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Quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Ode ao leite

Ode ao leite

Na casa da minha avó Ella, a hora de dormir era regada a leitinho morno adoçado com mel. Uma combinação reconfortante de triptofano (um aminoácido precursor da serotonina, que acalma e causa bem-estar) e cálcio, que relaxa a musculatura, induzindo o sono. Na minha infância, leite era considerado alimento com A maiúsculo, indispensável, comida de verdade. Tinha até aquela propaganda na TV, em que um casal feliz rodopiava na praia tomando um copo de leite, lembra?

Atualmente, o leite está sendo alvo de várias críticas, inclusive por parte dos nutricionistas. Os críticos dizem que é um alimento adequado somente para bezerros, que adultos não precisam tomar leite, que leite causa rinite alérgica, que piora a asma e que pode causar outras intolerâncias. Nas academias espalhou-se o mito de que a lactose engrossa a pele e não deixa definir a musculatura, apesar de o leite ser uma fonte excelente de proteínas . Whey protein, um dos suplementos mais consumidos por esportistas, nada mais é do que proteína do soro do leite, que até bem pouco tempo atrás era considerado um refugo pela indústria. Para piorar, quando compramos leite podemos consumir até soda cáustica! E é aí que eu queria chegar.

Alguns nutricionistas são da opinião que muitos dos problemas atribuídos ao leite podem ser causados por substâncias que estão no leite, mas não são parte do leite (soda cáustica e antibióticos, por exemplo) ou por substâncias que fazem parte do leite, mas não estão mais no leite quando ele é processado (lactobacilos).

O leite é fonte importante de cálcio e vitamina D. O cálcio atua como relaxante da musculatura, prevenindo cãibras e cólicas menstruais, é necessário para a prevenção de osteoporose e para a redução do risco de fraturas por estresse no esporte. Uma quantidade adequada de cálcio também protege contra a hipertensão. Além disso, recentemente, o cálcio foi associado como facilitador do processo de emagrecimento, ou seja, quem toma mais leite emagrece mais e mais rapidamente. O leite também é fonte natural de CLA, outro suplemento bastante consumido por quem quer queimar gordura.

As pesquisas têm mostrado que o leite também é um ótimo alimento para ser consumido após a prática esportiva. Ele recupera os músculos e favorece o ganho de massa muscular e contém peptídeos bioativos, substâncias que combatem a inflamação, a trombose, favorecem a imunidade e tem potencial anti-cancerígeno. A minha avó Ella não entendia de nutrição. Mas que o cálcio é melhor absorvido à noite, lá isso é.

>> Postado por Marcia Daskal 17:12

Quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Castanha-do-pará

Castanha-do-pará

Você certamente já ouviu falar que comer castanhas é bom para a saúde. Isso porque além de ter bastante vitamina E, que retarda o envelhecimento, elas são fonte concentrada de gordura boa, que estabiliza o humor, combate problemas de pele (inclusive a acne), baixa os níveis de triglicérides, regula a síntese de hormônios e tem ação antiinflamatória.

A coqueluche agora é a “Brazil nut”, a nossa famosa castanha-do-pará. Uma única castanha-do-pará contém toda a quantidade de selênio que precisamos num dia. O selênio é um mineral que fortalece o sistema imunológico, atua no equilíbrio do hormônio ativo da tireóide, reduz a toxidade de metais pesados (como o alumínio, presente nas panelas e nos desodorantes, e o mercúrio dos amálgamas dentários ) e, juntamente com a vitamina E, protege o organismo dos danos provocados pelos radicais livres. A falta de selênio está associada a problemas como atraso de crescimento, catarata e doenças do coração, como a cardiomiopatia, por exemplo. Em cidades do Sudeste e Centro-Oeste do país, como São Paulo e Brasília, o solo é deficiente em selênio. Isso significa que, além de comer carnes, aves, cereais e alimentos marinhos (peixes e moluscos) regularmente, os habitantes destas regiões devem consumir uma castanha-do-pará por dia. Para crianças, pode ser oferecida em dias alternados.

Resolvi falar da castanha hoje por causa de um e-mail que recebi da paciente de uma das nutricionistas da minha equipe, a Maria Luisa. Nele, ela contava que depois que passou a comer uma castanha-do-pará por dia (ou um dia sim outro não), não ficou mais doente, e olha que isso acontecia antes a cada 15 dias, com direito a garganta inflamada e infecção no pulmão.

Também fui inspirada a exaltar as maravilhas dessa oleaginosa pelo que comi no jantar: castanha picada com brócolis refogado no alho e azeite - um verdadeiro coquetel imunológico e cheio de sabor.

>> Postado por Marcia Daskal 16:04

Segunda-feira, 07 de janeiro de 2008

Brincando... na cozinha

Brincando... na cozinha

“A Descoberta do Brincar” é um estudo realizado em 77 cidades do Brasil. Ele revela que os pais preferem assistir televisão, sair com os amigos, ouvir música ou praticar esportes, a brincar com os filhos. De fato, muitos pais não têm pique de sentar no chão para uma maratona de bonecas e carrinhos após uma jornada de trabalho que começa de manhã cedo e só acaba à noite. Todo mundo sabe o que é isso – conciliar as demandas profissionais (que nem sempre terminam no escritório), ao supermercado, à hora do banho, das refeições, levar e buscar na escola.

Eu mesma não morro de amores por brincar com brinquedos – até porque eu acho que adultos “dirigem” demais as crianças. Meus filhos sabem que tem brincadeiras que eu topo mais e outras menos. Mas percebo que, para eles, o brincar pode acontecer em qualquer lugar: com 3 anos, o mundo é uma enorme brincadeira. Então, “brincamos” no carro, procurando veículos de diversas cores e fazendo uma “poção mágica bem nojenta” (com direito à asa de morcego, pum de baleia e fralda suja de bebezinho) para espantar o trânsito.

Recentemente, percebi que também brincamos na cozinha, como no dia em que fizemos um “piquenique”, ou quando eles comem e fazem muque para ver quem está mais forte ou mostram a língua pintada de beterraba. Houve um dia em que o jantar foi uma degustação de queijos variados, com cesta de pães e votos para a melhor atração. Tem também o imbatível e sempre solicitado “cuscuz mágico”: eles colocam o cuscuz marroquino num prato fundo, eu coloco água fervente com sal, eles esperam vidrados no relógio até o ponteiro indicar que passaram 8 minutos. Enquanto isso, corto cogumelos e cenoura (que viram belisquinhos). Depois, eles afofam o cuscuz com o garfo, felizes da vida, achando que nosso cuscuz cresceu por encanto. Então misturamos os legumes e nunca sobra nada para contar a história.

Brincar na cozinha é uma boa maneira de ensinar às crianças os benefícios dos alimentos, de experimentar novos sabores e de tornar o ato de comer um ato de amor, e não de guerra! Afinal, afeto e nutrição são dois lados da mesma moeda. Quem nunca lambeu tigela da batedeira da avó depois que o bolo foi para o forno?

>> Postado por Marcia Daskal 16:40

PERFIL
  • A nutricionista Marcia Daskal adora comer. Nunca concordou em ter que cortar coisas gostosas da alimentação e classificar os alimentos como bons ou ruins. É autora de 3 livros, entre eles, Assim ou Assado, e proprietária da Recomendo - Assessoria em Nutrição e Qualidade de Vida.

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