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Sexta-feira, 29 de junho de 2007

Pudim do João

Pudim do João

Quando eu era solteira, não entendia como as mulheres, senhoras casadas, mães de um ou mais filhos, podiam passar um jantar inteirinho falando sobre a incompetência da empregada, a genialidade dos filhos e as manias do marido. Espere, não vou fazer uma ode às rainhas do lar! Mas parece que tudo tem sua fase. Vira e mexe me pego reclamando da empregada. Com as amigas mais íntimas, o marido sempre vira assunto. E os filhos, se bobear, são tema de competição: “acontece que o meu filho falou, mamãe, com sete dias de vida!” E o pior é que os meus enteados também entram nessa categoria. Mas eles são talentosos. Não é porque o João Wainer é meu enteado, porém, que eu quero que você leia um post do blog dele intitulado Pudim . É porque é bom. Muito bom. Cinematográfico. A foto ao lado também é dele (eu copiei do post). Aliás, estou pensando seriamente em fazer uma seção “posts da semana”. Se você leu algum texto de blog que gostou e que, de alguma maneira, fale sobre comida, mande para mim pelo e-mail rita@panelinha.com.br.

>> Postado por Rita Lobo 00:10

Segunda-feira, 25 de junho de 2007

Top 5 do fim de semana

Top 5 do fim de semana

Este fim de semana foi especial. Por vários motivos. Mas não vou comentar as coisas incríveis que meus filhos fizeram. Nem falar das pequenas surpresas que a vida, às vezes, nos apresenta. Vou falar do nosso assunto em comum: comida. Para facilitar – a minha vida, não a sua – resolvi fazer um top 5 do meu fim de semana.

1. A.K. Delicatessen, de Andrea Kauffmann

A chef tem cara e pele de boneca (aliás, eu sei o segredo dela... Um dia, se ela permitir, eu conto aqui). E restaurante é a cara dela! O salão superior mais parece uma casinha de boneca. Pequenino, é forrado com listras de variados papéis de parede, todos em estilo rococó. Mas para subir, é preciso passar pelo térreo, onde fica a delicatessen. Pratos típicos da culinária judaica são vendidos por quilo e podem ser consumidos ali ou levados para casa. Arenque marinado (com creme, cebola e maçã-verde), salada de batata com mostarda em grão, gefilte fish, salmão marinado, o pastrami é delicioso. Tudo é “feito em casa”. Tudo bem tradicional. O balcão-vitrine ainda apresenta diversas saladas, pastas e sanduíches. Tem também borsch, aquela clássica sopa de beterraba.

No andar de cima, Andrea mostra um outro lado da culinária judaica: o dela. O mergulho nas próprias raízes é apenas o ponto de partida para criações, como varenikes de batata-doce com haddock. Divino! O restaurante fica na rua Mato Grosso, 450, Higienópolis, (11) 3129-7359.

2. Anthony Bourdain: Afinal, as Receitas do Les Halles - Nova York

Antes de falar bem do livro, preciso confessar que não gostei de Cozinha Confidencial e muito menos de Em Busca do Prato Perfeito. O segundo nem sequer consegui terminar de ler. Mesmo assim, resolvi comprar o mais recente livro do autor, o primeiro de receitas. Estou maravilhada! Elas são explicadas tim-tim por tim-tim e, além dos ingredientes, há a lista de equipamentos necessários para o preparo de cada receita. O melhor de tudo é o jeitão bate-papo com que o autor descreve cada passo da receita. Numa etapa do preparo da vichyssoise ele diz: “Agora vem a parte complicada. Sem pressa e em pequenos lotes, bata a sopa no liquidificador até virar um creme. Nunca encha o copo do liquidificador (até a metade está bom) e verifique se a tampa está firme. Quando ligar o aparelho, coloque o seu peso sobre a tampa para o copo não balançar. Ninguém gosta de ficar com a cara coberta de purê quente de batata e alho-poró. Ouça meu conselho. Dói pra caramba. Esse é um dos acidentes mais comuns na cozinha profissional, por isso, tome cuidado.”

Saiba mais sobre o livro no site da Fnac...

3. Time Summer Jorney Special Issue: We Are What We Eat

“Somos o que comemos” é a matéria de capa da revista Time International. E o tema desta edição especial é comida. Imperdível! E você nem precisa comprar a revista, as matérias completas estão disponíveis no site da Time, clique aqui.

4. Comer na frente da televisão

Na minha casa, não pode. (Acabo de lembrar que, quando eu era criança, um dia, a televisão foi para o conserto. Dois anos depois, continuava lá. E era a única televisão da casa. Coisas do meu pai.) Mas, neste sábado, terminamos de arrumar a sala de brinquedo das crianças. Tem mesinha, cadeirinhas, sofá cheio de almofadas e televisão. E, na hora do jantar, ninguém queria sair de lá. Nem eu. Teve quibe, esfiha, coalhada, babaganuch, pão pita e... Backyardigans!

5. O e-mail da Ana Paula Ruy Cardia

Ana,

Como você, eu também gosto de escrever. Às vezes, gosto do que escrevo. Em outras, fico torcendo para ninguém ler. E estou atravessando essa fase. O seu e-mail, porém, me deu, além da alegria, muita motivação. Lembrei de uma frase do Amós Oz, talvez o mais importante escritor de Israel, que diz: “É muito melhor procurar não no terreno que fica entre o escritor e a sua obra, mas justamente no terreno que fica entre o texto e seu leitor.”

Adorei o jeito como você lê o meu blog. Obrigada. Bom, mas se você não é a Ana, e quer saber por que eu escolhi agradecer um e-mail como top 5, dê uma espiada no blog dela: kitchenspace.blogspot.com. Clique aqui.

>> Postado por Rita Lobo 01:21

Sexta-feira, 22 de junho de 2007

Vinho anticelulite!

Vinho anticelulite!

A nutricionista Marcia Daskal acabou de dar um pulo aqui no Estúdio Panelinha. Conversa vai, conversa vem, ela me disse que vinho ajuda a diminuir a celulite! O quê? Vinho é anticelulite? Bom, ela explicou o seguinte: “Vinho é bom para a saúde, todo mundo sabe. O que pouco se fala é que o vinho tem o poder de dilatar todos os vasos, e não só aqueles ligados ao coração. Curiosamente, a combinação entre essa capacidade vasodilatadora e as propriedades antioxidantes pode ajudar a diminuir os efeitos da celulite!”

Mas como nem tudo são flores, ela também explicou que: “Como o álcool é muito calórico e se transforma gordura, melhor ainda é apelar para o suco de uva que também contém os mesmos fenóis do vinho.”

Perguntei por que não havia me dito isso antes! (Brinquei que acredito no poder da mente: se, a cada taça de vinho que eu tomar, eu mentalizar que a minha celulite está diminuindo, em uma semana minhas pernas estarão lisinhas!) Ela explica: “A ética impede médicos e nutricionistas de indicar o consumo regular de vinho: fica difícil prever quem tem ou não propensão ao alcoolismo. Os povos mediterrâneos costumam consumir entre uma e duas taças de vinho por dia. Embora não exista uma quantidade padronizada, muita gente acaba consumindo a clássica uma taça de vinho, inspirando-se no hábito mediterrâneo.”

O melhor mesmo é que saber dessa propriedade do vinho certamente vai deixar qualquer brinde ainda mais gostoso. Saúde!

>> Postado por Rita Lobo 18:13

Sexta-feira, 22 de junho de 2007

NYC Food Film Festival

NYC Food Film Festival

Hoje, às 20 horas, você poderá assistir ao curta, curtíssimo, Tasting Rachael Ray. Isto é, se você estiver em Nova York. Lá, acontece o primeiro NYC Food Film Festival. Pelo nome do evento, fiquei com água na boca. Mas passei batido pelo fato de que é um festival. Fiquei imaginando uma maratona com todos os filmes que a gente ama assistir. Mas não é bem isso. É um festival de filmes sobre comida, organizado por um restaurante, o Water Taxi Beach, em Long Island, que irá premiar filmes como o Tasting Rachael Ray de Naomi Leibowitz.

Rachael Ray é uma espécie de Nigela Lawson norte-americana. (Nenhum dos vários programas de televisão dela é veiculado no Brasil, por isso, talvez, você não a conheça. Mas, nos EUA, ela é uma celebridade!) No curta de 3 minutos, a cineasta Naomi Leibowitz editou todos os humms, uhh, ahhh, de 30 episódios da série $40 a day, exibida na Food Network.

A idéia do festival é que você possa assistir a filmes sobre comida, comendo. Sabe aquilo que não se deve fazer, comer assistindo à televisão? Pois é, lá, não só pode como deve! Meio coisa de americano, não? Especialmente o menu: Burgers, Green Chile, Hot Dogs, Sausage... Acho que de apetitoso só o nome do festival.

De qualquer forma, você não precisa estar em NY para assistir ao filminho, clique aqui!

>> Postado por Rita Lobo 16:21

Quinta-feira, 21 de junho de 2007

Nós, ETs

Nós, ETs

Estou começando a achar que sou um ET no corpo de uma ex-modelo da década de 1990. Cada vez que alguém começa a contar uma história de quando tinha 6 ou 12 ou 15 anos, fico arrasada. Minha memória só tem registro dos 18 anos para cima. Antes disso, ela é muito fragmentada. Por sorte, na casa dos meus pais, tem uma centena de álbuns de fotografias. Férias 79, Chácara Avaré 82, Campeonato de Tênis, Delaware. E mais um monte de fotos do cotidiano. Está tudo registrado e catalogado. E, talvez por isso, apesar de não me lembrar da minha infância de forma contínua e cronológica, as imagens aparecem fortes em forma de flashes.

Não sei se é porque eu vi numa foto, mas acho que me lembro de um lençol amarelo-gema na cama da minha mãe (aliás, que cor era aquela, mãe?). Somos três irmãos: Fábio, eu e o Gui, em ordem de nascimento. Isto é, por enquanto: tão logo o Gui vire um senhor de barba ou barrigudo, eu vou virar a caçula. Ah, vou. Mas lembro bem desse lençol. Aos domingos, meus irmão e eu acordávamos mais cedo e corríamos para a cama dos nossos pais. Não sem antes arrombar a porta do quarto que vivia trancada (safadinhos eles, não?).

O fato é que, o Gui, o caçula, que não é mais Guizinho, é Dr. Guilherme, defendeu a tese de mestrado dele na semana passada. Ele foi aprovado e ganhou uma indicação para o doutorado. Eu fiquei toda orgulhosa, mas continuo me sentindo um ET. Ainda não consegui entender sobre o que é o estudo. Ou melhor, nem sequer o título compreendi: “O desfecho perinatal da aloimunização eritrocitária não-relacionada ao antígeno RhD.” Certo?

Para comemorar, ele resolveu oferecer um jantar aos professores, amigos e a nós, os parentes. Confesso que fiquei um pouco ansiosa acerca do tipo de conversa que poderia haver no jantar. Imagine o Prof. Dr. Camano puxando papo comigo: “Como você sabe, Rita, o desfecho perinatal da aloimunização eritrocitária não-relacionada...”

Não, professor. Eu sinto muito, mas não faço idéia do que o senhor esteja falando. (E eu que pensei que só não entendia letra de médico!) Por outro lado, eu poderia responder: “Não sei se o senhor sabe, mas o coulis servido com o fois gras foi feito com fisalis macerados em tokay 5 puttonyos com um toque de Averna.” Não seria uma boa saída?

Às 8 horas em ponto, os convidados começaram a chegar. Nada de canapés. Apenas uma boa cava. Eram trinta pessoas. E, é claro, o Prof. Dr. Camano foi o primeiro a chegar. Ele esticou a mão e me disse: “Fui aluno do seu avô.” Eu dei um sorriso aliviado, e ele continuou andando até o meu irmão. Depois chegaram outros professores, os amigos e nos dividimos em mesas de seis pessoas. O Gui, como todo bom anfitrião-médico, passava visita nas mesas e cuidava dos convidados como se fossem seus pacientes. Aos pouco, fui me sentindo mais à vontade e fiquei com a sensação de que eu não era o único ET ali. Aliás, graças ao Dr. Raulinsky, que estava sentado ao meu lado, e comentava coisas como, “uma beleza de fratura exposta”, minha suspeita de eu ser um ET foi para o espaço: sem ofensa, doutor, mas depois de conversarmos um pouco, estou começando a achar que o senhor é que é um ET.

>> Postado por Rita Lobo 17:57

PERFIL
  • Rita Lobo é obcecada por comida. Por isso, em 1995, fez um curso de formação de chef nos EUA. De lá para cá, teve restaurante, escreveu para o jornal Folha de S.Paulo, publicou o livro Cozinha de estar, lançado pela editora Conex, e há oito anos comanda o site Panelinha.

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