Quarta-feira, 04 de novembro de 2009
Alma leve
O vídeo de hoje é curto, bem curtinho. E o post vai ser mais longo. É que quando comecei a preparar a minha mudança, um olhar crítico se apoderou de mim. Livros, panelas, roupas, lençóis, sapatos, nada escapou da pergunta: será que ainda vou precisar disso? Ou melhor, será que isso ainda me serve?
Teoricamente, estas limpezas deveriam acontecer de tempos em tempos. Boa parte das mulheres até dá uma mexida nos armários na troca das estações. Mas quem tem tempo de se livrar dos potes plásticos que moram embaixo da pia?
Coisas que estão quebradas, muito velhas ou ficaram feias da noite para o dia são mais fáceis de se livrar. Mas e o que não serve mais para o momento da sua vida? Coisas boas, novas. É mais difícil de abrir mão, passar para frente, realizar que aquilo não é mais necessário, que a fila andou, você mudou, cresceu ou desaprendeu, sei lá. Mas tem a questão do espaço. E ela elimina qualquer titubeação.
Estou saindo de um apartamento muito grande e velho para um menorzinho e nos trinques. Cozinha aberta para a sala, banheiros novinhos em folha, armários do jeito que eu queria, mas nem tudo que eu tenho vai caber na casa nova. Então não tenho escolha. E isso se mostrou um ativo na fase em que quero simplificar ainda mais a minha rotina. Less is more para valer, na prática, não só na teoria.
No começo aqui do blog, alguém me escreveu dizendo que tinha a impressão de que uma reforma na casa é também uma reforma na alma. Eu concordo. E as mudanças também são duas.
O mais difícil para mim foi mexer nas coisas dos meus filhos, acredita? Começamos fazendo a triagem dos brinquedos. Coisas quebradas num canto, inadequadas para idade deles em outro. As em excesso também foram deixadas de lado. Precisa ter dois jogos iguais? O que parecia ser tão difícil, e sem dúvida foi o mais difícil, começou a fazer sentido. Só ficamos com a nata. Os 14 sacos de 100 litros foram doados para conhecidos e uma escola pública.
Depois foi a vez do meu armário. Acabei tirando dele muito mais do que eu precisava. Oito caixas de mudança viraram roupa nova para todas as pessoas que trabalham ou já trabalharam em casa comigo. E a sensação de ver meu armário reduzido a menos da metade foi de prazer. Um enorme prazer. Queria poder descrever melhor. Talvez seja a mesma sensação que uma pessoa sente quando, depois de meses fazendo regime, sobe na balança e vê que emagreceu os 10 quilos de que precisava. Acho que é isso, estou me sentindo com a alma esbelta.
Na cozinha, descobri que tinha um monte de temperos velhos, utensílios vencidos, sem falar nas panelas que não tenho nem coragem de doar. Foi tudo para o lixo. Nos quartos, lençóis amarelados e puídos também foram para doação. Livros, maquiagem, sapatos, nada escapou. E tudo que sobrou já está devidamente embalado. E olha que não foi pouca coisa. Um dia inteirinho para empacotar, e outro para levar a mudança. Agora falta pouco.
>> Postado por Cozinha da Rita 12:41
25 de outubro de 2009
Fim de feira
Eu estava estranhando um pouco o fim da obra ser tão tranquilo. Fornecedores cumprindo prazos, bancadas e armários instalados, luminárias no lugar, paredes e portas pintadas, até que aconteceu um pequeno pobrema. É pobrema, mesmo. Ou terá sido um poblema?
O fato é o seguinte: um “colega” foi instalar o piso de pedra da entrada, fez o trabalho dele e, na sequência, largou o entulho bem no meio da sala. O piso de madeira, que já estava prontinho, tinha uma cobertura de papelão e outra de plástico para protegê-lo de possíveis arranhões, que poderiam ser caudados no traslado de um móvel, ou até de um pingo de tinta da última demão. Mas o plástico não é do tamanho da sala, então, são usados vários para cobrir toda a extensão do piso. Exatamente onde um pedaço encontra com outro, o entulho foi colocado. Um líquido misturado com pó de cimento escorreu, entrou na fresta do plástico, molhou o papelão e queimou o piso de madeira. Vinte taquinhos pirografados, pretinhos da silva. Adivinha o que aconteceu? Além do drama do piso, neste vídeo você vê a alegria que é ter todos os armários instalados. Agora falta pouco. Já preciso começar a me preparar psicologicamente para a mudança. E na prática também!
>> Postado por Cozinha da Rita 19:27
Segunda-feira, 19 de outubro de 2009
A instalação da bancada
Marcenaria ou móveis planejados? Essa deve ser a primeira dúvida de quem pensa em reformar a cozinha. Principalmente se a reforma consiste em trocar os armários. Não era o meu caso. Coloquei o apartamento abaixo, troquei todo o encanamento, mudei a bancada de lugar, derrubei as paredes, arranquei o piso. Refiz o layout de acordo com as minha necessidades. Por isso, quando comecei a orçar os armários, já tinha o projeto pronto, feito a quatro mãos com o arquiteto. E isso fez a maior diferença.
As lojas de móveis planejados vendem a ideia de que vão fazer um projeto para você; na realidade, o projeto é feito para encaixar o máximo possível de armários na sua cozinha. E isso ficou muito claro quando cheguei com um projeto pensado especificamente para as minhas necessidades, e as possibilidades do espaço. Além do preço, queria saber se era possível executar o projeto como estava no papel, sem alterações.
De cara, um dos armários virou um problema. Ele vai do piso ao teto e servirá para abrigar cristais, porcelanas, cerâmicas, enfim, todo o material de mesa e, também, alguns utensílios de cozinha. Por sair fora do padrão de empresas de móveis planejados, todos vinham com um jeitinho, uma solução que alterava completamente o desenho, mas viabilizava a execução do armário.
Em vez de fazer a porta de madeira, por que você não usa vidro? É tendência e assim dá para fazer do tamanho que você quer... Outro propôs colocar uma base de alvenaria, um terceiro queria incluir um rodapé gigante no armário. Resumindo, nenhuma das empresas conseguiria executar o móvel exatamente como estava no desenho. E todas acharam uma “falha” no projeto: conseguiriam encaixar mais uma gaveta aqui e outra ali.
Neste quesito, ponto para marcenaria, que faz móveis sob medida para o projeto e não projeto sob medida para os móveis. Sacou?
Aí vem a questão dos acabamentos. Eu NÃO queria uma cozinha com cara de cozinha. Este é o segundo ponto a favor das boas marcenarias: os móveis ficam com um acabamento mais fino. E, além do mais, decidi fazer a ilha de madeira maciça. Como as empresas de planejados só trabalham com folhas de madeira ou fórmica imitando madeira, de qualquer modo ela teria que ser feita por um marceneiro. Então tudo parecia resolvido. Só precisava achar a marcenaria certa. Mas aí veio uma outra questão.
Eu não gosto muito de puxadores. E, aparentemente, a solução é simples: basta não colocar. Ora, pois, é verdade. Mas como abrir e fechar portas e gavetas sem eles? As lojas de planejados têm soluções incríveis. Um toque com a ponta do dedo, e a gaveta lotada de panelas pesadas se abre num passe de mágica. Para fechar, um empurrão, e a gaveta se fecha, sem bater.
Por melhor que seja a marcenaria, não há comparação com a tecnologia das boas marcas de móveis planejados. Ponto para eles. Então a balança começou a equilibrar. E a escolha parecia cada vez mais difícil. Mas todas as dúvidas foram eliminadas quando os orçamentos chegaram.
A empresa que, na minha opinião, fabrica as melhores cozinhas planejadas enviou uma proposta astronômica. Depois de muita negociação, os armários da cozinha iriam custar o equivalente a 20% do imóvel. Uma outra empresa, também muito boa, orçou o mesmo projeto por menos da metade do valor. (E, provavelmente, metade da qualidade, também.) A marcenaria, a única que conseguiria executar os móveis exatamente como eu queria, com qualidade, porém sem toda a tecnologia da empresa bacanuda de planejados, enviou um orçamento equivalente ao da segunda proposta.
Não foi difícil de concluir que, para o meu projeto, a marcenaria seria a melhor opção. O custo da tecnologia acaba saindo muito alto e, mesmo assim, eu teria que abrir mão de algumas coisas, como a madeira maciça ou o acabamento do armário. O mais grave, porém, é que a cozinha iria ficar com cara de cozinha!
Decidi fazer tudo na Baraúna, uma marcenaria que não é especializada em cozinhas, mas faz móveis modernos e muito bem acabados. Ela não é exatamente barata, mas chegou a um orçamento compatível ao investimento que eu queria fazer na reforma.
O prazo de entrega também casou com o da Mekal, que precisava instalar o tampo no mesmo dia em que a bancada fosse fixada. O vídeo abaixo mostra um pouco da odisséia. Um dia inteirinho só para instalar a bancada e o tampo. E eu que achei que a obra estava chegando ao fim.
>> Postado por Cozinha da Rita 12:17
Sexta-feira, 02 de outubro de 2009
Receita em vídeo
O assunto deste blog é a reforma da minha cozinha. Mas, como a reforma está sem assunto, em vez de só falar um monte de abobrinhas, resolvi achar outra cozinha e fazer um delicioso prato com elas. Fui até a casa do meu irmão e preparei uma das receitas favoritas dele, o fusili com queijo feta e hortelã. E abobrinhas, claro.
Antes, porém, fui à feira, passei na obra... Aliás, os freqüentadores aqui do blog vão estranhar o fato de o piso de madeira não estar mais lá. Calma! O empreiteiro não arrancou tudo por engano de novo. Eu gravei antes da instalação, pois sabia que esta semana não poderia pôr meus pés no meu próprio imóvel. Esta é a primeira receita em vídeo do blog, então, mande seus comentários!
>> Postado por Cozinha da Rita 19:23
27 de setembro de 2009
Taquinho por taquinho
Quando o meu irmão, que é também meu arquiteto, me perguntou pela primeira vez se eu queria trocar o piso do apartamento, quase caí da cadeira. Mas a verdade é que aquele chão onde eu cairia já estava oxidado. Ele aguentaria meu peso, mas não aguentaria mais uma raspagem. Com isso, não daria para juntar sala e cozinha com o mesmo piso. Ainda na etapa da demolição, decidi arrancar a madeira que não poderia ser reaproveitada.
Escolher o piso, apesar da enorme variedade de tipos e de cortes de madeira, foi relativamente simples. Foi por exclusão, mas foi simples. A indicação da fábrica era de uma madeira bem escura, por ser mais densa e resistente. Mas eu não gosto de madeiras muito escuras. Então, optei pela mais clara das escuras, a cumaru. Aí, poderia ser taco, tacão, assoalho - que eu conhecia como tábua corrida -, mas o único corte que aproveita sobras de madeira é o taco palito. Além de lindo, é ecologicamente correto. E tem mais uma vantagem, a manutenção é fácil. Se com o decorrer dos anos um ou outro taco ficar muito danificado pelo uso na cozinha, é bem mais simples de trocar que um assoalho, por exemplo.
Foi tudo uma moleza, a escolha e, para a minha surpresa, também a instalação. Tão fácil que até resolvi colocar alguns taquinhos com as minhas próprias mãos! Acontece que, agora, a obra vira um quebra-cabeças: todos os fornecedores querem entrar por último. E, pelo que eu soube, um chega estragando o trabalho do outro. Mas não dá para colocar os móveis sem o chão. Nem fazer a última demão de tinta antes da raspagem do piso, certo? Então, decidi fazer assim: uma demão de tinta, instalação do piso, depois vem a marcenaria e bancada de inox, mais ou menos ao mesmo tempo é feita a instalação das luminárias; assim que tudo isso estiver pronto, a equipe de pintura dá os últimos retoques; por último, é feita a montagem dos eletrodomésticos e, finalmente, posso me mudar.
Por escrito, parece rapidinho. A questão é que, depois de colocar taquinho por taquinho, que é o que você vai ver no vídeo deste post, vem um longo processo. Duas semanas para a madeira assentar, depois é feita a raspagem, a aplicação do verniz e, assim, quase um mês vai se passar sem que mais nada possa ser feito. Mas tudo bem, sou uma mulher prevenida. Mesmo sem poder pisar no chão da minha própria casa, semana que vem eu volto.
>> Postado por Cozinha da Rita 22:09
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Rita Lobo está reformando a cozinha. E você vai poder acompanhar tudo, do projeto arquitetônico à escolha dos eletrodomésticos. Com vídeos, fotos e textos, ela vai dividir as alegrias e tristezas da obra. Para dar aquele apoio moral, mande seu e-mail para rita@panelinha.com.br.











