da vida, pois acho que ela vai voltar cheia de idéias. Mas confesso que fiquei com um pouquinho de inveja. É, inveja. Uma semana em Nova York não me faria mal. E agora, não posso viajar. Mas, na aula de biologia, há uns 17 anos, aprendi que “o que difere o homem dos animais é a capacidade de lembrar do passado e planejar o futuro”. Por isso, vou tirar proveito da minha condição de ser humano.

Fecho os olhos e entro na Kitchen, Arts and Letters, uma livraria que, como você pode imaginar, é especializadíssima em livros de culinária e gastronomia. E os livreiros de lá sabem tudo. Tudo. Quero folhear o Paris Sweets: Great Desserts From the City's Best Pastry Shops, que por enquanto só vi pela Amazon. (Nina, juro que não é indireta!) A livraria fica lá em cima, na Lexington, entre as ruas 93 e 94, por isso, uma parada para almoçar no EAT se faz obrigatória.

Saladas incríveis, pães maravilhosos, sopas daquelas que aquecem a alma. (Meio brega, né? Mas é verdade.) É apenas uma deli, mas é a melhor deli do mundo. Com todas as comidinhas que a gente adora! Arenque, salmão defumado, pepino com dill, endívia com abacate, legumes grelhados, assados, salada de feijão-branco, de lentilhas, tabule, salada caprese, cogumelos-de-paris com alho-poró assado, salada toscana de pão, salada de batata com erva-doce... E isso não é nem a metade das saladas que ficam sorrindo para a gente no balcão. Depois tem as entradas frias, as quentes, os pratos principais... As sobremesas. Ah, as sobremesas. O EAT fica na Madison, entre as ruas 80 e 81. Isso significa que sou obrigada a caminhar uns 20 quarteirões até chegar lá. O que equivale a uma manhã inteira. É que o meu cartão de crédito adora passear na Madison e tenho que ficar entrando e saindo das lojas. E o sufoco que eu passo para controlá-lo? Mas o fato é que, mesmo que eu tivesse que andar mais 20, 30 ou 40 quarteirões como penitência (e se é para sofrer, que seja na Madison), eu não deixaria de comer pelo menos duas sobremesas. Raspberry tart, lemon tart, apple tart, chocolate cake, carrot cake, cheesecake. Abro os olhos.

Lembrei que a receita da cheesecake, que falei num outro post, já está pronta para ser incluída aqui no site. E sei que tem gente esperando.

>> Postado por Rita Lobo 22:03

Quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Falafel no bairro judeu

Falafel no bairro judeu

Passei mais horas num avião do que em Jerusalém. Tinha apenas um dia para conhecer, e comer, tudo o que eu queria. Para não perder tempo, Zvika, o meu guia, que conhece a cidade melhor que a palma da mão, decidiu dividir a visita em três etapas: a Cidade Antiga pela manhã, o Museu Yad Vashem à tarde e o mercado Machane Yehuda antes de escurecer. E para começar bem o dia, o melhor sanduíche de falafel do bairro judeu, segundo Zvika.

>> Postado por Rita Lobo 11:37

Quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

O Muro

O Muro

Por motivos óbvios, aqui no blog procuro contar apenas as experiências gastronômicas da viagem. Mas não há como ficar diante do Muro das Lamentações e não fazer nenhum comentário. À medida que eu me aproximava, um lado meu pensava: “Puxa, esse lugar é mesmo especial...” Aí uma outra voz surgiu: “Não acredito que você vai chorar.” Rapidamente a outra voz respondeu: “Não é choro, são apenas umas lágrimas.” A conversa dentro de mim continuou mais um pouquinho até que veio um longo silêncio (e muito mais que apenas umas lágrimas). Fala-se muito da manifestação da fé das pessoas diante do Muro, mas a sensação que me invadiu foi a de paz. É isso, uma paz que a pomba, ali paradinha numa pedra do Muro, representa tão bem.

>> Postado por Rita Lobo 11:36

Quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Lojinha

Lojinha

Na seqüência, fui conhecer os outros três bairros que, junto com o judeu, compõem a Cidade Antiga: o árabe, o armênio e o cristão. Comi Halva, aquele doce mais que doce de gergelim e que lembra uma paçoca, tomei café turco - que leva cardamomo, não é coado e é divino - e comprei umas especiarias nesta lojinha toda perfumada.

>> Postado por Rita Lobo 11:28

Quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

O gosto de Jerusalém

O gosto de Jerusalém

Por motivos que a razão não pode explicar, queria porque queria comer Meurav Yerushalmi, um prato típico de Jerusalém, que mistura carnes, peito de frango e miúdos (rim, fígado, coração de galinha) e é temperado com uma série de especiarias (cominho, pimenta-do-reino, cardamomo). O preparo é na chapa, com bastante cebola e alho, e o prato vem acompanhado de salada e pão pita. Somente agora me ocorre que os sabores e aromas intensos do prato são exatamente como Jerusalém.

>> Postado por Rita Lobo 11:27

Sexta-feira, 09 de fevereiro de 2007

A seguir...

A seguir...

Já falei aqui que sempre tenho a sensação de que blogs são escritos de trás para frente... Por isso, vou contar a minha viagem (que explica o meu sumiço aqui do blog) do último para o primeiro dia. Assim, se alguém tiver o mesmo problema que eu, vai se sentir em casa. Amanhã, conto tudo sobre o primeiro dia em Jerusalém. Veja abaixo como foram os dois últimos dias da minha longa viagem de três dias...

>> Postado por Rita Lobo 19:22

Sexta-feira, 09 de fevereiro de 2007

Segundo dia: a vinícola

Segundo dia: a vinícola

De Tel Aviv para o Domaine du Castel, uma das principais vinícolas de Israel, o percurso leva menos de 1 hora. Mas o clima mais fresco e a paisagem mais verde nos transportam para um lugar distante. A minha ignorância sempre associa a produção de vinhos a cenários europeus. Mas fala a verdade, não parece uma propriedade na Itália?

>> Postado por Rita Lobo 18:35

Sexta-feira, 09 de fevereiro de 2007

Boutique wine

Boutique wine

Os israelenses “rotulam” o Domaine du Castel como um boutique wine. Confesso que nunca havia escutado essa expressão. Claro que dá para entender que é um vinho produzido em pequena escala (de fato, são apenas 8 mil garrafas por ano). Para a minha surpresa, joguei Castel no Google e encontrei uma lista de seis produtores considerados “boutique”.

>> Postado por Rita Lobo 18:34

Sexta-feira, 09 de fevereiro de 2007

Domaine du Castel

Domaine du Castel

Eli Ben-Zaker, o produtor, é filho de pai egípcio e mãe italiana, cresceu na Inglaterra e, na década de 70, mudou-se com a mulher, Monique, e os três filhos para Israel. Foi dono de granja, teve um restaurante em Jerusalém e, há 10 anos, decidiu montar o Domaine du Castel.

>> Postado por Rita Lobo 18:33

Sexta-feira, 09 de fevereiro de 2007

Gran Vin

Gran Vin

O Domaine du Castel produz apenas três tipos de vinho, dois tintos e um branco. O Gran Vin (um blend das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e um pouco de Petit Verdot) é o melhor - e mais caro - e, até agora, a melhor safra foi a de 2001. Somente a partir do ano passado, porém, o vinho passou a ser kosher. Para saber mais, clique em links ao lado.

>> Postado por Rita Lobo 18:32

Sexta-feira, 09 de fevereiro de 2007

Cozinha de estar da Monique

Cozinha de estar da Monique

Essa é a cozinha da Monique, dona da vinícola, que preparou pessoalmente um almoço incrível para vinte pessoas!

>> Postado por Rita Lobo 18:32

Sexta-feira, 09 de fevereiro de 2007

Frutas secas

Frutas secas

Não é demais esse prato de frutas secas? Eu nunca havia comido lichia seca...

>> Postado por Rita Lobo 18:31

Sexta-feira, 09 de fevereiro de 2007

Sexta-feira: cholent no forno

Sexta-feira: cholent no forno

Por algum motivo sem pé nem cabeça, estou obcecada por Cholent, um clássico da culinária judaica, que não faz o menor sentido ser servido quando o clima está acima de 12ºC. Isto é, feijoada também não faz esse sentido todo e é o mais brasileiro de todos os pratos. Aliás, acaba de me ocorrer que um amigo chama o Cholent de feijoada polonesa. O prato começa a ser feito na tarde de sexta-feira, antes do pôr do sol, e fica cozinhando até o almoço do sábado. Cada família tem a sua receita.

Nesta, preparada pelo pai da minha anfitriã em Israel, vai ossobuco, músculo, dois tipos de feijão, cevadinha, batata, cebola frita, páprica, louro, folhas de salsão, casca de cebola (sim, a casca), pimenta-do-reino em grão e sal. Os ingredientes são adicionados na panela em camadas e, por último, rega-se uma boa quantidade de caldo de frango. A panela vai ao fogo e ferve por 1 hora. Depois, vai ao forno bem baixo e fica cozinhando a noite toda. Tanta espera vale a pena: o resultado é um prato que perfuma a casa toda e alimenta o corpo e a alma. A receita, tim-tim por tim-tim, eu vou colocar no site assim que eu testar as quantidades certinhas.

>> Postado por Rita Lobo 12:39

Quarta-feira, 07 de fevereiro de 2007

Israel - Day 3

Israel - Day 3

Você imagina Israel verde assim? No terceiro e último dia da minha curtíssima viagem, fui visitar uns amigos que moram a duas horas de Tel Aviv. Achei bonitinhas essas placas indicando o caminho. Bom, amanhã conto mais... Até lá!

>> Postado por Rita Lobo 18:01

Quarta-feira, 07 de fevereiro de 2007

O Cafe

O Cafe

O Cafe Klil foi uma surpresa, até para os meus amigos israelenses. Fica no meio do nada, só abre no final de semana e serve as coisas mais deliciosas que uma pessoa pode pensar em comer num dia frio depois de uma caminhada. Tamy, a proprietária, é também a cozinheira. Ela serve comida vegetariana inspirada nos sabores da Índia, pratos da cozinha sefaradi e sobremesas que ninguém consegue dizer não: torta de maçã, bolo quente de chocolate... E o ambiente é mágico.

>> Postado por Rita Lobo 17:39

Quarta-feira, 07 de fevereiro de 2007

Pit Stop na Itália

Pit Stop na Itália

Sempre tenho a sensação de que blogs são lidos de trás para frente. Em alguns, quando fico um pouco perdida, desço até o primeiro post para tentar entender o mais recente. Por isso, vou contar a minha viagem (que explica o meu sumiço aqui do blog) do último para o primeiro dia. Assim, se alguém tiver o mesmo problema que eu, vai se sentir em casa.

A última refeição, depois de três dias em Israel, foi na Itália. Explico: o vôo fazia escala e dava tempo de almoçar em qualquer restaurante que ficasse próximo ao aeroporto de Malpensa. Por sugestão de um amigo, fui ao Al Sorriso, nada mais nada menos que um três estrelas do Michelin. Mas a graça toda, para mim, é que a chef Luisa Valazza, também vencedora do Grand Prix dell'Academie Internationale de Gastronomie, nunca pôs os pés numa escola. Ela é nascida e criada em Soriso e, com o marido, é proprietária do restaurante. A cidade fica em Piemonte, região das famosas trufas italianas. Logo, precisei comer um prato clássico da casa: batata assada, recheada com gema de ovo (que chega à mesa ainda crua) com trufa fresca ralada na hora. Desculpa, tá?

>> Postado por Rita Lobo 16:34

Sábado, 13 de janeiro de 2007

Fim de semana carioca

Fim de semana carioca

Havia uma época em que a culinária carioca era sinônimo de comida de boteco. As pessoas discutiam para eleger o melhor bolinho de bacalhau, o melhor chope, o pastel mais sequinho. Ainda hoje, quem quiser cair de boca nesta culinária não irá encontrar nenhuma restrição, a não ser médica. Mas a verdade é que, aqueles que procuram uma alimentação saudável, inclusive quando comem fora, irão encontrar opções saborosas a cada esquina. Literalmente. As casas de suco estão em metade das esquinas da zona sul. Mas é no coração do Leblon que está a Meca desta nova culinária carioca. Isto é, não que o estabelecimento seja novo – tem mais de 20 anos! O Celeiro, uma deli recheada de produtos orgânicos, é o mais bem sucedido representante do movimento iniciado na década de 80, que levou, por exemplo, o sanduíche natural à praia, e culminou numa busca coletiva por uma alimentação consciente. As proprietárias, Rosa Herz e suas duas filhas, Lúcia e Bia, conseguem unir conceitos de nutrição a valores de gastronomia. Tudo é saudável, tudo é divino e ainda tem um sabor de novidade. Elas estão sempre testando, inventando e apresentam combinações de ingredientes pouco óbvias. Os pães são integrais, os doces têm menos açúcar refinado, as folhas são orgânicas, as saladas misturam grãos, legumes, verduras e frutas em mais de vinte opções dispostas no bufê. Ali, entre um almoço e outro, aprendi que tudo que é saudável, com um pouco de pesquisa e teste, pode se transformar numa salada incrível.

Há inúmeros restaurantes naturais no Rio, mas o curioso é que até numa pizzaria é possível encontrar opções saudáveis que dão água na boca. Na Capricciosa, a mesa de antepasto é uma prova disso (aliás, sinto informar, mas a melhor pizza do Brasil não está em SP! Nada se compara a marguerita gourmet desta pizzaria). Abobrinhas e berinjelas cortadas em lâminas finas como papel são grelhadas à perfeição; a mussarela de búfala, sempre fresquíssima, é par-perfeito para o tomate, de ótima qualidade, naturalmente adocicado. A nova culinária carioca é natural, sem ser natureba, é leve, mas não é light. Para uma paulistana como eu, fica claro que a paisagem e a busca pela boa forma se refletem na culinária local.

Ah! Essa foto maravilhosa é do Cesar Barreto, um fotógrafo incrível que registra imagens do Rio como ninguém.

>> Postado por Rita Lobo 20:22

PERFIL
  • Rita Lobo é obcecada por comida. Por isso, em 1995, fez um curso de formação de chef nos EUA. De lá para cá, teve restaurante, escreveu para o jornal Folha de S.Paulo, publicou o livro Cozinha de estar, lançado pela editora Conex, e há oito anos comanda o site Panelinha.

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