Segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Operação engorda
Parece incrível ter gente que luta com a balança para ganhar alguns quilinhos, quando a maioria quer ver o ponteiro baixar. Mas se você é da turma que perde peso rápido e está sempre em dívida com a balança, nada de compensar no leite condensado.
Se você está precisando ganhar peso, uma dica é fazer como os europeus: deixe a salada para o final. Comer a salada no início da refeição fará com que você coma menos dos outros alimentos, pois ela é rica em fibras, que dão sensação de saciedade.
Pense em aumentar a densidade calórica de suas refeições, sem comprometer muito o volume, para não ficar difícil de comer. Não encha muito o prato, e repita, se for necessário. Colocar um fio de azeite ou polvilhar queijo ralado sobre os alimentos, por exemplo, pode ser uma idéia prática e saborosa.
Mesmo sem fome, dê uma "forçadinha" para comer algo a cada duas horas. Frutas secas (damasco, ameixa, uva-passa, banana-passa, entre outras) e nozes (nozes, pistache, avelãs, amêndoas, amendoim, castanha-de-caju e do pará) são ótimas opções para esses lanchinhos. Escolha também alimentos como granola com iogurte, banana com aveia, vitaminas, bisnaguinhas com frios, e salgados assados (como pão de queijo e esfiha).
Enriqueça suas vitaminas com leite em pó, granola, aveia e gérmen de trigo. Você pode também usar shakes (desses utilizados em dietas) como lanche entre as refeições. Leve um sanduíche de pão integral para o trabalho e coma em um ou dois lanches.
Não beba líquidos nas refeições, para não ficar estufado. E doces são permitidos, sim, mas somente como sobremesa, e não como substitutos de refeição.
O treino também é importante no ganho de peso, mas se não tomar cuidado, pode ser mais um fator que contribui para a perda peso. Se você treina e não consegue comer nada depois do exercício, beba. Use leite (puro ou misturado com frutas), água de coco ou bebidas esportivas. E depois tente comer alguma coisa salgada, como macarrão ou batata cozida.
>> Postado por Marcia Daskal 16:27
Segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Pimenta multiuso
A Rita falou sobre pimenta no One is fun, bem quando termino uma minipesquisa sobre esse maravilhoso ingrediente. A capsaicina libera, sim, endorfinas. E por isso tem sido usada promissoramente no tratamento de enxaquecas. Ela também promove aumento do metabolismo e morte de células tumorais, é anticoagulante e promove alívio respiratório.
Em alguns lugares, o ardido prazer associado a um leve toque de dor faz com que a pimenta seja considerada “coisa do demônio”. Por provocar calor, a pimenta também aparece no rol dos afrodisíacos (sendo proibida por monges, sacerdotes e celibatários); atribui-se a ela o poder de aumentar a fertilidade. Em locais quentes, como Nordeste do Brasil, Índia ou México, uma pimentinha é indispensável. Isso porque ela faz suar e ajuda a regular a temperatura do organismo. Além disso, suas propriedades bactericidas ajudam a evitar a deterioração dos alimentos, que acontece mais rápido em climas quentes.
Na pimenta-preta, a substância ativa é a piperina, que estimula as papilas gustativas, provocando um aumento de secreção de ácido clorídrico, melhorando, assim, a digestão. Ela ajuda também a evitar a formação de gases.
Você leu certo, sim. A pimenta ajuda na digestão e não deve ser evitada por quem tem gastrite e hemorróidas, justamente porque tem um efeito cicatrizante. Apenas deve ser consumida com moderação, e não coma se apresentar fistulas ou assaduras. A substância química que dá o ardor é exatamente aquela que possui as propriedades benéficas à saúde, entre elas a ação antiinflamatória, o que significa que ela pode efetivamente ajudar na cura desses problemas, como comprovado em artigos científicos publicados em revistas como Cell Signalling e British Journal of Anaesthesia.
Comer pimenta pode ser útil também em outras doenças inflamatórias e respiratórias, assim como no manejo da dor crônica. Claro, estamos falando da pimenta moída ou picada na hora; por isso, se você ainda não tem, coloque um moedor de pimentas na sua lista de prioridades.
Ah, se você exagerou na dose, não adianta beber água. A água acentua o sabor da pimenta. Coma um pedaço de pão ou beba leite ou iogurte para combater o ardor; isso remove a substância oleosa responsável pela sensação de calor.
>> Postado por Marcia Daskal 14:13
Segunda-feira, 08 de setembro de 2008
Gastronomia hospitalar
A gastronomia anda em alta, até mesmo em ambiente hospitalar. Pipocam concursos em hospitais para a contratação de chefs. Tudo para desmitificar a “comida de hospital”.
Já comentei aqui sobre quando fiquei internada, sem poder abrir a boca; a dieta era pastosa e a comida parecia comida de gato. Não sou fresca para comida, mas a coisa estava ruim, mesmo. Já viu mãe judia dizer, com cara de nojo, “não precisa comer, minha filha, não precisa comer!” e tirar o prato da sua frente?
Por essas e outras, é claro que dou o maior apoio à gastronomia hospitalar. Comer uma comidinha gostosa ajuda na recuperação.
Tem horas, porém, que menos é mais. Fui ao pronto-socorro com meu filho, já desidratado por passar uma madrugada com vômitos e diarréia. Ele recebeu soro e medicação na veia e assim que melhorou pediu uma sopinha. A enfermagem, muito gentil, conseguiu a dieta do hospital. Sopa de couve-flor com alho-poró. Meu filho é desses que adoram brócolis e couve-flor, como o menino da propaganda. Ele provou a sopa e, do alto de seus quatro anos, desatou a chorar. Quando você está doente do estômago, quer tudo menos inovação. O que cai bem é mesmo uma canjinha ou uma sopinha de macarrão. Ficou dois dias no PS e internado por mais cinco dias na pediatria. O diagnóstico era rotavírus. Soro na veia, dias e dias sem comer nada.
Chamo a nutricionista:
- Por favor, pode mandar um macarrãozinho sem molho? Uma maçã sem casca? Uma batatinha cozida?
- Pode ser alho e óleo? – ela pergunta.
- Alho e óleo?! Não, não, sem molho é melhor. Aliás, manda uma canja.
- Canja não tem, só sopa de legumes com alho-poró. Consigo a canja só para amanhã.
Devia ter um decreto que obrigasse hospital a ter canja todo dia. Afinal, sempre vai ter alguém precisando do conforto dela.
Em outro dia, meu filho pediu um bife no meio da tarde. Ligo na nutrição. Conseguem o bife. Vem meia hora depois, cheio de rodelas de alho-poró. Ele não quis, claro. Mesmo eu tirando o alho-poró. Também não quis as iscas de carne com cebola, nem o espinafre refogado.
Por mais que ele coma sushi, tofu, kiwi, lichia e damasco, doentinho, queria uma sopa de letrinhas, cenourinha cozida, bifinho. Estômago ruim pede comida simples, sem complicação.
Bife grelhado e batatinha podem, sim, fazer parte da gastronomia hospitalar. Mas sem alho-poró!
>> Postado por Marcia Daskal 17:49
Segunda-feira, 01 de setembro de 2008
Profissionais da saúde
Vários internautas têm escrito para comentar posts e perguntar sobre problemas individuais. Algumas das questões acabam servindo de inspiração para novos textos, mas nem sempre dá para resolver ou abordar problemas individuais aqui. Por exemplo,
a Judy conta que tem um cisto no pâncreas, gordura no fígado e outros problemas de digestão. Ela quer saber o que pode ou não comer e onde obter receitas para variar o cardápio dela, “que anda muito monótono”.
Judy, em primeiro lugar, quero agradecer o seu e-mail. É muito bom ter um retorno dos internautas. O fato de você procurar ter uma alimentação mais saudável já é um ótimo começo. Mas o seu caso é muito específico e requer sugestões feitas especialmente para você, de forma a contemplar suas tolerâncias e intolerâncias. Por esse motivo, acho importantíssimo que você procure um nutricionista clínico para resolver essas questões, inclusive a suplementação de vitaminas e enzimas, se necessário.
A Eloísa diz que gosta dos posts, pois ajudam a tirar algumas dúvidas e também orientam a ter uma vida mais saudável. Eloísa, essa é a idéia aqui do Vitaminado! A dúvida dela é referente a especialidades clínicas. Ela quer saber a diferença entre um endocrinologista e um nutricionista: “Para uma pessoa que deseja fazer uma dieta para emagrecer, qual dos dois profissionais é mais adequado?” A outra dúvida dela é qual profissional procurar para orientar uma dieta, levando em conta que ela pretende engravidar daqui a um ano.
Eloísa, estar preparada para uma gravidez é a melhor forma de começar. O endocrinologista é o médico que cuida do metabolismo e suas alterações (diabetes, tireóide, crescimento etc.). Por ser médico, pode prescrever medicamentos. Já o nutricionista não é médico, mas sim o profissional da saúde que estuda os alimentos e seus efeitos no organismo; portanto, é o mais indicado para prescrever dietas e ajudá-la a se preparar para uma gravidez com uma alimentação adequada e a suplementação de vitaminas. Antes de engravidar, é recomendável também procurar um ginecologista para fazer um check-up.
E já que estamos falando de profissionais da saúde, aproveito para indicar o blog da psicóloga Lia Ades, especializada em comportamento alimentar. No É pra ler ou pra comer?, blog que une psicologia e alimentação, ela discute assuntos interessantes. No post Mais açúcar do que imaginamos!, ela cita o Vitaminado... Mas além desse bate-papo virtual, nós duas trocamos muitas impressões sobre como o comer se tornou uma coisa tão complicada: requer até manual! Brincadeiras à parte, um brinde, Lia, a seu maravilhoso (e tão necessário) trabalho.
>> Postado por Marcia Daskal 17:09
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A nutricionista Marcia Daskal adora comer. Nunca concordou em ter que cortar coisas gostosas da alimentação e classificar os alimentos como bons ou ruins. É autora de 3 livros, entre eles, Assim ou Assado, e proprietária da Recomendo - Assessoria em Nutrição e Qualidade de Vida.











