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Quarta-feira, 25 de abril de 2007

Cartas a um jovem estilista

Cartas a um jovem estilista

Se eu fosse a mãe do Alexandre Herchcovitch, estaria toda orgulhosa! Aliás, estou orgulhosa mesmo sem ser mãe dele. Mas não é só pela loja inaugurada em Tóquio. É pelo livro Cartas a um jovem estilista - A moda como profissão. O lançamento será dia 8 de maio, na Livraria da Vila da al. Lorena. Eu acabei de receber um exemplar de presente! Mas vou buscar o meu autógrafo.

O Alexandre adora cozinhar. E cozinha. Há muitos anos, ele me ensinou um truque cheio de estilo: cozinhe o peito de frango com um pedaço de beterraba na água e o resultado será um frango cor-de-rosa. Não é fofo?

>> Postado por Rita Lobo 15:34

Terça-feira, 24 de abril de 2007

Videos novos!

Videos novos!

Juro que eu não explodi de tanto tomar sorvete de milho verde. Não foi esse o motivo do meu sumiço. Espero que você também não tenha ficado enjoada por dar de cara com o picolé todas as vezes que entrou no blog nesta semana. Aliás, ainda sobre o picolé, Bento Berenguer, da La Basque, enviou um e-mail informando que eles não o tiraram de linha, como eu havia dito no post abaixo. A Ale Blanco, minha amiga e blogueira de primeira, e eu tivemos um “transmimento de pensação” e postamos sobre o tal picolé do Rochinha no mesmo dia. Achei engraçado. O título do post dela é: Rochinhas invadem São Paulo. Ale, está comprovado: ontem fui jantar na casa da minha mãe e a geladeira estava repleta deles! Você já comeu o de melancia? É muito bom!

Confesso que estou muito orgulhosa de mim mesma: fiz um jantar para 12 pessoas em menos de 2 horas. Está certo que estou abolindo dos meus cardápios essa história de ter aperitivo, canapé, entrada, prato principal... Faço um prato e vários acompanhamentos. E cada um come quanto quiser. Ontem, era o salmão em papillote (assado com ervas e legumes), salada de lentilhas com amêndoas e hortelã, salada de cuscuz marroquino com tomatinho-cereja e alcaparras, batatinha superassada (quase queimada, adoro!) com alecrim e sal grosso e uma coalhada cítrica, cheia de raspinhas de limão e azeite, que combina com tudo. A sobremesa já estava pronta. Não entra nessa conta dos 120 minutos.

Preciso contar do aniversário do Gabriel, da degustação que vamos fazer no estúdio e do lançamento do meu livro novo! Mas não agora... Enquanto isso, clique no canal de vídeos e assista aos três novos Drops que colocamos no ar essa semana: salmão em crosta de ervas, pão de nozes e este bolo inglês integral da foto. Todos deliciosos!

>> Postado por Rita Lobo 16:16

Quinta-feira, 12 de abril de 2007

Picolé de milho verde forever!

Picolé de milho verde forever!

Há muitos anos, você nem era nascida, fui a um astrólogo que queria me convencer que, em outra vida, eu tinha passado fome: esta seria a raiz da minha obsessão por comida. Eu fiquei na minha, e deixei ele falar bastante. Ele disse também que o meu aparelho digestivo pensava que era o de um camelo. Aí fiquei confusa. Eu passei fome e ainda era um camelo? Não era uma rainha da França, não? Poxa, todo mundo que faz regressão descobre que era rainha de algum lugar. Eu só queria saber o meu ascendente e ganho título de ex-camelo faminto! Pedi uma explicação. Era simples, ele disse que o camelo armazena água para não passar sede no deserto; no meu caso, quando descubro um sabor novo, como até enjoar por medo de que, um dia, ele, o ingrediente, venha a faltar. E nisso, ele tinha lá sua pitada de razão.

Meu paladar tem fases. Passei anos sem comer manga. Um dia, acordei, comi uma fatia de manga e passei os meses seguintes comendo manga no café da manhã, no almoço e no jantar. Tive a fase da abóbora, do abacate, do missô. Por sorte, não tive a fase do bacon nem do creme de leite. Mas agora estou na fase do sorvete de milho verde do Rochinha.

Passo as tardes pensando nele. Não tenho vontades pela manhã ou depois do almoço. É em torno das 4 horas que vem um súbito – agora nem tão súbito – desejo. As meninas aqui no Panelinha dizem que eu até começo a mudar de cor. Nem me olho no espelho, mas sinto que vou ficando amarela, que é a cor do sorvete de milho verde. Ou será que estou ficando com cor de camelo? Para a minha sorte, a Nicole, também conhecida como a Barbie Jambo aqui do escritório, também tem lá sua quedinha pelo sorvete. Hoje, quando ela estava saindo para buscar um picolé, pedi que ela trouxesse outro para mim também. “Só se você falar de mim no blog...” Pronto, Nicolete, agora dá esse sorvete para mim!

Só um minuto.

Ainda quero falar sobre sorvete de milho verde.

Pronto, acabei.

Na verdade, sorvete de milho não é nenhuma novidade para o meu paladar. Quando eu era criança, meu pai tinha uma Caravan daquelas com banco único na frente, motivo de briga entre os meus irmãos e eu para ver quem ia sentado entre os meus pais. “Ninguém”, era a palavra final. Aí vinha a disputa pelo assento da janela. E a trégua só surgia no Castelinho da Pamonha, que, então, era apenas uma lojinha na Rodovia Castelo Branco. Da pamonha, não me lembro. Mas o levíssimo sabor do sorvete de milho, não dá para esquecer.

(Lembrei de uma historinha, mas ela é bem bairrista, só para paulistanos. O sobrinho italiano do marido de uma amiga veio passar férias em São Paulo e, dois dias depois, não resistiu e perguntou: “essa maconha vendida na rua é boa?” Como? Minha amiga nem sabia o que responder. “Que maconha?”, foi a resposta. “Essa: maconha, maconha de Piracicaba”.)

Os anos se passaram e eu comprei o meu primeiro carro. Convidei um bando de amigos para estrear o possante tomando sorvete de milho verde no Castelinho da Pamonha. “Que nojo, sorvete de milho?”, era a resposta mais comum. Mas uma amiga topou fazer companhia. “Só uma pergunta: para que ir até a Castelo Branco? Você não gosta do sorvete de milho da La Basque?”

O quê? A La Basque tem sorvete de milho? Sim, naquela época tinha. Saiu de linha. Acho que foi durante as minhas férias. Mea culpa. Como eu iria saber que a vida dele dependia de mim? Ou melhor, da compra semanal de um mísero potinho de sorvete? É por isso que o meu paladar me obriga a passar por essas fases. Ele sabe que tudo pode acontecer.

Eis que surge Nicole com um picolé de milho verde. E a loja onde ela compra fica a menos de dois quarteirões do escritório. É um picolé cremoso, menos que o finado da La Basque, mais que o longínquo do Castelinho da Pamonha. Perfeito para uma tarde quente. Fico pensando no pior e tenho vontade de comer uns cinco por dia. Mas agora que conheço mais uma pessoa que gosta de sorvete de milho, vou combinar um revezamento. Se eu precisar viajar, sei que a Nicole vai comprar pelo menos um por dia. Assim, ele não sai de linha. E eu também não!

>> Postado por Rita Lobo 19:00

Terça-feira, 10 de abril de 2007

Nunca treze à mesa

Nunca treze à mesa

Na semana passada, meu marido me pediu para organizar em casa um jantar para doze pessoas. Doze? É que os números dele nunca são exatos, “umas trinta ou quarenta pessoas” costuma ser a resposta-padrão. Um pesadelo para qualquer cozinheiro que não gosta de colocar água no feijão. Desta vez, porém, eram doze. “Talvez catorze”, ele corrigiu. Roberto, doze ou catorze, tudo bem, mas nunca treze à mesa! (Aliás, não é esse o título daquele livro de receitas e causos da Orietta del Sole?).

Decidi aproveitar e juntar a fome com a vontade de comer. Chamei a Nina, que trabalha aqui no Panelinha, fizemos o jantar e anotamos tudo para colocar o passo-a-passo no blog. Cardápio, lista de compras, lista de material de mesa, de serviço, plano de bordo para não se atrapalhar na cozinha. Tem tudo. Só não tem a lista de convidados!

Queria fazer um jantar com um cardápio bem informal, e o serviço bem confortável. Em vez de fazer uma entrada, um prato principal e assim por diante, fizemos duas opções de pratos quentes, um peixe e um cordeiro, e quatro acompanhamentos. Todos combinando entre si. Para a sobremesa, sempre gosto de servir um doce com chocolate e outro à base de frutas. E para não ter que ficar tirando prato, limpando cinzeiro, servindo vinho e ainda ter que terminar a noite com cara de bonita, chamei dois garçons para me ajudar.

>> Postado por Rita Lobo 16:48

Terça-feira, 10 de abril de 2007

O cardápio

O cardápio

O João Wainer, meu enteado que é fotografo, não teve paz nesse jantar: foi obrigado a fotografar todos os pratos em 3 segundos, antes de eles irem para a mesa. Esta é a salada de lentilhas com queijo feta e cebolas fritas. Divina! (Modéstia à parte, claro.)

Antes do jantar
Castanhas e frutas secas (castanha-de-caju, castanha-do-pará, macadâmia, pistache, damasco)
Crudités (cenoura, salsão, erva-doce, pepino-japonês, todos cortados em palitos do mesmo comprimento)
Pastas (homus e coalhada seca)

O jantar
Cordeiro marroquino
Cherne em papillote aromatizado com endro
Salada de lentilha com queijo feta e cebola frita
Cuscuz marroquino com damasco, salsinha e amêndoas
Salada de uva, pepino e hortelã
Salada de verdes com molho de romã

As sobremesas
Musse de chocolate preto e branco
Saladinha de melão cantaloup com calda de gengibre e sorvete de creme
Café, Chá de hortelã com limão e mel

Bebidas
Vinho espumante, vinho branco e vinho tinto
+ água, refrigerantes e uísque

>> Postado por Rita Lobo 16:47

PERFIL
  • Rita Lobo é obcecada por comida. Por isso, em 1995, fez um curso de formação de chef nos EUA. De lá para cá, teve restaurante, escreveu para o jornal Folha de S.Paulo, publicou o livro Cozinha de estar, lançado pela editora Conex, e há oito anos comanda o site Panelinha.

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