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Terça-feira, 31 de julho de 2007

Francês com sotaque

Francês com sotaque

Não é fino, mas ADORO escutar conversa da mesa ao lado. Acontece que, às vezes, o feitiço vira contra o feiticeiro. Não que alguém tenha escutado alguma confissão minha, feita a uma amiga íntima numa mesa de restaurante. É que, no domingo passado, ao meu lado, estava um caloroso neto que passou o almoço inteiro conversando com o avô surdo. Surdinho da Silva. E a avó era muda. Não emitiu opinião sobre nada. E olha que o assunto era comida! Não em geral, mas a do restaurante em questão. “VÔ, O SENHOR VAI QUERER O ESCALOPE OU O MEDALHÃO AO MOLHO MOSTARDA? O SENHOR ADORA MOLHO MOSTARDA, NÃO É?” Ele tinha lido no menu, porém, que o tradicional Festival do Cordeiro já tinha começado. Estava em dúvida entre as costeletas e o pernil. Mas queria as batatas fritas! “DAS FRITAS O SENHOR NÃO ABRE MÃO!”, gritava o sorridente rapaz.

Se por um lado não consegui mais prestar a atenção na conversa da minha mesa, por outro, fiquei sabendo tudo sobre a história do Freddy e, principalmente, as preferências gastronômicas daquele senhor, que, provavelmente, freqüenta o restaurante desde 1935, quando foi inaugurado. Ele contou ao neto que o primeiro endereço era no centro. “Como era mesmo o nome da rua, Josefina?”, e a avó nem os olhos piscava. Mas o neto não titubeava, “NÃO ERA NA CONSELHEIRO CRISPINIANO, VÔ?” E depois, em 1954, o Freddy foi para a Praça Dom Gastão Liberal Pinto, onde ficou até poucos meses atrás. Eu ia pouco, mas adorava aquele salão.

Há alguns anos, faço parte do júri da edição Comer e Beber da revista Veja São Paulo. E nunca a categoria cozinha francesa esteve tão agitada. O chef Pascal Valero, que veio para o Brasil em 2002 chefiar a cozinha do restaurante Eau, foi para o Le Coq Hardy. O Allez, Allez! ganhou um irmão caçula, o Le Petit Trou, também chefiado por Luiz Emanuel Cerqueira. E o Freddy, que já mudou de dono algumas vezes, mudou para a Rua Pedroso Alvarenga.

Apesar da indicação involuntária do avô do rapaz ao lado, pedi o pato assado com maçãs e ameixas. E estava bom. Bem bom. Mas pelos humms! do avozinho, as costeletas de cordeiro estavam melhores. E as batatas fritas continuam um primor!, exclamava o senhor. E eu não posso deixar de concordar. (Pedi uma porção à parte.)

Apesar do novo endereço, o cardápio e a execução dos pratos continuam idênticos. E o motivo é simples: o chef Geraldo Rodrigues está na casa há mais de 40 anos. Isto é, chef Geraldo Rodrigues para nós, para o meu vizinho é o chef Leléo. E, por isso mesmo, a cozinha do Freddy fala bem francês, mas tem sotaque brasileiro. No começo da carreira do chef, mostarda de Dijon, só em Dijon mesmo. E o tão apreciado molho mostarda precisava ser feito com mostarda nacional. E depois de tantos anos servindo o molho assim, fazer um molho com a mostarda certa parece errado. O nosso senhorzinho da mesa ao lado certamente reclamaria. RECLAMARIA OU NÃO? Acho que sim. E ele está certo. Se quiser o molho mostarda feito com mostarda Dijon, que vá a outro restaurante!

O Freddy fica na Rua Pedroso Alvarenga, 1170 - Itaim São Paulo - SP Tel: (11) 3167-0977

>> Postado por Rita Lobo 17:37

Segunda-feira, 30 de julho de 2007

Pepinos, abacaxis e limonadas

Pepinos, abacaxis e limonadas

Comentar o que assistiu na televisão no domingo à noite é um abacaxi, eu sei. Mas como não dizer nada sobre as metáforas do presidente da Infraero, José Carlos Pereira? “Os pepinos fazem parte da vida, certo? O importante não é o pepino, o importante é saber lidar com o pepino. É saber cozinhar o pepino, cortá-lo corretamente. Ter inteligência para trabalhar com os pepinos e principalmente ter calma para se trabalhar com o pepino”, disse o brigadeiro. E o Fantástico aproveitou para fazer uma matéria com uma cozinheira que analisou os conhecimentos culinários do presidente da Infraero. “Não acho que tenha segredo para trabalhar com pepino. Pepino é um dos ingredientes da cozinha, como outro qualquer”, disse ela. E qual era o nome da cozinheira? Dona Chupetinha! É fantástico! Fala sério, onde é que eles acharam alguém que se apresenta como Dona Chupetinha? Será que era uma singela homenagem à nossa ministra? Que abacaxi que a senhora pegou, hein, dona Marta? Ah, ontem vi também, num outro programa de TV, um rapaz vestindo uma camiseta com a frase: "Marta says relax!". Acho que esse limão não vai dar para transformar em limonada, né, dona Marta? Então, relaxa...

>> Postado por Rita Lobo 13:27

Quinta-feira, 26 de julho de 2007

A origem

A origem

A Tatu, do Mixirica, acaba de me mandar um e-mail dizendo que já passou pelo mesmo que eu em busca das minipessoas. E ela descobriu a origem das fotos! Veja o site Minimiam dos artistas Akiko Ida e Pierre Javele. Mas já vou avisando que, por algum motivo, que vai da minha falta de paciência para esperar o site carregar a provável incompatibilidade do site com Mac, não consegui ver as fotos lá. Outra hora eu tento. Tatu, muito obrigada pelo seu e-mail.

>> Postado por Rita Lobo 18:07

Quinta-feira, 26 de julho de 2007

Semente de melancia

Semente de melancia

Mais uma fotinho da série...

>> Postado por Rita Lobo 13:46

Quinta-feira, 26 de julho de 2007

"Trabalho em miniatura"

Além de estar sem palavras, para o post anterior não consegui pensar em nenhuma imagem. Resolvi postar assim mesmo, sem palavras e sem imagem. Mas olhando os meus e-mails antigos, achei umas fotos enviadas pela minha amiga Mariana Villas-Bôas, que dizia apenas, “lembrei de você”. Na época, liguei para saber mais informações, mas ela também as havia recebido por e-mail e não sabia nada sobre a origem. Bati os olhos nessa imagem de homenzinhos jogando sobre os ovos e, de alguma forma, achei que ela ilustra um pouco a maneira como estou me sentindo: uma miniatura pisando em ovos. As imagens, que chegaram a mim sob o título “Trabalho em miniatura”, são ótimas e ficam melhores ainda quando não há nada para dizer. Vou postar algumas e, se alguém souber algo sobre elas, me avise, por favor.

>> Postado por Rita Lobo 13:37

PERFIL
  • Rita Lobo é obcecada por comida. Por isso, em 1995, fez um curso de formação de chef nos EUA. De lá para cá, teve restaurante, escreveu para o jornal Folha de S.Paulo, publicou o livro Cozinha de estar, lançado pela editora Conex, e há oito anos comanda o site Panelinha.

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