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Segunda-feira, 06 de outubro de 2008

Sopa thai, a missão

Sopa thai, a missão

Estava lendo posts antigos do blog da Rita e, de repente, me vi mergulhada no início da minha carreira. Com o texto sobre a sopa thai, lembrei a época em que eu dava aula de culinária. Quando uma pessoa dizia: “Não sei nem fazer arroz, feijão e batata frita; sou um caso perdido”, eu respondia que isso não existe, cozinhar requer apenas disponibilidade. Adorava começar o ensino pela sopa thai, pois ela me remete às minhas primeiras aventuras culinárias.

A “Tom yum goong” é uma sopa com nuance de sabores; tem um toque amargo, outro cítrico, picante também, é muito aromática. Ela causa uma sensação mágica. É bem verdade que costumava tomá-la em jantares altamente românticos com meu então namorado, hoje marido. Eram goles de sopa tomados com toda a atenção. A vontade de desvendar os sabores era sobreposta pela vontade de viver o momento presente. Foi no restaurante Oriental que passei muitos desses momentos; no Vong, em Nova York, também; e, depois do fechamento do Oriental, ainda recorríamos ao Lana Thai. Quando este último thai de São Paulo fechou, precisei aprender a fazer a tal da sopa.

Receita pesquisada, visitas e compras na Liberdade feitas, a primeira vez é sempre mais tensa. Era um jantar para 12 pessoas. Passo a tarde picando, ralando, fazendo o caldo de peixe, organizando todo o mise en place. Óleo vegetal na panela, refogo cebola, alho, gengibre ralado, pimenta dedo-de-moça cortada ao meio, folhas de cidreira amarradas, talos de coentro, coloco o caldo de peixe, a sopa começa a ferver. Aí entram as folhas de limão kaffir, o tamarindo, o nampla, uma pitada de açúcar, outra de sal e o leite de coco. Camarão ou frango e cogumelos finalizam o cozimento. Ao servir, as folhas de coentro dão o verde que faltava... hum... que delícia! Sucesso total!

Depois desse dia, nunca deixei de fazer sopa thai. Ela foi evoluindo e a cada nova tentativa era aperfeiçoada. Uma ótima forma de começar na cozinha. Juntar esses ingredientes estimula a intuição e o paladar do cozinheiro. E aí, você se arrisca?

>> Postado por Andrea 17:40

PERFIL
  • Formada em comunicação social, a chef Andrea Kaufmann trabalhou com
    publicidade por oito anos até decidir comunicar-se por meio dos alimentos.
    Quase autodidata, se não fosse pelas avós, a devoradora de literatura
    gastronômica passou a ministrar cursos na cozinha de sua casa e a cozinhar
    em festas com o seu bufê, até montar o AK e realizar seu sonho: ser dona de
    uma deli/restaurante.

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