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Sexta-feira, 25 de abril de 2008

Dia das Mamis

Dia das Mamis

No nosso canal de blogs, há uma seção chamada Panelinha indica. Pode ser um site, um blog ou um único post de que gostamos e queremos dividir com os nossos leitores. No ano passado, demos destaque para uns biscoitos natalinos do blog Panela de cobre. E, desde então, a gente sempre dá uma espiada no que o Daniel Figueiredo, autor do blog, anda postando por lá.

Para o deleite geral da nação, ou pelo menos o nosso aqui no Panelinha, o Daniel fez uma página dele na nossa comunidade. Os olhares mais atentos já devem ter visto alguma receita, como a pavlova com frutas frescas e os vienenses com creme de limão siciliano que demos destaque na home do site.

E não são só as receitas que parecem ótimas, as fotos são todas super bonitas. Ele faz pratos salgados, massas, mas é nos doces que me ative. É tudo tão delicado: as tuilles, as raivas, que são uns biscoitinhos portugueses (eu nem conhecia!). Mesmo as receitas mais rústicas, como clafoutis, ganham um toque de poesia nas mãos do Daniel.

Pois bem, eu sempre recebo e-mails das pessoas contando como o Panelinha é uma fonte de inspiração, que fizeram isso e aquilo, que tal receita foi um sucesso. Mas desta vez, eu me inspirei na página dele para fazer o nosso especial de Dia das Mães.

Este ano, queria variar um pouco. Sempre apresentamos opções de cardápios para os diferentes tipos de mãe. Um mais tradicional, outro moderno e assim por diante. E na busca do canal “especiais”, basta digitar a palavra mãe que você encontra uma série de sugestões. Para este Dia das Mães, porém, decidimos fazer um especial bem delicado, quase singelo, mas cheio de poesia. Testamos um série de receitas de biscoitos e afins, dos mais fáceis até o elaborado macarron. Aprovamos apenas seis opções, mas todas incríveis. A idéia é presentear as mães com um mimo feito com as próprias mãos. Na semana que vem, entra no ar!

Para ilustrar este post, quis mostrar um pouco do que está por trás de cada foto que você vê nas receitas aqui do Panelinha. Os biscoitinhos 1,2,3 (é chamado assim, pois leva 100 g de açúcar, 200 g de manteiga e 300 g de farinha, fácil de lembrar, né?) foram fotografados de várias maneiras: ainda na assadeira, espalhados na mesa, empilhados num pratinho, com fundo rosa, com fundo branco, na xícara de café... Mas apenas uma foto será escolhida.

Daniel, muito obrigada pela sua colaboração aqui no Panelinha!

>> Postado por Rita Lobo 14:29

Quarta-feira, 23 de abril de 2008

23 de Abril

23 de Abril

Quando eu era pequena, ficava fascinada com o ritual noturno de beleza da minha mãe. Um creme para limpar a pele, careta para retirar a maquiagem da parte de baixo dos olhos, água para enxaguar. Algodãozinho com tônico, creme no rosto e pescoço, movimentos circulares. Um pinguinho de creme na ponta do dedo anular para passar ao redor dos olhos. Delicadamente.

Às vezes, me olho no espelho e vejo a minha mãe. A mesma careta, o mesmo jeito de espalhar os cremes. O mesmo ritual antes de dormir. Queria ter o nariz igual ao dela, uma pintura de Modigliani. Acho que, com o passar dos tempos, está ficando mais parecido.

Muitas vezes faço de tudo para não ficar parecida com ela, como se a adolescência nunca terminasse. Mas há coisas que, se eu pudesse, faria igualzinho a ela. Olho para a minha filha e sinto um amor tão forte que chega a doer. Um aperto no peito. Tento imaginar se um dia passa. Muda. Diminui. Fico pensando se a minha mãe sente o mesmo por mim.

Ela pensa que eu não tenho medo de nada. Ela não sabe que eu prefiro nem pensar em como a vida é frágil. Nem pensar. Só de pensar morro de medo. Como todas as mães.

Não era nada disso que eu iria escrever, era para contar que, logo mais, vamos começar a falar de Dia das Mães. A Iná, do blog Aprendiz de cozinheiro, escreveu um texto lindo, lindo sobre sabores de infância. Mas ainda não entrou no ar. A Andrea Kaufmann, para finalizar a série de Pessach, acabou falando sobre ser mãe judia. Eu ainda não comecei a escrever nada, mas já testamos novas receitas para a data.

Estou pensando o dia todo na minha mãe. É o aniversário dela. E, sei lá por que, falo para todo mundo que encontro. Até para quem não a conhece.

Saí com a Dora, minha filha, para comprar o presente da vovó Beth. Dois passos e encontramos com a Dahoui, chef do restaurante À Cote. Ela está com viagem marcada para Israel. Nunca foi. Está animadíssima. Mas Noáh, a filhota, vai ficar. E hoje é aniversário dela, da pequena. “Da minha mãe também!”

Mais dois passos e lá vem o elegantérrimo Salvatore Loi, empurrando o carrinho da filha, que já tem três dentes! Ele é chef do Grupo Fasano. Conta sobre as novidades, os novos empreendimentos. Digo que é aniversário da minha mãe. Ele fala sobre a avó que tinha 1,30 metro de altura.

É fim de tarde e os chefs estão passeando pelos Jardins. Pais e mães com seus filhos, que ainda têm a vida toda para descobrir os sabores da vida. Quem sabe, no futuro, eles enxerguem neles um pouco de nós e sintam o delicado conforto de saber de onde eles vêm. Quem sabe...

>> Postado por Rita Lobo 20:25

Terça-feira, 22 de abril de 2008

Scrap MTV

Scrap MTV

Olá, Rita,

Vi no Scrap MTV você passando receitas para pele, para cutículas e um esfoliante também. Você disse que as receitas estariam no seu site. Bem eu fucei ele TODINHO e não encontrei absolutamente nada :/
Paula Wendt

Rita,

Eu estava passando os canais de televisão e vi na MTV o final de umas receitas para cotovelos e rostos, mas não consegui ver por completo. Foi dado este site para podermos pegar as receitas, mas não as encontrei...
Obrigada
Patricia Regina Weisz

Paula e Patrícia,

Todas as nossas receitas caseiras de beleza estão no e-livro Spa em casa. Para acessá-lo, clique no canal e-livros e baixe todas as 14 receitas de uma vez.

>> Postado por Rita Lobo 11:14

Quinta-feira, 17 de abril de 2008

Brigadeiro da moda

Brigadeiro da moda

Na minha infância, brigadeiro era feito com uma lata de leite condensado, uma colher de manteiga e duas de achocolatado. Panela, colher de pau, uns bons minutos mexendo em fogo médio e outros esperando esfriar, o suficiente para não queimar a língua. Mas, de todo modo, a gente acabava se queimando.

Meu filho Gabriel fez 6 anos ontem. Queria porque queria uma festa no bufê. Não entende por que “todos” os amiguinhos já tiveram seu dia de glória entre coxinhas, bolinhas de queijo, minipizza e outros salgadinhos, que só de pensar me causam arrepio. (Coxinha, minha gente, não dá! So sorry. Minha enteada diz que fica deprimida só de ver alguém na padaria pedindo coxinha. Para ela, não dá para entender o gosto por esse salgadinho: “não é entrada, não é prato principal, não é sobremesa, não serve para o café da manhã, não é lanchinho, não é nada. E ainda é ruim.” E, na minha opinião, ela tem razão.)

Resolvi dizer que eu mesma nunca tive uma festa num bufê. “Mas, mãe, quando você era criança não tinha aniversário?” Expliquei que minha mãe passava a manhã arrumando o salão de festas, comprava sucos, a empregada fazia sanduichinhos, bolo e, todos juntos, enrolávamos centenas de brigadeiros.

Ele ficou fascinado. Decidimos fazer uma festinha para enrolar brigadeiros. Convidamos apenas parentes e amigos bem próximos. Era uma espécie de happy hour infantil. Bolo para as crianças, champanhe para os adultos. Mas não sem antes servir um jantar: crianças à mesa, adultos espalhados pela casa. Na seqüência, bolo e brigadeiro para todos.

Por algum motivo, em vez de fazer o brigadeiro de sempre, desta vez resolvi fazer outra receita. Foram duas latas de leite condensando, uma lata de leite, três colheres de manteiga, duas de chocolate em pó. Demora mais para dar o ponto. Mas vale cada minuto. É o melhor brigadeiro que já comi na vida. A receita da infância virou passado. Mas as festinhas de antigamente viraram moda aqui em casa.

>> Postado por Rita Lobo 20:53

Quarta-feira, 16 de abril de 2008

Jantar para 40

Jantar para 40

A Franey, supercolaboradora do Panelinha, escreve um e-mail para contar sobre o primeiro jantar para 40 pessoas que ela fez na vida. Era para comemorar o aniversário do marido dela. O detalhe é que ela mora na Alemanha, então, nada de empregada para picar a cebola!

”Comecei no dia anterior (até as 3 da manhã...) e no outro dia foi non-stop. Algumas fotos eu coloquei na minha página na comunidade, junto com as respectivas receitas. Esta imagem mostra a cozinha pronta para receber o pessoal (e ao fundo uma das minhas pinturas). Como meu marido é designer de carros, o bolo (que é a receita do bolo de aniversário do Panelinha) tinha que levar alguma coisa da paixão dele pelas 4 rodas.

Desastres aconteceram: uma parte do bolo que já estava pronta teve que ser jogada fora porque caiu água; preparei meio quilo a mais de cuscuz que acabou sendo demais; para encher os potinhos de musse pinguei minha cozinha toda. Comprei a páprica doce ao invés da picante e tive que largar tudo e correr no supermercado; minha geladeira era pequena demais para tanta coisa, e era muito cordeiro marroquino paras minhas pequenas panelinhas! Fora o meu jeito estabanado, que rendeu outras pequenas catástrofes, mas, no final, deu tudo certo.

O cordeiro marroquino foi um sucesso enorme, aliás, como todo o resto. Eu fico muito impressionada com o efeito que a comida tem sobre as pessoas. Fica todo mundo rindo à toa, de bom humor, feliz. Já estavam, é claro, mas uma boa comidinha só ajuda ainda mais. Recebi um monte de elogios que faço questão de partilhar aqui com você. Quando as pessoas me dizem "Nossa, que delícia esse prato", eu sempre respondo que o mérito não é todo meu.

Tem só duas coisas que eu também quero dividir: no final eu estava cansadíssima. No dia seguinte me deu preguiça até de botar água na cafeteira, e levei os hóspedes pra tomar café da manhã fora. Ter um restaurante deve ser uma tarefa árdua, imagino, e não é pra mim com certeza.

Dois: eu pinto quadros, e o resultado do meu trabalho é objeto de apreciação. O resultado de quem cozinha é não ver nada, some tudo! Não sobrou um docinho! Quando eu vi que a mesa e os pratos estavam vazios, pensei: ainda bem que eu fotografei. Claro que isso é um sinal de bom trabalho. Mas para alguém como eu, que trabalha com imagens, ver o resultado de horas e horas de labuta sumir assim, deu uma sensação meio esquisita. Quase fiquei indignada, me dava vontade de dizer, "ô, tira a mão desse docinho e deixa o cuscuz em paz que me deu o maior trabalhão, viu?". Onde já se viu comer essa comida LINDAAA, que idéia... Devo ainda me acostumar com o fato de que o sucesso da comida acontece fora do alcance dos olhos. E para uma pintora isso não é assim tão simples.

Um grande abraço,
Franey

>> Postado por Rita Lobo 22:19

PERFIL
  • Rita Lobo é obcecada por comida. Por isso, em 1995, fez um curso de formação de chef nos EUA. De lá para cá, teve restaurante, escreveu para o jornal Folha de S.Paulo, publicou o livro Cozinha de estar, lançado pela editora Conex, e há oito anos comanda o site Panelinha.

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