Quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Amaury Jr., le vin e eu
Este vai ser um post confuso: são muitos assuntos. Vou começar pelo Amaury Jr. E, apesar das fotos, ele não está fazendo pães. (Já avisei que são muitos assuntos!) Acontece que, na semana passada, encontrei com ele logo na entrada do evento de uns amigos. Sem microfone na mão, ele me perguntou as novidades. Falei do One is Fun, comentei que estou terminando de escrever um novo livro... “Qual o título?”, ele me perguntou. Pois é, ainda não sei... É um livro de crônicas e receitas. Ele fez um sinal para o produtor dele e, em menos de um minuto, estávamos gravando. Em tom Amaury Jr, ele começou: “Procura-se um título desesperadamenteeeee! Rita Lobo vai lançar livro novo e ainda não sabe o título... Rita, vamos lançar um concurso...” Bom, quem viu, viu. E tenho a impressão de que o programa foi ao ar ontem: já recebi 107 sugestões!
Aliás, quero aproveitar para culpar o livro pelo meu sumiço aqui do blog. (É mentira, é pura falta de assunto.) Por conta dele, também, andei relendo causos antigos e, no post intitulado Sabendo levar (pelo menos os meus posts têm nome!), vi que já falei o que eu queria dizer sobre o restaurante Le Vin: ele se encaixa na categoria “sabendo levar, São Paulo é melhor que Paris!” Mas precisa saber levar...
A Nancy e o Francisco, proprietários do Grupo Le Vin, são velhos amigos. Faz tantos anos que nos conhecemos que eu já perdi as contas. E somos vizinhos de bairro, nos encontramos na rua quase que diariamente. Há meses acompanho a reforma do imóvel que fica na frente do bistrô da Al. Tietê. E com aquele jeito todo doce, Nancy ia me contando os planos para o novo negócio. “Vai ter patês, tortas, massas, molhos, tudo para levar para casa. Ah, e pães...”
Amanhã, dia 28, o Le Vin Bolangerie abre as portas. Mas hoje fui experimentar os pães. Quem me recebeu foi o chef pâtissier Henri Schaëffer, que está no comando da padaria. Ele quer reproduzir pães franceses artesanais. Por isso, muitas das novas receitas são feitas com fermento natural, que confere um sabor diferente aos pães e também os torna mais saudáveis. “Por ser mais ácido, o fermento natural exige um período maior para a fermentação, que dura cerca de 18 horas. Com isso, o fermento natural absorve mais amido da preparação. Quando o amido é digerido pelo nosso organismo, ele vira açúcar. Logo, um pão com menos amido, significa menos açúcar no corpo”, explica o chef. Ele ainda afirma: “Pão não engorda, o que engorda é o que você passa nele...”
Bom, voltando ao Amaury Jr., não que ele precise de sugestões de pauta, mas aqui vão algumas das novidades do Le Vin Bolangerie:
Pão surpresa
Parece um bolo é a sugestão da casa para festas e reuniões. Decorado com uma flor, ele é na verdade oco. A surpresa acontece quando o pão é aberto: dentro dele há vários mini club sandwiches e os recheios são bem variados, como salmão, roquefort, presunto cru, legumes...
Pão decorado com trigo
Uma outra opção para festas, este pão enfeita qualquer mesa. Faz vista. Pode ser feito com farinha de trigo refinada ou integral, dependendo da vontade do cliente.
Pão decorado com uvas
Além da “plaquinha” com o marca Le Vin, este pão é decorado com uvas: bolinhas de massa que parecem implorar para serem comidas. É difícil resistir não arrancar pelo menos uma!
Pão de campagne
Este é feito com um pouco de fermento biológico e um pouco de fermento natural e, em vez de farinha de trigo refinada, leva farinha de centeio.
Pão integral de azeitonas
Bom, bonito, gostoso e saudável. É feito com farinha integral e azeitonas pretas inteiras.
Pães integrais
A linha de pães integrais da Le Vin Boulangerie é bem farta: com semente de girassol, cinco cereais, centeio.
Baguete de Campagne
Diferente da tradicional, esta versão mais saudável é feita com fermento natural.
Viennoiseries
Pães mais adocicados (tem até com gotas de chocolate), brioches...
Pão esportivo
O chef Henri Schaëffer elaborou esta receita para esportistas e pessoas que se preocupam com a alimentação. Feito com frutas desidratadas, é rico em fibras. “Uma opção muito saudável para quem não abre mão do seu lado gourmet”, conclui o chef.
Le Vin Boulangerie - Alameda Tietê, 179 – Tel.: (11) 3063-1094
Le Vin Bistro Jardins - Alameda Tietê, 184 - Tel.: (11) 3081- 3924
Le Vin Bistro Itaim - R. Paes de Araujo, 137- Tel.: (11) 3168-3037
Le Vin Bistrô Higienópolis – R. Armando Penteado, 25 – Tel.: (11) 3668-7400
>> Postado por Rita Lobo 19:13
Segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Croquete, empadinha e cajuzinho
Era o ano de 1995 quando ganhei da minha mãe Não é Sopa, de Nina Horta. Não por acaso, foi o ano em que o livro foi lançado. Por acaso, foi também o ano em que me formei em gastronomia. Para mim, o livro foi uma revelação: descobri o que eu queria ser-quando-crescer: queria ser a Nina Horta. Mas isso não dá. É pedir demais. Então, decidi que escrever sobre comida seria suficiente.
Logo em seguida, por um desses acasos da vida, passei a escrever para a Revista da Folha e, esporadicamente, para o jornal também. Quer dizer, não foi bem um acaso, foi graças ao meu amigo Matinas Suzuki Jr., por intermédio do Mário Vitor Santos, então editor da Revista. A Nina era colunista do jornal. E acho que, por isso, um dia nos conhecemos. Ela foi mais que simpática, papeou, papeou, e parecia inquieta com uma pergunta. Uma hora ela não resistiu e perguntou: “O que uma moça tão bonita quer fazer na cozinha?” Respondi em pensamento: fique tranqüila, beleza passa. Depois fomos almoçar, nos encontramos aqui e ali e, nos últimos 12 anos, devo tê-la encontrado uma dezena de vezes. No máximo.
Vira e mexe eu mando um oizinho daqui, e ela manda um oizinho de lá. Na semana passada, Nina veio almoçar na minha casa. Uma amiga em comum está tentando nos juntar num projeto que nenhuma das duas tem tempo de fazer, mas a gente vai dar um jeito. No meu caso, claro, só para poder estar mais perto dela.
A amiga em questão é do tipo que passa trote, como eu, aliás. Uma vive tentando pegar a outra. Ela se chama Letícia. Imagine uma gargalhada. Agora transforme essa gargalhada numa pessoa. Pronto, essa é a Letícia. Quando marcamos o almoço, ela me perguntou se precisava levar alguma coisa. Disse fazendo voz e sotaque de italiana do Brás: “quer que eu leve uma bandeja de empadinha ou de croquete?”. E eu respondi: “faz assim, ó: você traz as empadinha e manda a Nina trazer os croquete, mas avisa que eu não tô mais comendo fritura, então os croquete têm de ser assado. Os cajuzinho é por minha conta, tá?”
No dia do almoço, as duas chegaram em casa, não pontualmente, porque isso em São Paulo não existe mais. Nina chegou se desculpando que não deu para trazer os “croquete”, mas trouxe um maço de neen arrancado do jardim da casa dela. Neen é o segredo do brilho dos cabelos de Nina. Eles reluzem. Depois contou que a secretária passou a semana ligando para lembrá-la do diacho da bandeja e que, por mais que ela dissesse que era uma brincadeira, a secretária não acreditava. Dessa vez, quem caiu foi a secretária da Nina, coitadinha!
Passamos o almoço falando de absolutamente tudo, menos do projeto. Marcamos outro encontro. Ou vai ser na casa da Nina ou da Letícia, que tem uma mesa de pingue-pongue em lugar de mesa de jantar. Estou tão ansiosa que já estou até preparando as “coxinha” para o almoço. E vou me esforçar para chegar na hora.
>> Postado por Rita Lobo 18:50
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Rita Lobo é autora dos livros A conversa chegou à cozinha, crônicas e receitas (editora Ediouro), Culinária para bem estar, receitas antiTPM (editora Panelinha) e Cozinha de estar (editora Conex). Formada em gastronomia nos EUA, a chef começou a escrever sobre comida em 1995, no jornal Folha de S.Paulo. Em 2000, criou o site Panelinha, que dirige até hoje.
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