Sexta-feira, 30 de março de 2007
Os Blogs da Fernanda
Fernanda queria ser cantora. Pelo menos, é o que ela diz no blog dela. Eu duvido, acho que é papo. Ela ama trabalhar com moda. Ama. É personal stylist. Das boas. Mas isso é só uma parte do trabalho dela e da Cris. Elas são sócias na Oficina de Estilo. E as duas fazem o o blog de lá. Elas sabem tudo de moda: quem fez o que na última coleção, qual peça foi “homenageada” pela Zara, onde encontrar uma bolsa incrível com um precinho da hora, como transformar um vestidinho qualquer nota num visual deslumbrante, a cor que você não deveria usar, o que uma pessoa quer dizer com determinada roupa e o que vestir quando você não sabe o que dizer.
A Fernanda virou blogueira profissional. Ela é editora do http://www.updateordie.com.br/ moda e colaboradora do http://www.ag407.blogspot.com/. Vira e mexe ela me manda coisas bacanas. Outras, nem tanto (é só para sacanear: ela vai ler este post, afinal, meu blog está entre os 150 que ela assina o RSS. Mas eu não sou ciumenta). Hoje ela me mandou esse link bem bacana: http://www.tastespotting.com/. É isso. Melhor eu parar por aqui, pois ela também disse que os meus textos andam muito longos. São os seus que são muito curtos, Fernanda.
>> Postado por Rita Lobo 15:20
Quinta-feira, 29 de março de 2007
Mail da Dani
Querida Rita,
Há tempos acompanho o Panelinha, a princípio garimpando receitas e agora me delicio também com os textos. Nem sei como especificar a intenção deste email, mas depois de ler que não há espaço para comentários mas que, em compensação, poderia enviar um email diretamente para você, pensei, por que não?
É o seguinte, adoro cozinhar! Desde pequena ficava espiando minha avó cozinhar e hoje consigo reproduzir suas receitas usando minha memória e meu paladar.
Atualmente estou grávida de 6 meses o que me impediu de continuar a produzir as conservas, que eu comecei a divulgar neste blog aqui http://conservasdadani.blogspot.com/, que já foi completamente desvirtuado e, coitado, vive desatualizado.
No momento não há muito o que eu possa fazer, pois esta história de gravidez está me deixando com a maior preguiça mas, no futuro, gostaria de investir neste meu, modéstia a parte, talento culinário. Já pensei em fazer faculdade de gastronomia, mas já me disseram que não é necessário. Me sinto totalmente capaz de enfrentar uma cozinha comercial, e adoro inventar receitas, o que faço freqüentemente em casa, tendo o marido como cobaia. Raramente ele reprova alguma receita.
Enfim, o que estou tentando descobrir é como entrar nesta área, digamos assim, profissionalmente. Já pensei em me oferecer em algum restaurante para trabalhar gratuitamente e, assim, aprender alguns truques para não ser tão "mirim" e criar mais confiança. Meu marido até pode descolar um estágio em um restaurante de um chef renomado, o que não posso fazer agora, em função da gravidez, e porque não sei qual a real eficácia da experiência.
Se tiver tempo e paciência, por favor, responda meu email. Dicas, experiências e conselhos são bem-vindos.
Dani
Sabe, Dani, gostei tanto de receber o seu e-mail. Acho que me vi em você, pensei em quando eu estava grávida do Gabriel, passando por um turbilhão de emoções que só ele, o Gabriel dentro da minha barriga, e eu sabíamos. Era uma montanha-russa de dúvidas e certezas. Era o nascimento de um amor sem precedentes. Era eu mudando por dentro e por fora. O enjôo, o sono e, depois, a vitalidade maluca que a gente fica no último trimestre. Dá vontade de arrumar a casa, de preparar o ninho. A gravidez da Dora foi diferente, e não só porque era a segunda, mas fiquei sete meses de repouso. E foi rápido. Escrevemos um livro, ela e eu. O Cozinha de estar. Ela nasceu escrevendo. E agora vive cantando. Já tem 2 anos, a Dora. O Gabriel vai fazer 5 agora em abril. Acho que ele vai ser piloto de avião. Ou formar uma banda de rock com a Sandy, não a do Jr., a nossa babá.
Sabe, Dani, eu também não sei por que fiquei com vontade te responder assim, de coração aberto. Acho que quero te contar que, por causa deles, eu não sou mais a mesma. Tudo muda. A maneira de sentir as coisas, enxergar as pessoas, o trabalho, a própria vida. E também muda a maneira que a vida trata a gente (e é muito melhor!).
Dia desses, encontrei com a irmã de um amigo passeando com o filhinho de 4 meses. Fazia tempo que não pensava nisso, mas achei os primeiros meses tão, mas tão difíceis, mal conseguia sair de casa. E ela estava lá, no café, toda pimpona com o filho no colo. Às vezes, o dia passava e eu ainda estava de pijama. Mas cada um é de um jeito. E você vai ser mãe do seu jeito. E, nesse começo, nada mais importa.
Ficava imaginado como iria ocupar o meu tempo nos quatro meses de licença-maternidade. Ah, Dani, se eu pudesse te contar... Não dá tempo para nada, só para aprender a ser mãe. E os hormônios? Eles enlouquecem a gente. Uma vez, disse para o Roberto, meu marido, que estava muito triste, com uma angustia, um aperto no peito. Ele, que é um pouco hipocondríaco, quis logo saber se eu queria ir ao médico. Eu só queria conversar. Disse que sentia muita pena do Gabriel, achava ele tão indefeso, incapaz até de se virar sozinho no berço (acho que ele devia ter uns quinze dias de vida). E o Roberto me respondeu que, talvez, se não fosse por esse sentimento, eu não tivesse disposição de passar noites em claro, amamentar a cada três horas e ainda achar aquele ser uma gracinha. Fiquei mais aliviada.
Dani, na minha experiência, esse período que você está passando, ou vai passar agora, é um momento de espera. A vida fica “em espera”. E isso pode ser frustrante. Cresci entre dois irmãos, homens, e aprendi que tinha que fazer a minha vida acontecer. E não ficar esperando nada de graça. E o pós-parto não tem nada a ver com isso. Somos obrigadas a experimentar um outro ritmo. E, as vezes, a impressão que se tem é que nunca mais iremos conseguir fazer mais nada. Mas os meses passam, os bebês crescem. De repente, a nossa vida volta ao normal. Mas não somos mais as mesmas. Ficamos mais fortes, mais eficientes, sem tempo a perder. E aí, você vai saber o que fazer para explorar o seu talento. Sem modéstia. Acho que era isso que eu tinha para te dizer. Aproveite a sua gravidez e o nascimento do seu bebê. Passa tão rápido. Mesmo. Deixe suas dúvidas cozinhando em banho-maria que, de repente, os respostas começam a ferver dentro de você.
>> Postado por Rita Lobo 18:23
Segunda-feira, 26 de março de 2007
Sabendo levar...
Era a primeira vez que ele jantava no Spot. Mas isso já faz tanto tempo que o rapaz nem se lembraria daquele jantar. Tinha caído de pára-quedas naquela mesa e não parecia querer esconder que estava maravilhado com o lugar, com as pessoas e até com a comida. Recém-chegado do interior, ele não conseguiu segurar o comentário: “Puxa vida, sabendo levar, São Paulo é melhor que Nova York, né não?” O amigo dele, que cresceu na casa colada com a dele, mas vivia em São Paulo há tantos anos, resmungou bem baixinho, em tom sarcástico e com uma pitada de reprovação: “Nossa, mas precisa saber levar muito bem, hein?”
Achei a frase engraçada. E passei a usá-la com freqüência. Mais em pensamento do que em voz alta. E, boa parte das vezes, com sentido oposto. Como diria o meu pai, fazendo chacota. Uma década depois, porém, a frase resolveu invadir a minha cabeça durante o fim de semana todo. E, na maioria das vezes, no sentido original.
Na sexta-feira, meu marido e eu estávamos nos preparando para sair quando Gabriel, que já está com quase 5 anos, perguntou se poderia ir jantar conosco. Um pedido incomum. Decidimos levá-lo. Fomos andando até o Le vin, restaurante que se encaixa na categoria sabendo-levar-São-Paulo-é-melhor-que-Paris. Gabriel já tinha jantado (eram 9 horas da noite), mas queria comer batatas fritas. E as batatas fritas de lá são realmente deliciosas. Antes mesmo de escolher uma taça de vinho para mim, pedi ao garçom que comandasse rapidinho a batata do meu filho. Ele voltou para tirar o pedido das bebidas com as fritas já em mãos. Em seguida, colocou na mesa o couvert: pão, manteiga e patê de fígado de galinha. “Mamãe, o que é isso? É para comer com o pão ou com a batata?” Espalhei um pouquinho de patê no pão, mas bem pouquinho, pois estava certa de que teria de pegar um guardanapinho de papel para ele cuspir.
“Gostou, Gabriel?” Ele respondeu que achou uma delícia e enfiou uma batata no potinho de patê. Assim, numa sexta-feira, como outra qualquer para nós, e especial para o Gabriel, que jantava num restaurante francês pela primeira vez, nasceu o gosto dele por batata frita com patê de fígado de galinha. Nada mal, aliás.
Pedi minha taça de vinho, mas não sem antes deixar de reparar que o rapaz que sempre nos atende mudou o penteado: ele ficou com cara de garçom francês! E, naquele momento, mesmo sem ter tomado a taça de vinho, um pedaço de mim concluiu que, sabendo levar, São Paulo estava melhor que Paris.
Sábado acordou ensolarado. Eu acordei da escuridão de um pesadelo que prefiro nem pensar. Levantei, fiz alguns telefonemas, e estavam todos vivos. Depois liguei para a minha amiga Fernanda e combinamos que levaríamos as crianças para tomar café conosco antes de irmos conhecer a Livraria da Vila, recém-inaugurada na Al. Lorena. Entramos no Suplicy e demos de cara com um casal de amigos que encontrou com uma amiga que iria se encontrar com um amigo. Quase um episódio de Friends. E, por um único segundo, pensei que, sabendo levar, São Paulo é melhor que Nova York. Tomamos um bom café, comemos muffins, tomamos mais café e fomos andando até a livraria.
Sabíamos que o piso inferior era dedicado às crianças, mas custamos a chegar lá. Livros, sofás, mais livros, conhecidos, uma amiga, aquele livro que há tempos estava procurando. “Posso deixar separado no caixa?” É a minha mania de perseguição que acha que alguém vai comprar o livro antes de mim. Não que fosse o último, mas... Descemos a escada e os olhos das crianças começaram a brilhar. Pufes coloridos gigantes, um teatrinho com cortina estampada, todos os livros do mundo só para eles e ninguém para impedi-los de brincar. O meu irmão chegou com a minha cunhada e a minha sobrinha Rosa. As crianças ficaram brincando e os adultos foram voando para o andar de cima. Um céu de livros nos esperava. Fui catando, um a um, todos os que eu queria folhear e, num instante, uma pilha se formou nos meus braços. Meu irmão e eu nos sentamos e ficamos praticando leitura dinâmica e conversando ao mesmo tempo. Naquele momento, não pude deter a sensação de que, sabendo levar, São Paulo é melhor que Londres. Ok. Também não vamos exagerar. Mas, um sábado tranqüilo e ensolarado traz esperanças. E a gente vai levando, a gente vai levando essa vida.
>> Postado por Rita Lobo 11:37
Sábado, 24 de março de 2007
Biscoito de Pessach
E-MAIL DA BRANCA
Querida Rita
Não sei se você tem interesse, mas estes biscoitos de Pessach são muito, muito bons. É sucesso absoluto!
Beijos,
Branca Sister
www.receitasdabranca.com.br
Kamish Broit para Pessach
Ingredientes
8 ovos
400 ml de óleo de canola
180 a 200 gr de chocolate meio amargo picado
100 gramas de nozes ou pistaches picadaos
suco de 1 limão
2 copos de açúcar
2 1/2 copos de fécula de batata
3 copos de farinha de matzá
Modo de Fazer
Misturar todos os ingredientes. Com o auxílio de uma colher, colocar a massa em tiras, em um tabuleiro sem untar, sendo que as tiras devem ficar afastadas umas das outras. Assar por cerca de 30 minutos em forno preaquecido a 180° C (temperatura média), até que comecem a corar. Cortar as tiras em fatias, assim que retirar do forno. Voltar ao forno para terminar de assar dos dois lados (virar os biscoitos quando estiverem assados de um lado).
Branca, querida
Claro que vou experimentar esses biscoitinhos! Pelo que sei, suas receitas são maravilhosas. E a nossa amiga Esther sabe das coisas. Muito obrigada pelo e-mail e pela receita!
>> Postado por Rita Lobo 15:05
Quinta-feira, 22 de março de 2007
Say cheese!
Antes da festinha começar, a Nina, a Helô e eu aproveitamos para fazer pose para a primeira foto da equipe na cozinha do Panelinha. Esses bolinhos fofos são de limão. Além deles, servimos também: cuca de banana, brownie, muffin de cenoura com calda de chocolate e o meu favorito bolo de fubá com limão e castanha-de-caju. E para acompanhar, muita Freixenet!
>> Postado por Rita Lobo 10:43
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Rita Lobo é obcecada por comida. Por isso, em 1995, fez um curso de formação de chef nos EUA. De lá para cá, teve restaurante, escreveu para o jornal Folha de S.Paulo, publicou o livro Cozinha de estar, lançado pela editora Conex, e há oito anos comanda o site Panelinha.












