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Quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Chocolate dos padres

Chocolate dos padres

A Marilu, editora aqui do Panelinha, deu uma dura em mim. Disse que todo mundo chama o chocolate em pó da Nestlé de “do padre”, não só a minha mãe... Mas, para embasar a dura, ela mandou o seguinte texto:

Desde o lançamento, o Chocolate em Pó Gardano era conhecido tradicionalmente entre os consumidores como o “chocolate do padre”. A Gardano, fundada em 1921, na cidade de São Paulo, fabricava também o Mentex.

Em 1957, a suíça Nestlé comprou a Gardano, mudando o nome da empresa paulistana para Companhia Brasileira de Chocolates - Chocobras. O nome Gardano permaneceu no mercado até 1959, quando foi substituído pela marca Nestlé. Apesar da mudança de nomes, a Nestlé manteve a imagem dos dois frades para ilustrar a embalagem do chocolate em pó.

Mais tarde, em 1975, a empresa suíça registrou a marca Dois Frades para o tradicional Chocolate em Pó Nestlé. Em 1991, foi registrada a marca Chocolate dos Padres pela companhia.


Ela também conta que a imagem dos dois frades reproduz uma das telas do pintor italiano Alessandro Sani, nascido em Florença, na segunda metade do século 19. O quadro, um óleo sobre tela, conhecido como “O prato favorito”, era justamente uma das pinturas prediletas do antigo dono da Chocolates Gardano e serviu de inspiração para a embalagem do chocolate em pó produzido pela empresa. A tela aí de cima, "The tasting", é outro óleo do mesmo pintor e foi vendida recentemente, em um leilão realizado pela Christie’s de Nova York, por US$ 6.000.

Marilu, agora eu também vou chamar de chocolate dos padres. Pode deixar.

>> Postado por Rita Lobo 19:46

Quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Mudcake

Mudcake

Comida de mãe sempre tem sabor de infância. Não é o caso deste bolo. Agora no carnaval, foi a segunda vez que a minha mãe preparou a receita – e a primeira que eu comi. Por isso, posso dizer com isenção: é delicioso! Não é um bolo levinho. Tem sabor forte de chocolate (só na massa vai uma caixa inteira de chocolate em pó, aquele dos frades, que ela insiste em dizer que é do padre), um aroma escondido de limão (vai raspinha de um limão) e ainda leva duas colheradas de vinho do Porto, que intensifica os outros sabores. Quando sai do forno, o bolo ganha uma cobertura (uma ganache) que mistura mais uma xícara de chocolate em pó com uma lata de creme de leite. É forte e irresistível. Mas não dá para comer muito, o que, na minha opinião, é uma vantagem.


Se quiser se comunicar comigo, mande seu e-mail para editor@panelinha.com.br

Mudcake

Para a massa

manteiga e farinha de trigo para untar e polvilhar
raspas da casca de 1 limão
4 ovos
120 g de manteiga
1 ¼ de xícara (chá) de açúcar
2 colheres (sopa) de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de vinho do Porto
200 g de chocolate em pó
1 pitada de sal


Modo de preparo

1. Preaqueça o forno a 180ºC (temperatura média). Com um pedaço de papel-toalha, unte com manteiga o fundo e as laterais de uma assadeira retangular média de 35 cm x 25 cm. Polvilhe com farinha de trigo.
2. Raspe a casca de 1 limão com cuidado para não ralar a parte branca (que poderá amargar a receita).
3. Derreta os 120 g de manteiga no microondas. Se preferir, coloque a manteiga em uma panelinha e leve ao fogo baixo, ou ao banho-maria, e desligue assim que derreter.
4. Separe as gemas das claras. Na batedeira, bata as claras até o ponto neve. Comece batendo a velocidade baixa e, depois de 2 minutos, aumente a velocidade. Quando começar a formar picos, desligue. Transfira para outra tigela e reserve.
5. Sem lavar a tigela e a pá da batedeira, bata as gemas com o açúcar até obter uma gemada clarinha. Junte a farinha de trigo, o vinho do Porto, as raspas de limão e a pitada de sal.
6. Reduza a velocidade da batedeira, adicione metade do chocolate em pó e bata apenas para misturar. Aumente a velocidade e junte metade da manteiga derretida. Repita o procedimento com o chocolate e a manteiga restantes.
7. Sem parar de bater, junte a metade da clara em neve e bata levemente apenas para misturar. Desligue a batedeira e incorpore a outra metade da clara em neve, misturado com uma espátula.
8. Transfira a massa para a assadeira preparada, espalhe uniformemente e leve ao forno preaquecido para assar por 20 minutos. Na hora de retirar do forno, espete um palito no centro do bolo. Se sair limpo, está pronto. Caso contrário, deixe assar por mais alguns minutos.

Para a calda

1 lata de creme de leite
1 xícara (chá) de chocolate em pó
1 colher (chá) de essência de baunilha

Modo de preparo

1. Enquanto o bolo está no forno, misture os ingredientes numa panelinha. Leve ao fogo baixo e continue mexendo até aquecer. Não deixe ferver.
2. Assim que retirar o bolo do forno, espalhe a cobertura. Sirva à temperatura ambiente ou leve à geladeira e sirva gelado. Sorvete de creme acompanha este bolo muito bem.

>> Postado por Rita Lobo 15:33

Quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

O lado bom do carnaval

O lado bom do carnaval

A minha mãe disse que eu pareço muito antipática por dizer que não gosto de carnaval. (Antes que você concorde, ela frisou bem que eu não sou antipática...). Então, como tudo o que minha mãe fala tem um enorme impacto sobre mim, decidi pensar no lado bom do carnaval, além de ser feriado, mas isso eu disse no outro post.

Calma! Ainda estou pensando.

Bom, ainda não consegui achar nada, mas estou louca para colocar aqui a receita do bolo de chocolate, MARAVILHOSO, que minha mãe fez no carnaval para os netos. Ela não é muito de cozinhar, mas quando resolve... Olha aí, mãe, seu bolo de chocolate foi outra coisa boa do carnaval! E o Porto Tônica do papai também estava ótimo.

>> Postado por Rita Lobo 15:20

Quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Quarta-feira de Cinzas

Quarta-feira de Cinzas

Meu sistema imunológico anda cada dia mais estranho. A última dele é que não me deixou ler jornal, ou revista semanal, nem assistir à televisão nos últimos dias. Mas, ontem, acho que descobri a razão: medo de morrer de constrangimento. Antes do nascimento dos meus filhos, carnaval era sinônimo de “ir-para-Nova-York-com-um-bando-de-amigas”. Long time... Agora, se precisar, até em bailinho eu vou. Por sorte, eles ainda não pediram.

Tenho certeza de que existe uma leitura socioantropológica incrível para essa “manifestação popular”... Mas o que posso fazer, vou lutar contra o meu próprio sistema imunológico? Eu morro de vergonha pela Globeleza. Fico com um aperto no coração até pelos apresentadores que passam o ano inteirinho construindo a imagem de jornalistas sérios e, no carnaval, vestem aquele uniforme estranho e apresentam o desfile das escolas em ritmo de samba. Imagino que desfilar seja uma experiência única, e tenho uma porção de amigos que, ano após ano, pagam qualquer preço por uma fantasia da Mangueira. Mas nem pela televisão consigo assistir a um desfile sem ficar constrangida.

Este ano, não fosse pela “maratona de carnaval” do canal a cabo Discovery Kids (ainda não sei se é o favorito dos meus filhos ou da mamãe) não teria percebido que passamos por mais um carnaval. Não vi uma bunda sequer. Isto é, salvo a da Globeleza, que começa a rebolar antes mesmo do Natal. Meu filho, então, pergunta se eu gosto de carnaval. Não quero influenciá-lo, vai saber se a felicidade dele está justamente na avenida... Respondo perguntando se ele gosta. “Acho que não”, ele responde. “Mas por que é que todo mundo tem que ficar fantasiado de cocó no carnaval?” Sei lá, Gabriel, nem tinha reparado que as pessoas ficavam com cara de galinha. Mas acho que você tem razão, também não gosto muito de carnaval. Pronto. Acho que o sistema imunológico é hereditário. Quando a Dora, minha filha, quiser saber o que eu penso do carnaval, vou logo dizendo a verdade: é bom porque é feriado e São Paulo fica uma delícia.

>> Postado por Rita Lobo 14:53

Quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Falafel no bairro judeu

Falafel no bairro judeu

Passei mais horas num avião do que em Jerusalém. Tinha apenas um dia para conhecer, e comer, tudo o que eu queria. Para não perder tempo, Zvika, o meu guia, que conhece a cidade melhor que a palma da mão, decidiu dividir a visita em três etapas: a Cidade Antiga pela manhã, o Museu Yad Vashem à tarde e o mercado Machane Yehuda antes de escurecer. E para começar bem o dia, o melhor sanduíche de falafel do bairro judeu, segundo Zvika.

>> Postado por Rita Lobo 11:37

PERFIL
  • Rita Lobo é autora dos livros A conversa chegou à cozinha, crônicas e receitas (editora Ediouro), Culinária para bem estar, receitas antiTPM (editora Panelinha) e Cozinha de estar (editora Conex). Formada em gastronomia nos EUA, a chef começou a escrever sobre comida em 1995, no jornal Folha de S.Paulo. Em 2000, criou o site Panelinha, que dirige até hoje.

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