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Segunda-feira, 27 de abril de 2009

Um e-mail e dois picolés

Um e-mail e dois picolés

Ricardo-RIC-BE escreve porque está “louco para aprender a fazer alguma coisa na cozinha, além de abrir e fechar a geladeira!” Conta que “navegando pela internet, por acaso cliquei em um link que caiu no site Panelinha; queria saber de você por onde alguém, como eu, que mal sabe fritar um ovo, deveria começar na cozinha para aprender a fazer coisas comíveis.”

One is fun, Ricardo. Comece, justamente, pelos ovos. No blog One is fun, um projeto dividido em seis etapas, até quem não sabe fritar ovo consegue entrar e sair da cozinha com um prato na mão e em menos de 30 minutos! As porções são individuais, levam em conta a despensa do solteiro, que costuma não ter muito mais que uma lata de atum e um pacote de macarrão, e são muito fáceis de fazer.

Depois de aprender a fazer ovos fritos, mexidos, omeletes, fritadas, você pode começar a preparar saladas, grelhados, acompanhamentos... Neste link, você vê todos os post de uma vez só, desde a etapa dos ovos, passando por sopas, massas, sanduíches, grelhados, saladas, acompanhamentos e, por último, o mais temido dos ingredientes, o peixe.

Bom, as fotos ao lado nada tem a ver com o blog One is fun. Hoje, porém, saí para tomar um cafezinho no meio da tarde e dei de cara com esses picolés Diletto. Eles não são exatamente uma novidade, mas eu ainda não tinha experimentado. Comi logo dois: um de pistache, outro de gianduia. Não são muito doces, são bem cremosos, com sabor delicado. Como se fosse um sorvete de massa, mas em picolé. Ele é cheio de historinha: o avô fabricava no Vêneto, os netos relançaram no Brasil; a embalagem também conta que a base e o aroma são importados da Itália. Mas o que realmente importa é que é muito bom. Tem de limão siciliano, tiramisu, coco... Os sabores são animadores. Eu comprei na La Vie en Douce, patisserie da Carole Crema, que fica na esquina da al. Tietê com a rua da Consolação. Mas, Ricardo, eles não valem por uma refeição. Já para cozinha! E não é só para abrir e fechar a geladeira. Boa sorte.

>> Postado por Rita Lobo 18:36

26 de abril de 2009

Bobó de frango levíssimo

Bobó de frango levíssimo

Outra dia fui almoçar no Centro de Cultura Judaica e, só então, fiquei sabendo que o bufê é comandado pela minha xará, Rita Corsi, que é irmã de uma amiga de longa data, a nutricionista Cecília Corsi, que, aliás, há tempos não vejo. A Ciça tem receitas light incríveis. Lembrei de um bobó de frango que ela me ensinou, que já esteve aqui no Panelinha. Um sucesso para refeições leves, porém, cheias de sabor. Ótima pedida para começar a semana.

Ciça, apareça! Rita, qualquer hora eu volto aí para comer o falafel, de-li-ci-o-so!



Bobó de frango levíssimo da Ciça Corsi

Ingredientes

500 g de filé de frango
1 colher (sopa) de suco de limão
sal e pimenta do reino a gosto
500 ml de caldo de frango
150 g de mandioca descascada
60 g / ½ cebola média em rodelas
1 folha de louro
2 tomates sem pele e sem semente picados
100 g / ½ pimentão verde picado
60 g / ½ cebola picada
1 dente de alho picado
1 colher (sopa) de salsinha picada
½ colher (sopa) de coentro picado
½ pimenta dedo-de-moça picada
1 colher (sopa) de azeite
50 ml / ¼ xícara (chá) de leite de coco light
½ colher (sopa) de azeite de dendê

Modo de preparo

1. Corte os filés de frango em tiras 1 cm de largura, transfira para uma tigela e tempere com o suco de limão, o sal e a pimenta do reino. Leve a geladeira.

2. Descasque a mandioca, retire os fios e corte em pedaços; corte meia cebola em rodelas.

3. Numa panela média, coloque o caldo de frango, a cebola em rodelas, a folha de louro e a mandioca e leve ao fogo alto. Deixe cozinhar por 30 minutos, com a panela tampada, até que a mandioca fique macia.

4. Enquanto isso, prepare os outros ingredientes pedidos na receita. Isto é, para tirar a pele do tomate, corte um X na base de cada um, coloque numa panela com água fervendo, até a pele começar a enrugar; retire e mergulhe numa tigela com gelo para dar um choque térmico e cessar o cozimento; a partir do X, retire a pele, como se fossem quatro folhas. Corte os tomates na metade, horizontalmente, e retire as sementes (não enxague o tomate, a água pode tirar as últimas sementes, mas leva junto parte do sabor). Apóie as metades numa tabua, aperte com a palma da mão, e corte as metades planas em cubinhos. (Lendo, o método pode parecer trabalhoso, mas é bem simples de ser feito.)

5. Descasque e pique a metade da cebola; pique o alho, a salsinha, o coentro; corte a tampa (com o cabo) do pimentão, retire as sementes, divida ao meio, apóie sobre a tábua e corte em cubinhos de 0,5 cm. Por último, pique a metade de uma pimenta dedo-de-moça, com muito cuidado para não se queimar com as sementes (retire-as e jogue fora). Depois de cortar a pimenta, lave a faca, a tabua e as mãos! Ufa, reserve todos os ingredientes.

6. Retire a panela do fogo e transfira o caldo para o liquidificador. Segure bem a tampa com um pano de prato dobrado (o vapor pode abrir o liquidificador) e bata até obter um creme liso. Reserve.

7. Leve uma panela grande ao fogo baixo e espere aquecer. Acrescente o azeite, a cebola picada e refogue por 2 minutos. Junte o alho e refogue por mais 1 minuto.

8. Aumente o fogo e coloque as tiras de frango para dourar por 2 ou 3 minutos. Vire apenas uma vez para que as tiras cozinhem por igual.

9. Diminua o fogo, acrescente o tomate picado, o pimentão e refogue por 2 minutos, mexendo de vez em quando.

10. Acrescente à panela o caldo do liquidificador, o leite de coco, a pimenta dedo-de-moça picada, a salsinha e o coentro. Quando começar a borbulhar, retire do fogo e misture o azeite de dendê. Sirva a seguir com arroz branco.

>> Postado por Rita Lobo 22:02

Quinta-feira, 23 de abril de 2009

Bolo de nada, marshmallow com tudo

Bolo de nada, marshmallow com tudo

Oi, Rita,

Desde que li seu post sobre o bolo de cenoura, tenho meditado sobre os “deliciosos mistérios” do bolo. Lembrei-me do filho de uma amiga. Sempre que ele passava a tarde com a avó, ela fazia um bolo de sabor diferente. Uma vez, ela perguntou: “Jorge, hoje você quer bolo de quê?” Talvez por não saber dizer que queria comer bolo simples, respondeu: “Bolo de nada, vó!” Eu adorei a resposta e, desde então, aqui em casa o bolo básico passou a se chamar Bolo de Nada. Voltando ao bolo de milho: adorei a fôrma que você escolheu! Fiquei com água na boca só de imaginá-lo pronto, tão lindo.
Beijo grande,

Mila

Rita,

Acompanho o site Panelinha há algum tempo e adoro as receitas! Antigamente tinha uma de marshmallow, com clara de ovo, água e açúcar, mas não consigo encontrá-la no site novo. Gostaria de saber se ainda tem essa receita para me indicar. Gosto de colocá-la na torta de limão.
Obrigada!

Daniela

Mila, ainda não fiz o bolo, mas a Glaucia já! “Fiquei pensando quanto teria de milho numa espiga e utilizei uma latinha para preparar o bolo (200 g sem o líquido). Também troquei a margarina por manteiga e utilizei forminhas de muffins. Como o bolo rende bastante, usei mais uma forminha daquelas com furo no meio de tamanho mini. Foi pá pum! Misturei tudo no liquidificador e pronto! E também assou rapidinho. Depois de pronto, deixei esfriar e polvilhei açúcar de confeiteiro com canela em pó! O bolo mais parece um creme de milho! É muito bom e eu recomendo! :)”

A Glaucia fez a receita da Silvia, que publiquei no post de 18 de abril. Por isso, logo mais eu vou fazer a da Mila, que está no mesmo post. As duas, na minha opinião, dão água na boca. Outro assunto: hoje tomei um café com o André, e ele me PROMETEU a receita da torta de ricota explicadinha. Tão boa quanto a receita é a história dela. Mas isso vou deixar para outro post. Daniela, a receita de marshmallow está a seguir. Pessoalmente, adoro colocar umas gotinhas de água de rosas ou de flor de laranjeiras. Mas não para usar na torta de limão. Fica uma delícia, porém, com frutas, como abacaxi, e também com “bolo de nada”. E com bolo de laranja, de limão... Com bolo de chocolate, nunca experimentei. Quem sabe a Glaucia... Brincadeira, Glaucia!

Marshmallow

Ingredientes

2 claras
2 xícaras (chá) de açúcar
2 xícaras (chá) de água

Modo de preparo

1. Numa panela, coloque o açúcar e a água e leve ao fogo médio. Deixe ferver por aproximadamente 15 minutos, até formar o ponto de fio. Para saber qual o ponto adequado, coloque um garfo dentro da panela e suspenda; a calda deve escorrer em fio constante e não em gotículas separadas. Vá repetindo o procedimento e, quando chegar no ponto, desligue o fogo.

2. Na batedeira, bata as claras até que fiquem bem firmes.

3. Sem desligar a batedeira, vá regando a calda lentamente, até que todo o conteúdo da panela tenha sido despejado.

4. Continue batendo por mais 5 minutos ou até a tigela da batedeira esfriar (a calda estava quente). O marshmallow está pronto para ser utilizado.

>> Postado por Rita Lobo 14:25

Segunda-feira, 20 de abril de 2009

Navegar é preciso

Navegar é preciso

Será Calie o seu nome? O e-mail não estava assinado, mas o endereço eletrônico era esse. Então é à Calie que vou me dirigir. Eu fiquei emocionada e envaidecida com a sua mensagem. E me identifiquei com você. Também tenho filhos pequenos, minha mãe é pesquisadora e professora universitária, como você, e eu também ando cozinhando, e recebendo amigos, bem menos do que eu gostaria. (E, no meu caso, também ando escrevendo menos do eu deveria.) Por isso, “o livro com umas quinhentas páginas para serem degustadas lentamente”, que você sugere, pelo menos em breve não tem muita chance de sair. Mas fiquei toda contente com as suas palavras. Apesar de o Panelinha existir há mais de 9 anos, e diariamente eu receber um montão de e-mails, sempre fico surpresa como pessoas que não se conhecem podem ter intimidade, como se fossem amigas que tomam longos cafés da manhã.

A Franey e eu recentemente nos conhecemos pessoalmente. Numa das nossas trocas de e-mails, ela comentou que estaria no Rio durante a Páscoa. Ela mora numa cidadezinha na Alemanha, e eu em São Paulo. Eu também iria para o Rio. Achamos que seria uma boa oportunidade para nos encontrarmos. Marcamos um café numa chocolateria na Dias Ferreira, no Leblon, e ficamos papeando por duas horas. Ela me trouxe um presentinho fofíssimo, uma caixa de açúcar em forma de barquinho.

Hoje, quando fui fotografar o barquinho boiando no café, meus filhos apareceram e ficaram maravilhados com o novo açúcar. Lembrei que a Franey ainda não tem filhos, a Calie tem dois, mas aparentemente, elas duas, eu e você temos muito em comum. Estamos todas atrás de boas receitas para as nossas cozinhas, é verdade, mas principalmente para as nossas vidas. Vamos testando, nos testando, experimentando, acertamos um temperinho aqui, outro ali, às vezes mudamos radicalmente um ingrediente, deixamos de comer outro, pelo menos durante um tempo, incluímos um pouco de pimenta, tiramos a pimenta, mas vamos navegando, às vezes com mais precisão, de olho na bússola, em outras, apenas aproveitamos os bom ventos. Mas estamos todas no mesmo barco. E quando uma naufraga, como o barquinho de açúcar que vai sendo sugado pelo café, tem sempre outra por perto para dar uma mexida e mostrar que o café só ficou mais doce depois do sufoco.

>> Postado por Rita Lobo 14:57

Sábado, 18 de abril de 2009

Dois bolos de milho para Claudia

Dois bolos de milho para Claudia

Silvia e Mila, obrigada pelo carinho, pelos e-mails e pelos bolos. Vou fazer as duas receitas. Claudia, imagino que você possa substituir a farinha refinada por integral no bolo da Silvia. Aliás, Silvia, eu vou trocar a margarina por manteiga. Depois eu conto se deu certo! Para o bolo da Mila, vou usar essa fôrma amarela de porcelana, não é linda? Ah, Glaucia, se você for mais rápida que eu, manda a foto!

E-mail da Silvia

Querida Rita,

Como você, acho bolo uma coisa gostosa de preparar, ainda mais quando feito à tarde, com a cozinha arrumadinha e aquele perfume saindo do forno e se espalhando pela casa toda. Tenho uma receita de bolo de milho que não leva farinha integral, como a Claudia gostaria, mas é muito boa, o bolo fica bem cremoso por cima. Lá vai:

Bolo de milho cremosinho

Ingredientes

2 espigas de milho grandes
2 xícaras de açúcar
2 xícaras de leite
4 ovos
4 colheres de margarina
4 colheres de farinha de trigo
1 colher de fermento em pó

Modo de preparo

Raspe os grãos de milho da espiga e bata no liquidificador com os outros ingredientes. Unte uma assadeira retangular média com margarina, despeje o que foi batido e leve a assar até corar por cima. Fica muito bom, experimente com um cafézinho, combinação perfeita!

E-mail da Mila

Oi, Rita,

Não resisti ao "chamado" e resolvi enviar a minha colaboração. A receita não leva farinha, pois o milho já tem amido. Espero que acerte e goste, assim como eu gosto de você, do seu site e dos seus livros. Sou de Brasília e tenho todos eles autografados.
Beijo e sucesso.

Maria Emilia (Mila)

Bolo de milho verde

Ingredientes

3 ou 4 espigas de milho verde
4 ovos
2 ½ xícaras (chá) de açúcar
1 colher (sopa) de manteiga
1 xícara (chá) de óleo
2 xícaras (chá) de leite
1 pitada de sal
1 colher (sopa) de fermento em pó
manteiga para untar a fôrma

Como fazer

Com uma faca afiada, retire os grãos de milho das espigas e reserve.

Coloque os ovos no liquidificador e bata em velocidade baixa. Junte o açúcar, a manteiga, o óleo, o leite e o milho reservado. Caso necessário, acrescente um pouco mais de leite.

Deixe batendo em velocidade média enquanto você unta uma fôrma (de buraco no meio), com manteiga.

Junte aos ingredientes do liquidificador o sal e o fermento em pó. Deixe batendo enquanto acende o forno. Só então, desligue o liquidificador e despeje a mistura na fôrma.

Deixe assar por cerca de 40 minutos.

Dicas: A massa fica bem mole. Deixe terminar de assar apenas no calor do forno desligado. É bom fazer à noite, pois no dia seguinte, ele estará bem frio, ficando mais fácil para desenformar. Para o bolo desgrudar, passe uma faca em torno da forma, balance-a para soltar bem e vire-o num prato. Para um bolo menos doce, reduza a quantidade para 1 ½ xícara de açúcar. Para que o bolo fique menos gorduroso, o óleo também pode ser diminuído para ½ xícara.

>> Postado por Rita Lobo 15:29

PERFIL
  • Rita Lobo é autora dos livros A conversa chegou à cozinha, crônicas e receitas (editora Ediouro), Culinária para bem estar, receitas antiTPM (editora Panelinha) e Cozinha de estar (editora Conex). Formada em gastronomia nos EUA, a chef começou a escrever sobre comida em 1995, no jornal Folha de S.Paulo. Em 2000, criou o site Panelinha, que dirige até hoje.

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