Logo Panelinha

Quarta-feira, 26 de março de 2008

Fura bolo

Fura bolo

Por conta dos oito anos do Panelinha, fiquei pensando nos aniversários da minha família. Quem faz todos os bolos é minha avó Ilse, que completou 90 anos em janeiro. O campeão absoluto de público e crítica, pedido em 9 entre cada 10 aniversários, é o rocambole de chocolate com café, cuja a receita ela não dá a estranhos nem sob tortura. O Rocambole (assim, com R maiúsculo) é uma instituição familiar. Minha tia, na verdade, já tentou fazê-lo à exaustão, pois estamos preocupados com quem será o futuro guardião do rocambole. Mas, por mais que ela tente, não fica igual ao da minha avó.

Quando eu era pequena ficava encantada vendo minha avó rechear, enrolar e confeitar o rocambole com suas mãos ágeis. Ela dava um pouco de massa para mim, mas eu nunca consegui fazer um rolo perfeito. Eu “ajudava” nas receitas de bolo com minha mini batedeira a pilha, e depois ficava com a melhor parte: lamber as tigelas!

No meu imaginário, eu acreditava que aquela receita estava na minha família há gerações. Até ver, depois de crescida, a filha de uma amiga da minha avó ir às lágrimas ao comer o “nosso” rocambole: ao sentir o sabor ela se emocionou, recordando da “receita da mãe”, já falecida. Foi quando eu descobri que a “receita de família” foi na verdade transmitida para minha avó (e para a amiga!) por uma vizinha, quando meu pai era criança.

A tradição familiar começa alguns dias antes do aniversário, com minha avó perguntando “que bolo você vai querer?”. Nós respondemos: “qual você acha, vó?”. E ela diz, já sorrindo, “Rocambole, de novo? Não acredito! Tem certeza? Você quer mesmo Rocambole?”.

E após cada “parabéns a você” ela espera que cada um ganhe o seu pedaço e pergunta, com expectativa, como se não soubesse a resposta: “está bom?” E nós respondemos: “O que você acha, vó? ”. Ela respira aliviada, dá uma risada de satisfação, disfarçada de cara de surpresa e exclama: “que bom, ainda bem!”.

Quando meus filhos completaram 2 anos, uma nova tradição foi incorporada aos aniversários da família. Após cantar parabéns, as crianças sempre ajudam a apagar as velas. Meu pai então pergunta: “Pedro, Rodrigo, qual o nome desse dedo?”. E juntos vão falando: “mindinho, seu vizinho, pai de todos, FURA BOLOOOOOO” e enfiam o dedo no bolo! Certamente eles acreditarão que isso faz parte de uma longa tradição familiar...

>> Postado por Marcia Daskal 18:27

Terça-feira, 18 de março de 2008

Ciência inexata

Ciência inexata

“Doutora, se o Michael Jackson ficou branco, por que eu não consigo emagrecer?” Essa talvez tenha sido a frase mais bizarra que ouvi numa consulta. Foi há uns 9 anos, quando eu coordenava o departamento de nutrição de uma grande academia de São Paulo.

E olha que a moça tinha razão: jovem, bonita, não faltava na academia e fazia tudo certinho na alimentação. Só precisava perder uns 4 kg , mas mesmo fazendo tudo direito, nada da gordura da barriga ir embora. Você conhece esse filme: gente que faz tudo certo e que, mesmo assim, não consegue resultado.

No consultório vira e mexe aparece uma pessoa assim, para frustração do paciente e minha, claro. Não estou falando daqueles que ACHAM que estão fazendo tudo certo, e sim dos que se empenham, procuram um nutricionista, seguem com afinco a conduta proposta por alguns meses... e nada. O colesterol não baixa, o músculo não cresce, o peso diminui muito lentamente. O fato é que a nutrição não é uma ciência exata e cada metabolismo tem um jeito de responder. E um tempo próprio também. Para o nosso total descontentamento.

Por outro lado, é uma delícia quando conseguimos resolver um caso difícil ou mal diagnosticado. Como diz um colega médico, um daqueles “casos insolúveis”, ou “empacados”. É como uma receita: você pode fazer tudo certo e o bolo “solar”, ou “inventar moda” e o prato ficar uma delícia!

>> Postado por Marcia Daskal 14:37

Terça-feira, 11 de março de 2008

Meu filho não come

Meu filho não come

A Adriana escreve preocupada porque o filho de 2 anos não quer comer:

“Até um ano e meio, ele comia muito bem e de tudo: arroz, feijão, verduras, saladas. Mas de uns tempos pra cá, só quer saber de comer carne e frutas, não quer arroz e muito menos feijão. Macarrão até que come, mas tem dias que nem isso ele quer. Fruta ele come bem (laranja, banana, uva, melancia, manga, mexerica) e alguns vegetais também (como brócolis, tomate e pepino). O que posso fazer?”

Já falamos sobre isso no blog da Rita, mas como esse assunto é um clássico, vale a pena abordar o tema novamente e tranqüilizar mães, pais e avós aflitos de plantão. Adriana, não se preocupe. Tem dias em que simplesmente a criança não quer comer. Isso mostra que seu filho é uma criança normal. Até agora ele comia de tudo, para dar conta do estirão de crescimento. Aos 2 anos, o ritmo de crescimento diminui e a criança precisa de menos comida. Além disso, o mundo é muito atrativo e eles não têm tempo de comer, com tanto a explorar!

De qualquer maneira, talvez você esteja exagerando nas porções. Outro cuidado que as mães devem ter é não oferecer sempre as mesmas coisas. Um cardápio repetitivo ou um prato cheio são mesmo desanimadores. Uma boa idéia é aproveitar o momento para trocar o pratinho dele ou comprar talheres novos. Se ele come com colher, presenteie-o com garfo ou uma colher de metal, "pois agora ele já cresceu e vai poder comer como gente grande".

Procure cozinhar tipos diferentes de arroz e de feijão (preto, branco, vermelho) ou simplesmente dê um tempo e substitua por batata, cará, inhame, mandioca, mandioquinha, batata-doce, purês e farofas.

Sempre que possível, coma junto com seu filho. A criança gosta de se sentir participante e precisa do modelo dos pais. E tem dias em que ele não vai estar com apetite para determinado alimento ou vai ter mais ou menos fome, assim como acontece com o adulto. Quando isso acontecer, nada como coisas fáceis de comer com a mão: mini-sanduíches, ovo de codorna, ervilhas, tomate-cereja, pepino e cenoura em palitos, milho em espiga, frutas (como uvas ou ameixa, por exemplo) e até macarrão frio. O contato com a comida faz parte das experiências sensoriais da criança. Por esse motivo é bom permitir que ela coma alguns alimentos com as mãos de vez em quando. Crie também oportunidades de novas experiências, levando seu filho a provar alimentos variados – novos sabores de pizza, receitas diferentes, comidas de outros países, culinária regional... Esse pode ser um programa interessante para toda a família.

(Foto: livro Food Play, de Saxton Freymann e Joost Elffers)

>> Postado por Marcia Daskal 17:09

Quinta-feira, 06 de março de 2008

Cranberry, o amigo das mulheres

Cranberry, o amigo das mulheres

O drink cosmopolitan ficou famoso por ser a bebida preferida das quatro amigas do seriado Sex and the city. O que elas talvez não soubessem é que, além de ser uma delícia, o ingrediente principal da bebida, o cranberry, faz muito bem à saúde das mulheres.

Esse fruto vermelhinho da América do Norte é usado há muitos anos para combater problemas de bexiga e rins. O cranberry tem propriedades antibacterianas e antifúngicas, e pode também ser utilizado em casos de candidíase crônica. Estudos científicos revelaram que as mulheres que consumiam suco de cranberry tiveram 20% de redução no risco de infecção urinária, o que comprova seu uso popular na prevenção da doença.

Se você costuma ter infecções urinárias, beba três vezes ao dia um copo de suco de cranberry. Mas, se tem histórico de cálculo renal de oxalato, deve consumir o suco com cautela e em menor quantidade.

Por causa das propriedades bactericidas, o cranberry tem sido estudado na prevenção de úlceras e placas bacterianas nos dentes, ajudando no combate à cáries e problemas periodontais. Rico em flavonóides e polifenóis, faz bem ao coração, reduz a oxidação do mau colesterol e ajuda a prevenir o envelhecimento, diminuindo a degeneração cerebral.

Há registros do uso do cranberry com propósitos medicinais, para combater problemas estomacais, escorbuto, vômitos, perda de apetite e até câncer, que datam do século 17! Hoje, seu papel no combate ao câncer está sendo cada vez mais estudado.

Para saber mais, visite o site do Cranberry Institute ,um instituto voltado apenas para divulgação e promoção de pesquisas sobre o cranberry.

>> Postado por Marcia Daskal 10:05

Terça-feira, 04 de março de 2008

Dia Internacional da Mulher

Dia Internacional da Mulher

Semana passada atendi uma jovem mulher que, por ter horários de trabalho irregulares, está sempre em casa na hora do almoço. Mas como não gosta de cozinhar apenas para si, acaba comendo "qualquer coisinha", pois o marido só chega em casa à noite. O problema é que ele só come lanches. Então, ela também não faz uma refeição mais completa à noite.

Essa moça me lembrou de outra paciente que trabalhava em casa e que, pelo mesmo motivo, beliscava umas bisnaguinhas no almoço. E isso acontece com outras tantas que acabam comendo batatas fritas ou nuggets "por causa das crianças". Nem todo mundo sabe que cansaço, irritabilidade, dor de cabeça, baixo rendimento no trabalho, gases, anemia, celulite...é falta de comida "de verdade".

Minhas caras "colegas de trabalho": que tal aproveitar o mês da mulher para dar um basta em todas as desculpas (trabalho, família, regimes) e começar a comer melhor?

Maridos e filhos são muito importantes, mas não podem ser mais importantes que você. Afinal, não é você quem é quem cuida deles? E o trabalho também não rende se você não estiver disposta.

A minha sugestão é que você encare essa mudança como um presente para você mesma. Coma todos os dias um alimento nutritivo e muito gostoso, que comprou ou preparou especialmente para você.

Eu, por exemplo, tenho investido em figo, arenque, salada verde com molho de mostarda, queijo de cabra, espiga de milho, salgadinho de banana com pimenta, framboesa, kiwi, batata-doce e chocolate amargo. Alimentos que eu adoro e que fazem bem à saúde. E também à minha auto-estima!

Quem precisar de inspiração, sugiro o livro "Super alimentos - Os incríveis efeitos de uma comida que pode mudar a sua vida", de Steven Pratt e Kathy Matthews, da Prestígio Editorial. À sua saúde, ou melhor, à de todas nós!

>> Postado por Marcia Daskal 13:56

PERFIL
  • A nutricionista Marcia Daskal adora comer. Nunca concordou em ter que cortar coisas gostosas da alimentação e classificar os alimentos como bons ou ruins. É autora de 3 livros, entre eles, Assim ou Assado, e proprietária da Recomendo - Assessoria em Nutrição e Qualidade de Vida.

LINKS

RSS

PUBLICIDADE