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Sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Excesso de fofura

Excesso de fofura

Num país de famintos e desnutridos, criança gordinha ainda é vista como criança saudável. Excesso de peso, porém, não é saúde. Epidemia é a palavra que os especialistas usam para descrever a obesidade infantil. Crianças em sobrepeso tendem a ser adultos obesos. Colesterol, hipertensão, diabetes e inconveniência social são alguns dos problemas que uma criança obesa vai enfrentar cada vez mais cedo na vida. Algumas vezes, antes mesmo de chegar à adolescência.

Vamos encarar os fatos: a criança conhece a maioria dos alimentos por meio dos pais, certo? Criança aprende a comer em casa. Se na sua casa sempre tem frutas, verduras e legumes mas seu filho é daqueles que não quer nem experimentar, pense em gastar mais tempo na educação alimentar dele. Isso envolve, inclusive, comer junto com a criança, em vez de delegar a função a babás e empregadas.

Muitos pais reclamam que os filhos não aceitam comer coisas diferentes, mas oferecem sempre as mesmas coisas. “Disso ele gosta”, e assim o espaço para experimentar novos alimentos durante a formação do paladar fica limitado. Criança que vê comida saudável à mesa (mesmo que não coma), cresce com aquele referencial de refeição, em vez do “prato infantil”. Os pais são modelos alimentares. Pense em que imagem de comida pode ter uma criança que sempre vê os pais reclamando porque estão “de dieta”.

Aproveitei a postagem coletiva contra a obesidade, que cai justamente um dia antes do Dia das Crianças, para falar sobre obesidade infantil. Vou sugerir algumas idéias para estimular seu filho (e o resto da família) a ter uma alimentação mais saudável. O intuito é transformar tudo numa grande brincadeira, pois a criança só consegue comer melhor com a sua ajuda e engajamento.

Na hora de ir às compras, peça a ajuda da criança. Escolham juntos novos alimentos. Se quiser mais animação, proponha algumas atividades. Por exemplo:

- o dia da cor tal (quando serão priorizados alimentos daquela cor). No “dia do laranja”, você pode procurar por cenoura, abóbora, manga; “dia do verde”, vagem, ervilha, alface, maçã-verde etc.

- uma variante é usar as letras do alfabeto para, naquela semana, servir em todas as refeições pelo menos 1 alimento com aquela letra. Alimentos com a letra B (beterraba, banana, bardana etc), alimentos com a letra M (melão, mexerica, mamão, macarrão).

- placar de notas também funciona muito bem com os pequenos. Ao experimentar o alimento, cada membro da família coloca num placar uma nota ou uma a carinha feliz, normal ou triste, sinalizando se gostou ou não.

O dia das crianças é um ótimo momento para decidir investir mais na alimentação de seu filho. Se criar brincadeiras está um pouco fora do seu perfil, tente instituir refeições familiares conjuntas algumas vezes na semana. Pesquisas indicam que crianças e adolescentes que comem junto da família pelo menos 3 ou 4 vezes na semana apresentam menor IMC, menor consumo de álcool, drogas e cigarro, menores taxas de depressão e de comportamentos alimentares desordenados e, também, melhores notas na escola. Mesmo que continuem a não comer legumes.

>> Postado por Marcia Daskal 22:21

Segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Operação engorda

Operação engorda

Parece incrível ter gente que luta com a balança para ganhar alguns quilinhos, quando a maioria quer ver o ponteiro baixar. Mas se você é da turma que perde peso rápido e está sempre em dívida com a balança, nada de compensar no leite condensado.

Se você está precisando ganhar peso, uma dica é fazer como os europeus: deixe a salada para o final. Comer a salada no início da refeição fará com que você coma menos dos outros alimentos, pois ela é rica em fibras, que dão sensação de saciedade.

Pense em aumentar a densidade calórica de suas refeições, sem comprometer muito o volume, para não ficar difícil de comer. Não encha muito o prato, e repita, se for necessário. Colocar um fio de azeite ou polvilhar queijo ralado sobre os alimentos, por exemplo, pode ser uma idéia prática e saborosa.

Mesmo sem fome, dê uma "forçadinha" para comer algo a cada duas horas. Frutas secas (damasco, ameixa, uva-passa, banana-passa, entre outras) e nozes (nozes, pistache, avelãs, amêndoas, amendoim, castanha-de-caju e do pará) são ótimas opções para esses lanchinhos. Escolha também alimentos como granola com iogurte, banana com aveia, vitaminas, bisnaguinhas com frios, e salgados assados (como pão de queijo e esfiha).

Enriqueça suas vitaminas com leite em pó, granola, aveia e gérmen de trigo. Você pode também usar shakes (desses utilizados em dietas) como lanche entre as refeições. Leve um sanduíche de pão integral para o trabalho e coma em um ou dois lanches.

Não beba líquidos nas refeições, para não ficar estufado. E doces são permitidos, sim, mas somente como sobremesa, e não como substitutos de refeição.

O treino também é importante no ganho de peso, mas se não tomar cuidado, pode ser mais um fator que contribui para a perda peso. Se você treina e não consegue comer nada depois do exercício, beba. Use leite (puro ou misturado com frutas), água de coco ou bebidas esportivas. E depois tente comer alguma coisa salgada, como macarrão ou batata cozida.

>> Postado por Marcia Daskal 16:27

Segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Pimenta multiuso

Pimenta multiuso

A Rita falou sobre pimenta no One is fun, bem quando termino uma minipesquisa sobre esse maravilhoso ingrediente. A capsaicina libera, sim, endorfinas. E por isso tem sido usada promissoramente no tratamento de enxaquecas. Ela também promove aumento do metabolismo e morte de células tumorais, é anticoagulante e promove alívio respiratório.

Em alguns lugares, o ardido prazer associado a um leve toque de dor faz com que a pimenta seja considerada “coisa do demônio”. Por provocar calor, a pimenta também aparece no rol dos afrodisíacos (sendo proibida por monges, sacerdotes e celibatários); atribui-se a ela o poder de aumentar a fertilidade. Em locais quentes, como Nordeste do Brasil, Índia ou México, uma pimentinha é indispensável. Isso porque ela faz suar e ajuda a regular a temperatura do organismo. Além disso, suas propriedades bactericidas ajudam a evitar a deterioração dos alimentos, que acontece mais rápido em climas quentes.

Na pimenta-preta, a substância ativa é a piperina, que estimula as papilas gustativas, provocando um aumento de secreção de ácido clorídrico, melhorando, assim, a digestão. Ela ajuda também a evitar a formação de gases.

Você leu certo, sim. A pimenta ajuda na digestão e não deve ser evitada por quem tem gastrite e hemorróidas, justamente porque tem um efeito cicatrizante. Apenas deve ser consumida com moderação, e não coma se apresentar fistulas ou assaduras. A substância química que dá o ardor é exatamente aquela que possui as propriedades benéficas à saúde, entre elas a ação antiinflamatória, o que significa que ela pode efetivamente ajudar na cura desses problemas, como comprovado em artigos científicos publicados em revistas como Cell Signalling e British Journal of Anaesthesia.

Comer pimenta pode ser útil também em outras doenças inflamatórias e respiratórias, assim como no manejo da dor crônica. Claro, estamos falando da pimenta moída ou picada na hora; por isso, se você ainda não tem, coloque um moedor de pimentas na sua lista de prioridades. Ah, se você exagerou na dose, não adianta beber água. A água acentua o sabor da pimenta. Coma um pedaço de pão ou beba leite ou iogurte para combater o ardor; isso remove a substância oleosa responsável pela sensação de calor.

>> Postado por Marcia Daskal 14:13

Segunda-feira, 08 de setembro de 2008

Gastronomia hospitalar

Gastronomia hospitalar

A gastronomia anda em alta, até mesmo em ambiente hospitalar. Pipocam concursos em hospitais para a contratação de chefs. Tudo para desmitificar a “comida de hospital”.

Já comentei aqui sobre quando fiquei internada, sem poder abrir a boca; a dieta era pastosa e a comida parecia comida de gato. Não sou fresca para comida, mas a coisa estava ruim, mesmo. Já viu mãe judia dizer, com cara de nojo, “não precisa comer, minha filha, não precisa comer!” e tirar o prato da sua frente?

Por essas e outras, é claro que dou o maior apoio à gastronomia hospitalar. Comer uma comidinha gostosa ajuda na recuperação.

Tem horas, porém, que menos é mais. Fui ao pronto-socorro com meu filho, já desidratado por passar uma madrugada com vômitos e diarréia. Ele recebeu soro e medicação na veia e assim que melhorou pediu uma sopinha. A enfermagem, muito gentil, conseguiu a dieta do hospital. Sopa de couve-flor com alho-poró. Meu filho é desses que adoram brócolis e couve-flor, como o menino da propaganda. Ele provou a sopa e, do alto de seus quatro anos, desatou a chorar. Quando você está doente do estômago, quer tudo menos inovação. O que cai bem é mesmo uma canjinha ou uma sopinha de macarrão. Ficou dois dias no PS e internado por mais cinco dias na pediatria. O diagnóstico era rotavírus. Soro na veia, dias e dias sem comer nada.

Chamo a nutricionista:

- Por favor, pode mandar um macarrãozinho sem molho? Uma maçã sem casca? Uma batatinha cozida?

- Pode ser alho e óleo? – ela pergunta.

- Alho e óleo?! Não, não, sem molho é melhor. Aliás, manda uma canja.

- Canja não tem, só sopa de legumes com alho-poró. Consigo a canja só para amanhã.

Devia ter um decreto que obrigasse hospital a ter canja todo dia. Afinal, sempre vai ter alguém precisando do conforto dela.

Em outro dia, meu filho pediu um bife no meio da tarde. Ligo na nutrição. Conseguem o bife. Vem meia hora depois, cheio de rodelas de alho-poró. Ele não quis, claro. Mesmo eu tirando o alho-poró. Também não quis as iscas de carne com cebola, nem o espinafre refogado.

Por mais que ele coma sushi, tofu, kiwi, lichia e damasco, doentinho, queria uma sopa de letrinhas, cenourinha cozida, bifinho. Estômago ruim pede comida simples, sem complicação.

Bife grelhado e batatinha podem, sim, fazer parte da gastronomia hospitalar. Mas sem alho-poró!

>> Postado por Marcia Daskal 17:49

Segunda-feira, 01 de setembro de 2008

Profissionais da saúde

Profissionais da saúde

Vários internautas têm escrito para comentar posts e perguntar sobre problemas individuais. Algumas das questões acabam servindo de inspiração para novos textos, mas nem sempre dá para resolver ou abordar problemas individuais aqui. Por exemplo, a Judy conta que tem um cisto no pâncreas, gordura no fígado e outros problemas de digestão. Ela quer saber o que pode ou não comer e onde obter receitas para variar o cardápio dela, “que anda muito monótono”.

Judy, em primeiro lugar, quero agradecer o seu e-mail. É muito bom ter um retorno dos internautas. O fato de você procurar ter uma alimentação mais saudável já é um ótimo começo. Mas o seu caso é muito específico e requer sugestões feitas especialmente para você, de forma a contemplar suas tolerâncias e intolerâncias. Por esse motivo, acho importantíssimo que você procure um nutricionista clínico para resolver essas questões, inclusive a suplementação de vitaminas e enzimas, se necessário.

A Eloísa diz que gosta dos posts, pois ajudam a tirar algumas dúvidas e também orientam a ter uma vida mais saudável. Eloísa, essa é a idéia aqui do Vitaminado! A dúvida dela é referente a especialidades clínicas. Ela quer saber a diferença entre um endocrinologista e um nutricionista: “Para uma pessoa que deseja fazer uma dieta para emagrecer, qual dos dois profissionais é mais adequado?” A outra dúvida dela é qual profissional procurar para orientar uma dieta, levando em conta que ela pretende engravidar daqui a um ano.

Eloísa, estar preparada para uma gravidez é a melhor forma de começar. O endocrinologista é o médico que cuida do metabolismo e suas alterações (diabetes, tireóide, crescimento etc.). Por ser médico, pode prescrever medicamentos. Já o nutricionista não é médico, mas sim o profissional da saúde que estuda os alimentos e seus efeitos no organismo; portanto, é o mais indicado para prescrever dietas e ajudá-la a se preparar para uma gravidez com uma alimentação adequada e a suplementação de vitaminas. Antes de engravidar, é recomendável também procurar um ginecologista para fazer um check-up.

E já que estamos falando de profissionais da saúde, aproveito para indicar o blog da psicóloga Lia Ades, especializada em comportamento alimentar. No É pra ler ou pra comer?, blog que une psicologia e alimentação, ela discute assuntos interessantes. No post Mais açúcar do que imaginamos!, ela cita o Vitaminado... Mas além desse bate-papo virtual, nós duas trocamos muitas impressões sobre como o comer se tornou uma coisa tão complicada: requer até manual! Brincadeiras à parte, um brinde, Lia, a seu maravilhoso (e tão necessário) trabalho.

>> Postado por Marcia Daskal 17:09

PERFIL
  • A nutricionista Marcia Daskal adora comer. Nunca concordou em ter que cortar coisas gostosas da alimentação e classificar os alimentos como bons ou ruins. É autora de 3 livros, entre eles, Assim ou Assado, e proprietária da Recomendo - Assessoria em Nutrição e Qualidade de Vida.

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