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Sexta-feira, 30 de maio de 2008

Quer trabalhar no Panelinha?

Quer trabalhar no Panelinha?

Se você é formada ou está cursando gastronomia, sabe usar Photoshop, adora ler e vive pesquisando sobre comida na internet, mande seu curriculum para rita@panelinha.com.br e faça parte da seleção que vamos fazer na semana que vem. Mas não vá pensando que a gente passa o dia todo tomado suco de uva!

>> Postado por Rita Lobo 13:03

Quarta-feira, 28 de maio de 2008

Tomando todos

Tomando todos

Suco de uva faz bem e não dá ressaca

Há exatamente uma semana, fui a três supermercados e comprei todos os sucos de uva que encontrei pela frente. Na trilha dos vinhos, o suco de uva tinto também entrou na lista de alimentos, ou melhor, de bebidas gostosas para tomar sem culpa. Virou moda, já reparou?

Decidi fazer uma degustação para descobrir quais os mais gostosos, claro, mas também para verificar quais são realmente saudáveis. Por isso, convidei a nutricionista Marina Prieto para fazer parte do júri, composto por ela e mais três pessoas aqui do Panelinha: a Nina, a Paula e a Ana.

Antes de mergulharmos nos sucos, explico que o critério para a escolha das marcas era apenas um: estar disponível na prateleira, naquele dia. Somente por isso, marcas como Aecia ou Concord orgânicos, por exemplo, não fizeram parte da nossa degustação.

Muito além do sabor

A nutricionista explica que, os compostos fenólicos, encontrados no vinho e também no suco de uva tinto, previnem a formação de radicais livres. As catequinas, encontradas nas sementes de uva, reduzem a incidência de alguns tipos de câncer, o colesterol e estimulam o sistema imunológico. As antocianinas, encontradas na casca da uva e na polpa, também possuem propriedades anticarcinogênicas e são antiinflamatórias e antialérgicas. O resveratrol, encontrado nas uvas, pode ajudar a diminuir os níveis de colesterol LDL (o mau colesterol) e aumentar os níveis de colesterol HDL (bom colesterol).

Marina conta que, segundo uma pesquisa recente, o vinho e o suco de uva tinto provocam o mesmo efeito sobre o endotélio (camada que forra internamente os vasos sanguíneos), aumentando a sua dilatação. “É nessa camada que se depositam as placas de gordura, que comprometem a circulação e podem provocar o infarto do miocárdio. Quando há vasodilatação, a circulação melhora, e a chance de infarto diminui”, conclui a nutricionista.

Às cegas, mas sem vista grossa

Marina e eu decidimos ler os rótulos antes da degustação. Todos os sucos em embalagem de vidro passaram pelo crivo da nutricionista. As palavras mágicas são: integral, natural, sem açúcar, sem conservantes. Se for orgânico, melhor ainda. Já entre os sucos de caixinha, apenas dois foram aprovados: Tial e Ceres, sendo que o primeiro não tem conservantes, mas é adoçado, e o segundo, melhor, não tem nem conservantes nem açúcar. Mesmo assim, decidimos manter na degustação todos os sucos, incluindo as outras marcas de caixinha: Del Valle, Fazenda Bela Vista, Fruthos, Kapo, Maguary, Minute Maid Mais, Pão de Açúcar, Parmalat e Su Fresh. Marina frisa, porém, que estes sucos de caixinha não são ideais para consumo diário.

A verdade nua, concentrada e acidulada

Quando você vir a palavra acidulante na rótulo, saiba que, mesmo que na embalagem esteja escrito “suco de uva”, o conteúdo no interior dela não tem as propriedades de um suco de uva natural. Não é equivalente e, muito provavelmente, faz mal para os dentes (entre outras coisas). O tanto de açúcar colocado nesses sucos chega a dar aversão a um paladar um pouquinho mais educado. Na degustação às cegas, todos os adultos fizeram careta com o gosto artificial dos sucos de caixinha. Mas, para a minha tristeza, as crianças não pareceram se incomodar com um suco mais doce que doce de batata doce. Muito pelo contrário. Elas achavam todos “uma delícia!”. Até que decidi fazer um teste.

Num copinho, coloquei um pouco do suco Del Valle e dei para o meu filho, que se recusou a fazer a degustação às cegas. Por isso, mostrei bem a embalagem. Ele adorou. Depois, mostrei a ele a embalagem do suco Kapo (segundo o site da Coca-Cola, é “líder no segmento infantil de bebidas de frutas prontas”), mas dei um pouco de Casa de Bento, um suco bem natural da Vinícola Aurora. “É muito bom”, disse ele, sem saber o que estava tomando. Na seqüência, eu disse que tinha feito uma confusão e que o verdadeiro suco Kapo estava em outro copinho. Ele tomou novamente, seguido do suco natural, e achou horrível. De fato, parece ser o mais doce de todos os sucos.

Imaginei o quanto de açúcar é colocado nestas bebidas infantis e fiquei com um gosto amargo na boca. Entre as crianças, a embalagem fala mais alto que o sabor. É difícil proporcionar aos nossos filhos uma alimentação saudável e natural. Ou você tem coragem de mandar ovo cozido na lancheira?

É por isso mesmo que, em casa, não deveríamos abrir exceções. Nada de refrigerantes ou de sucos artificiais. Afinal, na escola, nas festinhas e, minha mãe que não me ouça, na casa dos avós, não dá para controlar.

Só os adultos

Excluídos os sucos artificiais, fizemos novamente a degustação, comparando somente os sucos aprovados pelo paladar dos adultos: Casa de Bento, Casa de Madeira, Ceres, Rossoni (da embalagem de vidro), Salton, Superbom e Tial.

Ceres, apesar de saudável, é um suco mais ralo (ele é feito com uva moscatel, que é naturalmente mais doce e mais clara que as outras) e, na degustação às cegas, foi descartado. Isto é, pelos adultos. A minha filha Dora, de 3 anos, achou o suco “muito bom, mamãe.” Tial, apesar de não ter conservantes, tem açúcar e é muito doce. Também foi excluído. Rossoni, comparado aos sucos restantes, também não ganhou pontos suficientes para continuar na competição. Era muito doce, mas, ao mesmo tempo, bastante ácido.

Os finalistas: Casa de Bento, Casa de Madeira, Salton e Superbom, sendo que, este último, é concentrado e precisa ser diluído em duas partes de água, conforme instruções da embalagem. No teste comparativo, ficou mais ralo que os outros, sem peso na boca. Pronto, Casa de Bento, Casa de Madeira e Salton foram os vencedores. São encorpados, têm doçura e acidez na medida certa, e dá para sentir o gosto natural da fruta. Opa! Está ficando um pouco chato, parecendo degustação de vinho (e essa não é a nossa intenção). Somados os votos, o vencedor foi Casa de Bento. Mas calma.

No bolso

O meu lado gourmet não se incomoda em pagar R$ 13 por um litro de suco de uva. Mas a dona de casa que mora dentro de mim se recusa a gastar continuamente este valor. Fazendo as contas, cada 200ml de Casa de Bento sai por R$ 2,60. Já o Casa de Madeira sai por R$ 3. Superbom, diluído conforme as instruções da embalagem, custa R$ 0,86! Superbom mesmo! Não tem açúcar nem conservantes e é R$ 0,13 mais barato que o Kapo!

Crianças

Marina Prieto, a nutricionista convidada, explica que as mães devem dar preferência aos sucos naturais, da fruta para o copo. Depois, para os de polpa (congelada) ou integrais (de garrafa de vidro). Por último, aos de caixinha. Estes devem ser evitados no dia-a-dia.

Na cozinha

Para variar, experimente bater o suco de uva com chá de erva-cidreira. Com água de coco também fica um delícia. Com melão, o suco dá uma encorpada. Para a equipe do Panelinha, todos os sucos finalistas se beneficiaram de umas pedrinhas de gelo. E eu é que não vou discordar de um júri tão qualificado!

>> Postado por Rita Lobo 19:39

25 de maio de 2008

Festa da uva

Festa da uva

Quando eu era criança, o critério mais importante para definir se um suco de uva era bom ou ruim era a espuma. Eu nem precisava experimentar. A jarra de casa era de vidro e, à medida que a empregada ia se aproximando da mesa, dava para saber se o suco estava bom ou não. Pelo menos um quarto do conteúdo tinha que ser daquela espuma rosada, quase lilás. Minha mãe comprava um suco concentrado e, em vez de apenas misturar com água, batia no liquidificador. O suco formava espuma, e, por algum motivo, ela era apetitosa para mim. Coisa de criança.

Naquela época, nada se falava sobre flavonóides e seus benefícios para saúde. A gente bebia suco de uva porque era gostoso (quando tinha espuma). Hoje sabe-se que tomar uma taça de vinho tinto ou um copo de suco de uva, para a saúde, dá na mesma. Há uma ou outra diferença – sendo que a principal é que dificilmente você vai dar vexame num jantar tomando suco de uva! (Para obter os benefícios dos flavonóides contidos no vinho, precisamos consumir quantidades que deixam a maioria das pessoas bêbadas.) Mas ambos previnem a oxidação do chamado colesterol ruim, responsável por formar as placas que entopem as artérias e causam as doenças coronárias.

Na trilha dos vinhos, surgiu a nova geração de sucos de uva. Eles são naturais, integrais, sem açúcar, sem conservantes e orgânicos. São gostosos e saudáveis. E, junto com eles, brotou nas prateleiras dos supermercados uma extensa variedade de sucos de uva que, contrariamente ao que se espera, não são ricos em antioxidantes e ainda contêm uma quantidade de açúcar capaz de fazer sofrer um paladar mais educado e atrapalhar os que ainda estão em formação. Sem falar nos conservantes, estabilizantes e todos os químicos que a gente nem sabe o que causam na nossa saúde a longo prazo.

Quais serão os sucos de uva, de fato, saudáveis? E, dentre eles, qual o mais saboroso? Para responder a essas perguntas, a nutricionista Marina Prieto se uniu à equipe do Panelinha e fizemos uma degustação de todas as marcas de sucos que encontramos nos três supermercados mais próximos ao Estúdio (Casa Santa Luzia, Pão de Açúcar e Dia). Ah, convidei também três pessoas importantíssimas para ajudar a escolher qual dos 16 sucos era o mais gostoso: meus filhos, Gabriel, 6 anos, e Dora, 3 anos, e a Bia, 5 anos, amiga deles, fanática por suco de uva.

Logicamente, as crianças acabaram não provando os sucos de todas as marcas (depois de 10 minutos, as meninas já estavam brincando de casinha e o Gabriel já tinha se apropriado da câmera fotográfica do Charles). Uma curiosidade: o meu filho se recusou a fazer a degustação às cegas, queria ver a embalagem antes de tomar o suco. Não resisti e aproveitei para fazer um teste. Mostrei a embalagem de uma bebida 100% artificial, do jeitinho que as crianças gostam, e dei um copinho com o mais natural de todos os sucos. O resultado? Dia 29, quinta-feira, eu conto tudo aqui no blog. Quer dizer, quase tudo. Não foi bem uma festa da uva, mas, definitivamente, a festa do suco de uva.

No fim da degustação, pedi ao fotógrafo, Charles (não o Gabriel), que fizesse uma imagem de cada uma das participantes. Paula, a mais nova da equipe, ficou um pouco tímida. Pra quê? Lá fomos Nina e eu fazer caras e bocas em frente a câmera para ela se soltar. Uma espécie de momento-curso-básico-de-modelo-e-manequim. “Procure a luz e posicione o rosto para ela, Paulinha. A pele fica mais bonita.” É, minha filha, não basta saber cozinhar, ainda tem que sair uma uva na foto!

>> Postado por Rita Lobo 19:05

18 de maio de 2008

Blueberry Curry

Blueberry Curry

Há mais de uma década, comprei um CD de Ravi Shankar. Às vezes, gosto de escutá-lo depois do jantar, como se fosse um digestivo, uma Averna ou um vinho do Porto. Mas há dias em que o som da cítara me enerva. Fico tão irritada que mando o CD de volta para a caixinha. Os meses se passam, até que tenho vontade de ouvir um pouco de música indiana de novo. E assim tem sido nos últimos dez anos.

Há tempos não tinha vontade de comer curry. Aliás, a minha última ida a um restaurante indiano virou um post aqui no blog. (Por curiosidade, verifiquei e faz exatamente um ano.) Ontem à noite, fiquei louca por um prato à base de curry.

Muita gente foi assistir à My Blueberry Nights e saiu do cinema com vontade de comer uma fatia de torta de mirtilo, na esperança de ter um beijo roubado por Jude Law. Bem, não que eu também não queira a minha fatia, mas saí com outra idéia fixa: queria uma boa refeição indiana. Voto vencido. Eu deveria ter comentado, antes de o filme começar, que acho Norah Jones, ou Geethali Norah Jones Shankar, a cara do pai, Ravi Shankar. Deu para entender a conexão? Juro que não tem nada a ver com Bollywood, apesar de a atriz principal ser cantora e participar da trilha sonora do filme.

Depois de duas horas assistindo à Norah Jones e lembrando de Ravi Shankar, meu apetite só tinha olhos para um chapati fumegante, um prato à base de curry polvilhado com coco ralado fresquinho, um kulfi de manga bem amarelo. Vejo uma coisa, lembro de outra, e lá vem um desejo de comer algo que, aparentemente, não tem ligação com nada. Mas é só procurar que tem. Sempre tem. (Acho que o meu apetite pensa que é analisado.)

No dia seguinte, porém – calma! não comi nada com curry no café da manhã –, fui a um brunch e dei de cara com um bolo lindo, bem caseiro, assado em fôrma de bolo inglês. Pedi uma fatia ao garçom antes mesmo de perguntar do que era. Sim, era de blueberry. E era gostoso. Mas não era uma torta. E o dono do café também não é parecido com o Jude Law.

* Se quiser ouvir um pouco de Ravi Shankar, clique no vídeo abaixo. E se o seu apetite também se animar com sabores indianos, veja no site da BBC mais de 50 receitas de Madhur Jaffrey, atriz nascida em Nova Déli e que ficou famosa no Reino Unido com seus apetitosos programas de culinária indiana. Já a receita da torta de blueberry, não vale a pena se iludir: aquele beijo, só em filme.

* Se quiser ouvir um pouco de Ravi Shankar, clique no vídeo abaixo. E se o seu apetite também se animar com sabores indianos, veja no site da BBC mais de 50 receitas de Madhur Jaffrey, atriz nascida em Nova Déli e que ficou famosa no Reino Unido com seus apetitosos programas de culinária indiana. Já a receita da torta de blueberry, não vale a pena se iludir: aquele beijo, só em filme.



>> Postado por Rita Lobo 22:24

Segunda-feira, 12 de maio de 2008

Instant Chic

Instant Chic

Todo mês de maio, a gente aqui no Panelinha gosta de fazer um agradinho para as noivas. Elas são freguesas fiéis. Já na lua-de-mel mandam e-mails pedindo receitinhas para começar a vida a dois com praticidade, sabor e amor.

Ah, minha filha, se eu tivesse a receita para isso... Ou a vida é prática ou tem sabor. Ou tem amor ou tem praticidade. Tudo fica mais saboroso com amor, claro. Mas amar não é nada prático.

Não sei muito bem por que maio é o Mês das Noivas. Eu não me casei em maio, não fiquei noiva antes de me casar, não fiz festa de casamento, apenas um jantar para os parentes. E isso já é muita coisa! Hoje em dia, a maior parte dos casamentos acontece em dezembro. E a razão é simples: é o mês do 13º salário. Mas não vamos falar de dinheiro agora.

Depois do casamento, as sogras começam a aparecer nos e-mails. “Meu marido adora a torta de frango da mãe dele.” Em respeito a elas e, principalmente, às sogras que um dia seremos, prefiro não reproduzir o resto do e-mail. É verdade que algumas sogrinhas se aproveitam da inexperiência culinária das noras. Mas você não faria o mesmo? Eu acho que vou, mas tenho tempo para pensar sobre isso.

Não importa o tipo de sogra que você tenha, quando o assunto é comida, não vale a pena competir. A não ser que ela seja um zero à esquerda ou você um ás na cozinha. E mesmo que ela nunca tenha gostado de cozinhar, ainda assim tem mais domínio sobre o paladar do seu marido. Geralmente as sogras têm prática, anos de experiência gerenciando a cozinha, coisa que ninguém consegue ganhar em um mês. Ou mesmo em um ano. Como é difícil fazer uma cozinha funcionar! Mas nem tudo está perdido.

Esqueça o trivial simples, a torta de frango da sua sogra. O segredo é decorar meia dúzia de receitas fáceis, com ingredientes simples, mas que tenham um truque, que impressionem. E uma mesa bem arrumada também ajuda a dar um certo charme às refeições. Compre apenas um par de talheres especiais, exclusivo do casal, que simbolize a cumplicidade. Mande bordar dois guardanapos com monograma. Ou dê uma panela de presente para ele. Incentive. O mês é das noivas, mas os maridos também devem ser bem-vindos na cozinha. Não basta ser bom de garfo, tem que participar.

Para dar uma mãozinha, fizemos uma seleção de receitas, ideais para quem não sabe nem quer aprender a cozinhar arroz com feijão. Todas elas são básicas, porém com algum toque especial. As raspinhas de limão transformam um bolo simples no bolo mais acessado aqui do site. O macarrão ganha melão e presunto cru, um clássico casamento de sabores, e fica do jeito que todo mundo quer: prático e saboroso. O peixe sobre lentilhas com espinafre, além de prático e saboroso, é saudável, uma característica que todos nós deveríamos apreciar. As receitas do especial de Mês das Noivas têm um segredinho a mais: uma pitada de instant chic. E isso, minha filha, ajuda a deixar o casamento mais saboroso.

>> Postado por Rita Lobo 22:50

PERFIL
  • Rita Lobo é obcecada por comida. Por isso, em 1995, fez um curso de formação de chef nos EUA. De lá para cá, teve restaurante, escreveu para o jornal Folha de S.Paulo, publicou o livro Cozinha de estar, lançado pela editora Conex, e há oito anos comanda o site Panelinha.

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