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Segunda-feira, 16 de junho de 2008

Lição de casa nutricional

Lição de casa nutricional

Ganhei a semana. Um adolescente de 15 anos veio ao retorno da consulta e disse que havia conseguido experimentar verduras e legumes. Ele anotou o que comeu, acrescentando comentários divertidos: “Alface com milho é insuportável, mas ficou menos insuportável depois do terceiro dia; suflê de chuchu é uma delícia; brócolis, achei que ia ser horrível por causa da cara, mas até que é comível, a textura parece a de um chicletinho”, disse o garoto.

“Você não precisa gostar, apenas se disponha a experimentar.” Esse era o tema da nossa conversa. Em outra consulta, o acompanhante de uma paciente fez caras e bocas quando eu o orientei a preparar as refeições da filha de 10 anos. A menina comia bastante verduras, mas o problema é que na casa não tinha muitas opções além de brócolis. Quando falamos em quiabo, ele fez uma careta e disse: “Quiabo?! Não como nem amarrado. Não suporto”.

Perguntei quando tinha sido a última vez em que ele havia comido quiabo. “Quando eu era criança”, foi a resposta dele. Aí, chegamos ao ponto principal da questão: o paladar da gente muda, é preciso experimentar. E a criança nunca vai comer vegetais se não há vegetais em casa ou se os adultos ao redor dela também não comem.

Assim como para meus pacientes, proponho para você uma “lição de casa” nutricional: experimentar três alimentos diferentes por semana. Você pode fazer isso individualmente ou em um programa familiar: vá ao sacolão, à feira ou ao supermercado e juntos decidam quais alimentos estão dispostos a experimentar na semana. Pode ser chuchu, bardana, acelga, couve-de-bruxelas... A lista é grande, e o mais legal é que os alimentos podem ser preparados de maneiras diversas. Assim, se vocês não gostarem do espinafre refogado, podem experimentá-lo cru na salada; o chuchu pode fazer parte de alguma receita (como suflê) ou ser refogadinho com tomate, com cebola, na salada. Se precisar de ajuda, procure entre as centenas de receitas do Panelinha alguma que te pareça especialmente apetitosa. E lembre: você não precisa gostar. O importante é experimentar.

>> Postado por Marcia Daskal 16:58

Quarta-feira, 11 de junho de 2008

A dieta do bom humor

A dieta do bom humor

Nos dias de hoje, bom humor chega a ser um recurso. E o que você come pode estar intimamente relacionado com como você se sente. A falta de vitaminas do complexo B, por exemplo, pode acabar com seu humor. Essas vitaminas são encontradas no leite, iogurte, ervilha, sementes de girassol, uva, batata com casca, verduras de folhas, cereais integrais, carnes e peixes. Conheça alguns alimentos que não podem faltar em seu cardápio:

Alface – é ótima para amenizar a irritação. O talo tem lactucina, substância que funciona como calmante. Além disso, é rica em folato. A falta desse elemento no organismo causa depressão, confusão mental e cansaço.

Banana – ajuda a garantir um sono tranqüilo, por ser rica em carboidratos, potássio, magnésio e biotina. Ajuda a liberação de serotonina, que dá sensação de bem-estar e melhora o humor. A banana também fornece energia porque possui carboidratos e vitamina B6.

Leite – além das vitaminas do complexo B, também tem cálcio, que ajuda a relaxar os músculos, e proteínas, que estimulam o sistema nervoso.

Frutos do mar – têm em sua composição zinco e selênio, que agem no cérebro, diminuindo o cansaço e a ansiedade. São ainda boas fontes de proteína e gordura saudável (Ômega 3), essenciais para o bom funcionamento do coração, e iodo, que garante o bom funcionamento da tireóide, a glândula que regula o metabolismo.

Espinafre – contém potássio e ácido fólico, que previnem a depressão. Além disso, espinafre tem magnésio, folato e vitaminas A, C e do complexo B, que ajudam a estabilizar a pressão e garantem o bom funcionamento do sistema nervoso.

Ovos – os nutrientes dos ovos que garantem o bom humor são a timina e a niacina (vitaminas do complexo B), ácido fólico e acetilcolina. A carência deles pode causar apatia, ansiedade e até perda da memória.

Carne – possui niacina, uma vitamina do complexo B que, quando está em falta no organismo, causa depressão. Também é rica em ferro e cobre, que combatem a anemia e transportam o ferro. O zinco, presente em sua composição, é antioxidante: combate os radicais livres e retarda o envelhecimento. Além disso, seus aminoácidos fazem o cérebro funcionar melhor.

Carboidratos – se existe uma “dieta da felicidade”, ela certamente é composta de carboidratos (presentes nos cereais, pães e massas). Os carboidratos fornecem energia para todas as atividades do organismo e atuam no metabolismo cerebral de neurotransmissores que causam saciedade, bem-estar e bom humor. Por isso pessoas submetidas a dietas radicais (que suprimem calorias e carboidratos) estão sempre de mau humor. Além disso, carboidratos atuam no controle da fome, favorecem a queima de gordura e diminuem a retenção de líquidos, aspectos importantíssimos para o bom humor.

Cerca de 60% das calorias de nossa alimentação diária devem ser provenientes de carboidratos, o que significa que eles devem ser consumidos em TODAS as refeições. Sem culpa, claro, porque a culpa acaba com qualquer bom humor!

>> Postado por Marcia Daskal 18:11

Quinta-feira, 05 de junho de 2008

Afrodisíacos

Afrodisíacos

Hoje no supermercado dei risada sozinha: junto com os ovos havia garrafas de Caracu. Isso me fez lembrar de um programa de televisão que gravei há alguns anos sobre “alimentos afrodisíacos”. Como o Dia dos Namorados está chegando, resolvi escrever sobre o tema.

Basicamente, os alimentos são considerados afrodisíacos principalmente por três motivos:
– pela associação imediata com o formato;
– por provocarem algum tipo de reação fisiológica (aumentam os batimentos cardíacos e provocam o suor; similar ao que ocorre no ato sexual);
– porque teriam alguns nutrientes que proporcionam bem-estar geral (zinco, magnésio etc).

Ainda é possível que o potencial afrodisíaco desses alimentos esteja associado ao fato de serem considerados iguarias raras (como, antigamente, o chocolate branco ou ainda chifre de rinoceronte).

Em 1989 o FDA, Food and Drug Administration, órgão que regula os alimentos e medicamentos nos EUA, declarou que não existe nenhuma prova científica de que um alimento funcione como tratamento de disfunções sexuais. De fato, é meio difícil acreditar que algum alimento ou bebida possa estimular a libido, mas, aqui no Vitaminado, não queremos ser estraga-prazeres, de repente pode até rolar um clima e você cria receitas com alguns alimentos considerados afrodisíacos. Só para você se inspirar: pinole, amêndoa, amendoim, anchova, ovo, alguns cogumelos, caviar, pimenta, curry, canela, baunilha, ginseng, chocolate branco, chocolate amargo, ostra, champanhe, alho, lagosta, caranguejo, aspargo, alcachofra, cebola, salsão, orégano, semente de mostarda, raiz-forte, açafrão, frutos do mar, cenoura, pepino, morango, tâmara, banana, pêssego, pêra, damasco. E, se faltar imaginação, você sempre pode recorrer à clássica combinação de Caracu com ovo! Será que era por causa do Dia dos Namorados que estavam juntinhos no supermercado?

>> Postado por Marcia Daskal 01:00

PERFIL
  • A nutricionista Marcia Daskal adora comer. Nunca concordou em ter que cortar coisas gostosas da alimentação e classificar os alimentos como bons ou ruins. É autora de 3 livros, entre eles, Assim ou Assado, e proprietária da Recomendo - Assessoria em Nutrição e Qualidade de Vida.

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