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Segunda-feira, 17 de março de 2008

Parcerias

Parcerias

Por mais de duas décadas, Cecília Judkowitch foi proprietária de restaurantes. Ela se tornou muito famosa e querida na comunidade judaica. Mas, por uma dessas coincidências, quando abri o meu restaurante, Cecília fechou o dela, que também ficava em Higienópolis. Uma pena. Mas ela não parou de trabalhar, e suas receitas passaram a ser preparadas sob encomenda.

Por mais uma coincidência, Cecília e eu temos uma fada madrinha em comum: a chef Ana Soares, que me ajudou a desenvolver o projeto do AK. E foi a Ana que nos aproximou para criarmos uma parceria profissional. Cecília é uma pessoa muito especial, uma senhora que conhece como ninguém a culinária judaica tradicional.

Apesar de sempre trazer um olhar novo e mais contemporâneo às receitas, eu gosto de manter o pé na tradição. Por isso, a idéia de uma parceria com a Cecília me pareceu perfeita!

Na semana passada, começamos a servir o gelfite fish da Cecília, que segue uma receita polonesa, um pouco diferente da que costumamos fazer no AK. Uma delícia! Aos sábados vamos servir também o kishke, um prato parecido com a alheira portuguesa, uma tripa recheada que acompanha a feijoada judaica, o cholent. O próximo passo desta parceria tão gostosa é criar pratos em conjunto.

Para incrementar nosso cardápio de sobremesas, também passamos a contar com a colaboração da Luciana Lobo, a chef chocolatiere da Cau Chocolates, que criou uma degustação de bombons especiais, com especiarias, rosas, cardamomo, pimenta e outros ingredientes. Para servir com o café, estamos desenvolvendo um bombom com a marca do AK impressa.

Estou muito feliz com as novas parcerias, ainda mais porque são com duas mulheres tão talentosas. Vai ser muito bom poder somar as nossas experiências e dividir o resultado com os clientes do AK e a freguesia aqui do blog.

>> Postado por Andrea 17:52

Segunda-feira, 03 de março de 2008

Semana puxada

Semana puxada

Nossa, que semana puxada! Os dias se passaram no limite e, pela primeira vez desde que abri o AK, fiquei preocupada com o meu coraçãozinho.

Domingo, 12h30. Um estouro na caixa de luz da cozinha principal deixa o primeiro piso do restaurante no escuro. Caos total. Como não poderíamos servir o almoço do jeito que estava, ligamos para as pessoas que haviam feito reservas, avisando sobre o problema, e anotamos o nome e telefone dos clientes que chegavam.

Em pleno domingo, o único jeito de achar um eletricista 24h foi entrar no Google. E acabei conseguindo um que chegasse em tempo recorde. Às 13h, o eletricista restabelece a energia. Na maior correria, voltamos para o telefone e ligamos para todos os clientes.

Como se nada tivesse acontecido, prosseguimos com o nosso domingo, que acabou batendo recorde de público: 93 couverts servidos! Foram três viradas completas (ou seja, passaram pelas mesmas mesas três levas de clientes), um dia quente, uma longa espera na porta do restaurante e algumas pessoas aborrecidas com a situação. Mas, no geral, um monte de gente saiu feliz! Acaba a semana. Ufa!

Segunda-feira é dia de correr. Começamos a reforma do nosso quadro de luz. No dia seguinte começaria o evento São Paulo Restaurant Week, com a participação de 40 restaurantes da cidade, que oferecem um menu pechincha durante a semana. Estamos lotados de reservas, e nosso fornecedor avisa na última hora que está sem a costela de boi ponta de agulha, ingrediente que faria parte do cardápio do evento. Fora tudo isso, temos um evento grande para 300 pessoas: o lançamento da revista Engenho da Gastronomia. Ainda fecho mais dois eventos e preciso comparecer em cada visita técnica, vestida impecavelmente e com atenção máxima para não perder nenhum detalhe.

Na quinta–feira, o dia transcorre relativamente calmo, até que toca meu telefone no final da tarde. José e João, os principais cozinheiros, haviam sofrido um acidente de moto e se esborracharam! Enquanto a ambulância segue para o hospital, eu sigo para o AK com o coração na mão. O que faremos com a casa cheia de reservas e só eu e o Robertão tocando o serviço da noite? O que faremos?

Manteremos o bom humor, claro! Tudo transcorre bem, no AK e no hospital. Nossos heróis voltam com muitas escoriações, mas sem nenhuma fratura . Ufa, de novo!

Na sexta-feira, o João volta, mas o José não. O AK bomba de gente, e o sistema de comandas virtuais da casa entra em colapso. Trabalhar com comanda manual, uma vez que já estamos acostumados com a tecnologia, fica muito mais difícil. Mas é possível. Trabalhamos o dobro, demos um gás e conseguimos terminar mais um serviço. E vivos!

Pois é, vida de dona de restaurante não é fácil, mas que é emocionante, isso é. Segura coração!

>> Postado por Andrea 18:00

PERFIL
  • Formada em comunicação social, a chef Andrea Kaufmann trabalhou com
    publicidade por oito anos até decidir comunicar-se por meio dos alimentos.
    Quase autodidata, se não fosse pelas avós, a devoradora de literatura
    gastronômica passou a ministrar cursos na cozinha de sua casa e a cozinhar
    em festas com o seu bufê, até montar o AK e realizar seu sonho: ser dona de
    uma deli/restaurante.

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